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Dólar recua 0,11% e Ibovespa sobe 0,44% após sinal de diálogo entre EUA e Irã

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
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O mercado financeiro brasileiro encerrou a terça-feira (22) com movimentos moderados, mas uma mudança importante no exterior ajudou a alterar o rumo dos negócios ao longo do pregão. O dólar caiu 0,11% frente ao real e terminou cotado a R$ 5,10, enquanto o Ibovespa avançou 0,44%, aos 187.422,92 pontos.

A sessão foi influenciada por três fatores principais: as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis conversas com o Irã; a queda do petróleo em meio à perspectiva de normalização das rotas de transporte no Oriente Médio; e a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central.

A combinação desses acontecimentos alterou o comportamento dos ativos durante a tarde e ajudou a Bolsa brasileira a recuperar as perdas registradas no início do dia.

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O que aconteceu com o dólar e a Bolsa?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O dólar à vista terminou o pregão em R$ 5,103, com queda de 0,11%. Durante o dia, a moeda oscilou entre R$ 5,097 e R$ 5,136, mostrando que, apesar da estabilidade no fechamento, houve alguma volatilidade ao longo da sessão.

Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, chegou a cair durante a manhã, mas mudou de direção posteriormente. O indicador atingiu mínima de 184.976,81 pontos e máxima de 187.671,74 antes de encerrar aos 187.422,92 pontos.

A virada esteve relacionada principalmente à melhora do ambiente externo após novas declarações de Trump sobre o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.

Por que as falas de Trump mexeram com os mercados?

Trump afirmou que autoridades americanas haviam se reunido com uma delegação iraniana durante cerca de três horas à margem da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

Segundo o presidente americano, o encontro foi “muito produtivo”. As declarações aumentaram as expectativas de que uma negociação pudesse reduzir as tensões na região.

Para os mercados, uma eventual redução do conflito pode significar menor risco de interrupções no fornecimento de petróleo. Essa possibilidade tende a diminuir a pressão sobre os preços da commodity e, consequentemente, sobre as expectativas de inflação em diferentes países.

A reação, entretanto, não foi linear. O próprio Trump também fez declarações mais duras sobre o Irã durante o dia, mantendo a incerteza sobre os próximos passos das negociações.

Petróleo recuou pelo quinto pregão consecutivo

O petróleo voltou a cair na terça-feira, em meio aos sinais de possível redução das tensões no Oriente Médio e às notícias sobre alternativas para o transporte da commodity.

O contrato do Brent para novembro recuou 1,09%, para US$ 99,25 por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência no mercado americano, caiu 1,24%, para US$ 94,59.

A perspectiva de normalização do fluxo de petróleo pelo Oriente Médio teve papel relevante nesse movimento.

O que é o Estreito de Ormuz?

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. A região é fundamental para o comércio internacional de energia porque uma parcela significativa do petróleo transportado por via marítima passa por ali.

Durante o pregão, autoridades iranianas sinalizaram que o estreito poderia ser reaberto em até sete dias caso houvesse redução da pressão militar americana e suspensão do bloqueio aos portos iranianos.

Também surgiram informações sobre a retomada parcial das operações do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, uma rota alternativa para o transporte de petróleo.

Esses fatores contribuíram para reduzir o prêmio de risco incorporado às cotações da commodity.

Ata do Copom também influenciou os investidores

No cenário doméstico, os investidores analisaram a ata da reunião do Copom realizada em 15 e 16 de setembro.

Na ocasião, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, para 13,75% ao ano. O documento divulgado em 22 de setembro reforçou que a atividade econômica brasileira apresenta sinais de moderação e que a política monetária restritiva já produz efeitos sobre a economia e o crédito.

O Copom, porém, manteve uma postura cautelosa. Segundo a ata, as expectativas de inflação para 2026 e 2027 continuam acima da meta, enquanto os riscos para a inflação permanecem elevados e com assimetria para cima.

Isso ajuda a explicar por que o mercado não interpretou o documento simplesmente como uma indicação de cortes rápidos e sucessivos dos juros.

O que a ata do Banco Central sinalizou?

O Banco Central afirmou que a atividade econômica vem desacelerando gradualmente, especialmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico.

O documento também apontou desaceleração recente da inflação, mas observou que as expectativas para os próximos anos permanecem acima da meta. Por isso, o Copom indicou que os próximos passos da política monetária dependerão da evolução dos dados econômicos.

Outro ponto citado pelo Banco Central foi a situação fiscal. Segundo a ata, dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública e a condução das políticas econômicas podem afetar o prêmio de risco e, consequentemente, as condições financeiras do país.

