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Dólar deve se aproximar de R$ 5 nos próximos meses, segundo Volpon

Dólar cai a R$ 5,35 com valorização do real e atinge menor nível em 15 meses, impulsionado por Fed e fatores internos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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Na sexta-feira, 12, o real apresentou uma valorização expressiva, fazendo com que o dólar norte-americano recuasse para R$ 5,35, a menor cotação em 15 meses. O movimento reforça um cenário positivo para o câmbio brasileiro, influenciado tanto por fatores externos, como as expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos, quanto por questões internas, como a estabilidade institucional após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A valorização do real foi mais significativa do que a de outras moedas emergentes, o que chamou a atenção do mercado e de especialistas em política econômica.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O papel do Federal Reserve nas cotações globais

Expectativa de corte de juros impulsiona moedas emergentes

O principal fator internacional que contribuiu para o fortalecimento do real nesta semana foi a expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. O mercado projeta que o Fed poderá iniciar um ciclo mais extenso de redução das taxas de referência, sinalizando um movimento mais dovish (brando) do que o anteriormente esperado.

Essa percepção tem impacto direto sobre o dólar globalmente. Quando os juros nos EUA caem, os investidores costumam migrar seus recursos para mercados emergentes em busca de rendimentos mais atrativos, o que provoca entrada de capital estrangeiro no Brasil e contribui para a valorização do real.

Comunicado do Fed será decisivo

Ainda que o movimento de valorização do real esteja em curso, o comunicado oficial do Federal Reserve nos próximos dias será determinante para confirmar ou não a atual trajetória. Caso a autoridade monetária norte-americana sinalize um ciclo mais prolongado e agressivo de cortes, é provável que o dólar continue em trajetória de baixa frente às moedas emergentes.

Por outro lado, qualquer tom mais cauteloso ou resistente do Fed em relação ao início do ciclo de afrouxamento monetário pode frear a valorização do real e até provocar realizações de lucros no mercado cambial.

A visão de Tony Volpon: real ainda está subvalorizado

“Real segue sendo moeda barata”

O economista Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central do Brasil e atualmente estrategista de mercados, foi um dos primeiros a destacar que o movimento atual de valorização do real não pode ser visto apenas como uma reação externa. Em entrevista recente, Volpon afirmou que fatores domésticos estão pesando positivamente, ainda que o pano de fundo internacional tenha impulsionado o movimento.

Segundo ele, modelos econométricos e fundamentos de mercado indicam que o valor justo para o real estaria mais próximo de R$ 5,00, mesmo com os conhecidos problemas fiscais enfrentados pelo governo brasileiro. Para Volpon, o real ainda é uma moeda subvalorizada, o que abre espaço para novas rodadas de apreciação frente ao dólar.

“A atual cotação em R$ 5,35 ainda está acima do que muitos modelos indicam como valor justo. Mesmo com os riscos fiscais, há espaço para queda adicional da moeda norte-americana”, afirmou o economista.

Valorização pode ajudar no combate à inflação

Volpon também avalia que o Banco Central brasileiro enxerga com bons olhos essa valorização do real, uma vez que a apreciação cambial ajuda a conter pressões inflacionárias ao reduzir o custo de importação de bens e insumos.

Nesse sentido, não há expectativa de que a autoridade monetária atue para conter a valorização, ao menos enquanto a inflação seguir como preocupação central na condução da política de juros no Brasil.

Fatores internos também explicam fortalecimento do real

Bolsonaro
Imagem: Alf Ribeiro / shutterstock.com

Estabilidade institucional após condenação de Bolsonaro

Curiosamente, a ausência de reações significativas do governo dos Estados Unidos ou de aliados internacionais após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) também contribuiu para a percepção de estabilidade institucional no Brasil.

O mercado financeiro avalia que a condenação não gerou rupturas políticas ou instabilidades de governança, reforçando a confiança de investidores estrangeiros no ambiente regulatório e institucional do país.

Essa resiliência democrática brasileira é vista como um trunfo que fortalece a atratividade do país para o capital internacional, em um momento no qual outros emergentes enfrentam crises políticas internas.

Cenário fiscal ainda inspira cautela

Apesar do otimismo com a valorização do real, os riscos fiscais permanecem no radar. O governo federal ainda busca formas de cumprir a meta de déficit primário zero, e o aumento de gastos com benefícios sociais e obras públicas em ano pré-eleitoral tem sido alvo de atenção do mercado.

Contudo, segundo analistas, esses riscos já estão parcialmente precificados e, por enquanto, não têm impedido o movimento de entrada de capital para o Brasil, especialmente diante do diferencial de juros atrativo.

Perspectivas para o câmbio nas próximas semanas

Real pode continuar em trajetória de valorização

Se o Federal Reserve confirmar um ciclo de corte de juros e o cenário político brasileiro permanecer estável, a valorização do real tende a continuar nas próximas semanas.

A combinação de fatores como:

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  • entrada de fluxo estrangeiro
  • redução da aversão ao risco
  • inflação sob controle
  • dólar fraco no mercado internacional

cria um ambiente propício para que o dólar continue sua trajetória de queda frente ao real.

Alguns analistas já projetam que a moeda norte-americana poderia testar a região de R$ 5,20 ou até abaixo disso, caso os dados macroeconômicos e as decisões das autoridades monetárias dos EUA e do Brasil caminhem na mesma direção.

Incertezas ainda existem

No entanto, algumas incertezas permanecem no horizonte e podem limitar a velocidade ou a continuidade da valorização do real:

  • Evolução da política monetária nos EUA (especialmente se o Fed recuar no discurso de corte de juros)
  • Volatilidade nos preços de commodities
  • Tensões geopolíticas globais
  • Incertezas eleitorais em países vizinhos

Impactos no mercado financeiro e na economia real

Apostas
Imagem: jcomp – freepik

Efeitos nos investimentos

A queda do dólar tem impactos diretos sobre o mercado financeiro brasileiro, principalmente em setores como:

  • Empresas com dívida em dólar, que se beneficiam da queda cambial
  • Exportadoras, que podem sofrer com a valorização do real
  • Fundos cambiais, que tendem a apresentar desempenho negativo

Investidores que apostaram na valorização do real vêm colhendo bons retornos em operações com derivativos cambiais e ativos atrelados à moeda brasileira.

Reflexos para o consumidor

Para o consumidor final, a valorização do real tende a refletir em preços menores de produtos importados, como:

  • Eletrônicos
  • Veículos
  • Passagens aéreas internacionais
  • Combustíveis e fertilizantes

Além disso, a queda do dólar contribui para aliviar pressões sobre os preços em geral, reforçando o controle inflacionário e ampliando o espaço para cortes de juros no Brasil nos próximos meses.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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