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Tensões com os EUA fazem dólar chegar a R$ 5,58, veja

Dólar sobe 0,65% e fecha a R$ 5,584 com tensão global e incerteza sobre IOF; Ibovespa cai 0,65% e encerra em 135.299 pontos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
dolar

O dólar comercial fechou a segunda-feira (14) em alta de 0,65%, vendido a R$ 5,584, no maior valor desde 5 de junho de 2025. A cotação chegou a operar próxima da estabilidade durante a manhã, mas ganhou força após a abertura dos mercados norte-americanos, acompanhando o movimento global de aversão ao risco.

Ao longo da tarde, a moeda norte-americana alcançou a máxima de R$ 5,59 por volta das 16h45, refletindo um dia de fortes turbulências nos mercados internacionais, impulsionado por novas ameaças tarifárias de Donald Trump e pelo clima de incerteza jurídica no Brasil, envolvendo a validade do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

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Imagem: jcomp – freepik

Desempenho do dólar em 2025

Apesar da alta desta segunda-feira, o dólar ainda acumula queda de 9,67% no ano, refletindo um primeiro semestre de maior fluxo de entrada de capital estrangeiro. No entanto, em julho, a divisa já avançou 2,76%, sinalizando uma mudança de tendência em meio à crescente tensão no cenário internacional.

Tendência de valorização no mês

A valorização recente do dólar está relacionada a três fatores principais:

  • Escalada de tensões comerciais lideradas por Trump;
  • Especulações sobre o futuro da política monetária dos EUA;
  • Incertezas fiscais e institucionais no Brasil.

Bolsa de valores recua com cenário externo e STF no radar

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira (B3), recuou 0,65% e fechou aos 135.299 pontos, no menor patamar desde 9 de junho. A queda foi influenciada tanto pelo câmbio desfavorável quanto pelo clima de cautela dos investidores com a audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para esta terça-feira (15), sobre a legalidade do decreto que elevou as alíquotas do IOF.

Pressão sobre os ativos domésticos

O mercado reagiu com apreensão à proximidade do julgamento, que pode impactar a arrecadação do governo e gerar efeitos retroativos nos contratos financeiros. Investidores veem risco de judicialização em massa, o que acende um alerta para o setor bancário e para empresas com grandes volumes de operações de crédito estruturado.

Trump eleva pressão com nova rodada de tarifas

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Imagem: Freepik

O maior fator de instabilidade global, no entanto, veio de Washington. O presidente norte-americano Donald Trump anunciou no fim de semana novas tarifas comerciais, que atingem:

  • Produtos da União Europeia, com tarifas subindo para 30%;
  • Exportações mexicanas, também impactadas com aumento de tarifas a partir de 1º de agosto.

Na manhã desta segunda, Trump foi além e declarou que pretende aplicar tarifa de 50% sobre produtos russos, caso o país não interrompa os ataques à Ucrânia nos próximos 50 dias.

Reação dos mercados internacionais

As declarações provocaram forte valorização do dólar frente às principais moedas globais, com destaque para:

  • Euro: queda de 0,7%;
  • Libra esterlina: recuo de 0,5%;
  • Iene: desvalorização de 0,6%.

A busca por segurança também pressionou os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries), considerados porto seguro em momentos de crise, e derrubou bolsas na Europa e em Wall Street.

Câmbio e cenário doméstico: STF e IOF em foco

Audiência de conciliação no STF

No Brasil, os holofotes estão voltados para o STF, onde o ministro Alexandre de Moraes conduz, nesta terça (15), uma audiência de conciliação entre Executivo e Legislativo. O objetivo é buscar consenso sobre a constitucionalidade do decreto presidencial que elevou as alíquotas do IOF sobre operações como o risco sacado.

A medida do governo federal, que geraria arrecadação estimada em R$ 12 bilhões, foi suspensa pelo Congresso por meio de um decreto legislativo. Agora, caberá ao STF decidir se o Executivo pode alterar o fato gerador de tributo via decreto, tema que pode ter impacto bilionário no setor financeiro e nas contas públicas.

Reação do mercado

Investidores temem que, qualquer que seja a decisão, haverá judicialização por parte das empresas afetadas, como antecipado por escritórios de advocacia e tributaristas. Isso adiciona risco jurídico e fiscal ao cenário nacional, em um momento de pressão sobre o equilíbrio orçamentário e desaceleração da economia.

Setores mais impactados na bolsa

Entre as empresas listadas no Ibovespa, os setores mais afetados foram:

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Setor de varejo

  • A possibilidade de reversão da taxa das blusinhas, que isentaria compras internacionais de até US$ 50, impactou negativamente ações de varejistas como:
    • Lojas Renner: queda de 2,1%;
    • Riachuelo (Guararapes): recuo de 1,8%;
    • Magazine Luiza: baixa de 2,4%.

Bancos e serviços financeiros

  • O risco de retroatividade na cobrança do IOF fez os investidores reverem as perspectivas para instituições financeiras, especialmente as que oferecem crédito estruturado.

Exportadoras

  • Apesar do câmbio mais favorável para exportações, as ameaças tarifárias de Trump contra o México e a UE geraram temor de desaceleração no comércio global.
    • Vale: queda de 1,1%;
    • JBS: -1,4%;
    • Embraer: -2,0%.

Expectativas para os próximos dias

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Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Agenda econômica

Nos próximos dias, o mercado estará atento aos seguintes eventos:

  • Decisão do STF sobre IOF – pode provocar reprecificação de ativos, principalmente no setor bancário;
  • Discurso de Donald Trump previsto para quarta-feira (16) – investidores buscam sinais sobre novas ações contra a China ou outras economias emergentes;
  • Divulgação do IBC-Br (prévia do PIB) de maio – a ser divulgada pelo Banco Central na quinta-feira (17), com expectativa de desaceleração;
  • Fluxo cambial semanal – que pode confirmar se há saída de capital estrangeiro diante da instabilidade.

Tendência do dólar

Com o aumento da aversão ao risco global e a indefinição política interna, o dólar pode continuar pressionado, podendo romper os R$ 5,60 caso o cenário se deteriore.

Especialistas apontam que a moeda brasileira seguirá sensível a:

  • Declarações de Trump e tensões geopolíticas;
  • Andamento das decisões no STF e no Congresso;
  • Dados econômicos domésticos fracos ou revisões de metas fiscais.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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