O dólar iniciou a semana em queda e voltou a fechar abaixo do patamar psicológico de R$ 5,00, reforçando um movimento que tem chamado a atenção do mercado financeiro. Na segunda-feira (27), a moeda norte-americana encerrou cotada a R$ 4,9821, com recuo de 0,32%, após atingir mínima de R$ 4,9642 ao longo do dia.
Dólar recua 0,32% e fecha a R$ 4,98 nesta sessão
Dólar fecha abaixo de R$ 5. Entenda os motivos, impacto do petróleo, juros e o que esperar do câmbio nos próximos dias.
O desempenho ocorre em um contexto global complexo, marcado pela alta dos preços do petróleo e incertezas geopolíticas no Oriente Médio. Ainda assim, o real segue entre as moedas com melhor performance em 2026, acumulando valorização expressiva frente ao dólar.
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Por que o dólar está caindo?
Influência do cenário internacional
O principal fator por trás da queda do dólar é externo. A valorização de moedas emergentes, como o real, está ligada a três pontos centrais:
- Enfraquecimento global do dólar
- Alta nos preços de commodities, especialmente o petróleo
- Fluxo de capital estrangeiro em busca de retornos mais altos
O índice Dollar Index (DXY), que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, recuou e acumula queda superior a 1,30% no mês. Esse movimento indica perda de força da moeda americana no cenário global.
Petróleo em alta impulsiona moedas de exportadores
A escalada nos preços do petróleo tem beneficiado países exportadores de commodities, como o Brasil. O barril do Brent fechou em alta de 2,58%, cotado a US$ 101,69.
Esse avanço foi impulsionado pelo fracasso nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, elevando as tensões no Oriente Médio e gerando preocupações com a oferta global de energia.
Além disso, o banco Goldman Sachs revisou para cima sua projeção para o petróleo, o que reforça a expectativa de preços elevados nos próximos meses.
Juros elevados no Brasil sustentam o real
Diferencial de juros atrai investidores
Outro fator decisivo para a valorização do real é o chamado “carry trade”, estratégia em que investidores internacionais aplicam recursos em países com juros mais altos.
No Brasil, a taxa básica de juros, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), deve cair para 14,50% ao ano, ainda em um nível elevado.
Enquanto isso, o Federal Reserve tende a manter os juros inalterados, mesmo diante de pressões inflacionárias persistentes.
Esse diferencial continua tornando o Brasil atrativo para capital estrangeiro, fortalecendo o real.
Desempenho do dólar em 2026
Os números mostram uma tendência clara de desvalorização da moeda americana frente ao real:
- Queda de 3,79% em abril
- Alta moderada de 0,87% em março
- Recuo acumulado de 9,23% no ano
Esse desempenho coloca o real entre as moedas mais valorizadas do mundo em 2026, especialmente entre países emergentes.
Fatores internos têm menor peso no câmbio
Apesar de anúncios relevantes no cenário doméstico, como o possível lançamento do programa de renegociação de dívidas — apelidado de “Desenrola 2.0” —, analistas apontam que o impacto no câmbio é limitado no momento.
O foco do mercado segue concentrado no ambiente internacional, com destaque para:
- Política monetária global
- Preço das commodities
- Tensões geopolíticas
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Atuação do Banco Central no câmbio
O Banco Central do Brasil também atua para garantir a estabilidade do mercado cambial.
Na segunda-feira, foram ofertados 50 mil contratos de swap cambial (equivalente a US$ 2,5 bilhões), com venda efetiva de 30 mil contratos. Esse tipo de operação funciona como proteção (hedge) para investidores e ajuda a controlar oscilações bruscas do dólar.
Segundo operadores, a demanda por proteção cambial está baixa, o que permite ao Banco Central reduzir sua exposição sem pressionar o mercado.
O que esperar do dólar nos próximos dias
Super quarta no radar
O mercado aguarda a chamada “Super Quarta”, quando decisões simultâneas de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos serão anunciadas.
A expectativa é de:
- Manutenção dos juros nos EUA
- Novo corte da Selic no Brasil
Se confirmadas, essas decisões devem manter o diferencial de juros elevado, favorecendo a continuidade da valorização do real — pelo menos no curto prazo.
Riscos no horizonte
Apesar do cenário positivo, alguns fatores podem reverter a tendência:
- Escalada de conflitos no Oriente Médio
- Mudanças inesperadas na política do Fed
- Queda nos preços das commodities
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
