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Dólar recua mais de 4% após eleições; veja o que especialistas recomendam

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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A forte queda do dólar após o primeiro turno das eleições de 2026 reacendeu uma dúvida comum entre brasileiros: é melhor aproveitar a cotação abaixo de R$ 5 ou esperar uma possível queda maior?

Na segunda-feira (5), o dólar chegou a ser negociado abaixo de R$ 5, após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado provocou uma forte reação nos mercados: a moeda americana encerrou o pregão a R$ 5,0022, com baixa de 4,12%, enquanto o Ibovespa superou pela primeira vez os 200 mil pontos.

O movimento, porém, não significa que o dólar necessariamente continuará caindo. Nesta terça-feira (6), a moeda abriu novamente em baixa, próxima de R$ 4,97, mostrando que o mercado ainda está ajustando os preços às expectativas para o segundo turno.

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Por que o dólar caiu tanto?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A queda foi provocada principalmente pela mudança na percepção dos investidores sobre o cenário político e econômico brasileiro.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

Para parte do mercado financeiro, o resultado aumentou a possibilidade de uma política econômica mais voltada ao controle das contas públicas. Essa expectativa reduziu o chamado prêmio de risco exigido pelos investidores para manter recursos no Brasil.

É importante, porém, separar expectativa de realidade. A eleição ainda não terminou e o resultado das urnas não altera imediatamente os fundamentos fiscais do país. Dívida pública, gastos, arrecadação e capacidade de aprovação de medidas econômicas continuam sendo fatores importantes para determinar o comportamento do câmbio.

Bancos veem espaço para o dólar cair mais

O movimento também levou grandes instituições internacionais a revisarem suas perspectivas para o câmbio.

O J.P. Morgan passou a trabalhar com possibilidade de dólar em torno de R$ 4,80, enquanto o Goldman Sachs considera uma faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,80 em um cenário considerado favorável aos mercados.

Isso não significa que essas cotações estejam garantidas. Projeções cambiais são cenários condicionados a fatores políticos, fiscais, monetários e externos.

Uma mudança nas pesquisas, declarações dos candidatos, composição do Congresso ou percepção sobre a política econômica do próximo governo pode provocar novas oscilações.

Comprar dólar agora ou esperar?

Para quem precisa da moeda, a estratégia mais prudente geralmente não é tentar descobrir exatamente qual será o menor preço.

Depois de uma queda superior a 4% em apenas um pregão, comprar uma parte do valor necessário pode ser uma alternativa para quem já tinha uma necessidade definida. Ao mesmo tempo, deixar uma parcela para compras posteriores permite aproveitar uma eventual valorização do real.

Essa estratégia é especialmente útil porque o câmbio pode mudar rapidamente. O investidor que espera uma cotação muito mais baixa pode acabar diante de uma alta inesperada e precisar comprar toda a moeda por um preço pior.

Por isso, dividir a compra em etapas reduz o risco de errar o momento do mercado.

Para quem vai viajar, esperar pode ser arriscado

Quem tem uma viagem internacional programada deve encarar o dólar como uma despesa futura, e não necessariamente como uma aplicação financeira.

Imagine uma pessoa que viajará aos Estados Unidos em dezembro e precisa de US$ 3 mil. Em vez de apostar que o dólar chegará a R$ 4,50, ela pode comprar uma parte agora e distribuir o restante ao longo das próximas semanas.

Se a moeda cair, será possível comprar outra parcela mais barata. Se subir, parte da necessidade já estará protegida pela compra anterior.

Quanto mais próxima estiver a viagem, menor tende a ser a margem para correr esse risco. Deixar toda a aquisição para os últimos dias pode obrigar o viajante a aceitar qualquer cotação disponível.

Também é preciso considerar que dólar comercial e dólar turismo não são a mesma coisa. Quem compra moeda física ou utiliza determinados meios de pagamento no exterior pode enfrentar custos adicionais, como spread e tributos, fazendo com que o valor efetivamente pago seja diferente da cotação divulgada no mercado.

E quem quer guardar dólar como proteção?

Para quem não tem viagem marcada, a decisão depende principalmente do objetivo.

Se a intenção é diversificar o patrimônio e manter uma parcela dos recursos exposta ao exterior, não é necessário transformar a compra em uma aposta sobre o próximo movimento do câmbio.

Uma pessoa que deseja manter, por exemplo, uma parcela do patrimônio em ativos dolarizados pode estabelecer uma estratégia de longo prazo e fazer aportes periódicos. Assim, a decisão deixa de depender exclusivamente de acertar o melhor dia para comprar.

Além disso, exposição internacional pode ser obtida de diferentes formas, inclusive por investimentos que acompanham ativos estrangeiros, dependendo do perfil e dos objetivos do investidor.

O que pode fazer o dólar cair ou subir daqui para frente?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O principal fator doméstico continuará sendo a evolução do cenário eleitoral e as expectativas sobre a política econômica do próximo governo.

Uma percepção de maior disciplina fiscal pode favorecer o real. Por outro lado, dúvidas sobre gastos públicos, aumento da dívida ou dificuldade para implementar medidas de ajuste podem voltar a pressionar a moeda americana.

O ambiente internacional também importa. Decisões do Federal Reserve sobre juros nos Estados Unidos, fluxo de capital para mercados emergentes, preços de commodities e conflitos geopolíticos podem provocar movimentos relevantes no dólar brasileiro mesmo quando não há nenhuma novidade política no Brasil.

Por isso, não existe uma cotação que permita afirmar com segurança que o dólar chegou ao fundo.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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