Selic pode continuar caindo?

A ata não estabeleceu uma trajetória automática para a Selic. O Copom afirmou que continuará avaliando as informações disponíveis para calibrar o grau de restrição monetária necessário para levar a inflação em direção à meta.

Isso significa que novos cortes não estão garantidos apenas porque a taxa foi reduzida para 13,75%. Inflação, atividade econômica, expectativas, cenário fiscal e condições internacionais continuarão sendo considerados nas próximas decisões.

Como o petróleo interfere na economia brasileira?

O preço do petróleo tem influência direta e indireta sobre a economia.

Quando a commodity sobe de forma persistente, aumenta a pressão sobre custos de combustíveis e transporte. Esse movimento pode chegar a outros produtos e serviços, dificultando o processo de controle da inflação.

Quando o petróleo recua, parte dessa pressão pode diminuir. A queda também pode beneficiar países importadores da commodity e melhorar o ambiente de risco internacional.

No Brasil, o efeito é particularmente relevante porque o país possui uma grande indústria de petróleo e empresas produtoras expostas às oscilações internacionais dos preços.

Por que o Ibovespa subiu mesmo com tantas incertezas?

A alta do Ibovespa não significa que todos os riscos desapareceram. O movimento refletiu principalmente uma melhora relativa do ambiente externo durante a segunda metade do pregão.

Além das notícias envolvendo Estados Unidos e Irã, algumas empresas de grande peso no índice contribuíram para o resultado. As ações preferenciais da Petrobras subiram 0,73%, enquanto as ordinárias avançaram 0,61%. A Vale também terminou o dia em alta de 0,39%.

O desempenho das empresas, contudo, foi desigual. Banco do Brasil caiu 1,39%, enquanto Santander recuou 0,60%.

E o cenário internacional?

Nos Estados Unidos, o desempenho das bolsas também foi misto.

O Nasdaq subiu 0,45% e renovou seu recorde de fechamento, enquanto o Dow Jones caiu 0,36%. O S&P 500 terminou praticamente estável, aos 7.764,64 pontos.

O comportamento dos mercados americanos também refletiu a combinação entre as notícias geopolíticas, a queda do petróleo e o desempenho das empresas de tecnologia.

O que pode movimentar os mercados nos próximos dias?

A evolução das negociações entre Estados Unidos e Irã deve continuar entre os principais fatores acompanhados pelos investidores, especialmente por seus possíveis efeitos sobre o petróleo e as expectativas de inflação.

No Brasil, a atenção permanece voltada para os próximos indicadores de atividade e inflação, além das sinalizações do Banco Central sobre a condução da Selic.

O mercado também deve continuar acompanhando as condições fiscais brasileiras e o ambiente externo, já que mudanças nos juros internacionais, nas commodities e no nível de risco global podem afetar tanto o câmbio quanto os ativos brasileiros.

O que o fechamento de 22 de setembro significa para o investidor?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O pregão mostrou que os mercados continuam bastante sensíveis às notícias relacionadas ao Oriente Médio. Uma mudança nas expectativas sobre o conflito foi suficiente para alterar a trajetória do petróleo e provocar uma reação nos ativos de risco.

No Brasil, a ata do Copom acrescentou uma segunda camada de incerteza: embora a atividade e alguns indicadores de inflação estejam desacelerando, as expectativas inflacionárias ainda exigem cautela do Banco Central.

Assim, o fechamento do dólar próximo de R$ 5,10 e a alta do Ibovespa refletem o resultado de um único pregão e não, isoladamente, uma mudança definitiva na tendência dos mercados.

Conclusão

O pregão desta terça-feira mostrou como os mercados continuam reagindo rapidamente às notícias sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã. A possibilidade de avanços diplomáticos ajudou a reduzir o preço do petróleo e trouxe algum alívio aos ativos de risco, enquanto o dólar terminou praticamente estável diante do real.

No Brasil, a ata do Copom manteve os investidores atentos à trajetória da Selic e aos sinais de desaceleração da economia. Para os próximos pregões, petróleo, cenário geopolítico, inflação e novas sinalizações do Banco Central devem continuar entre os principais fatores capazes de influenciar o câmbio e a Bolsa.

Por isso, o movimento registrado em 22 de setembro deve ser interpretado dentro de um cenário ainda marcado por incertezas. Novas informações sobre o Oriente Médio e sobre a economia brasileira podem alterar rapidamente as expectativas dos investidores.

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