Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Dólar avança com pressão externa enquanto mercado aguarda nova pesquisa eleitoral

Avatar de Bruna Cassana Machado Bruna Cassana Machado · · 7 min de leitura
dolar

Uma alta de poucos centavos no dólar pode parecer pequena, mas costuma trazer uma dúvida para quem pretende viajar, comprar um produto importado ou acompanhar os preços no Brasil: por que a moeda mudou de direção?

Na quinta-feira, 24 de setembro de 2026, o dólar comercial fechou a R$ 5,1931, alta de 0,47% diante do real. A cotação havia subido durante a manhã e chegou a R$ 5,2020 na máxima do dia. Esses valores são um retrato daquela sessão de negociação, não uma cotação atualizada em tempo real.

O movimento acompanhou o fortalecimento do dólar no exterior. No Brasil, investidores também avaliaram novas projeções do Banco Central para a economia e acompanharam as expectativas para os juros e as eleições. Nenhum desses fatores, isoladamente, explica cada centavo da cotação, mas juntos ajudam a entender por que o real perdeu valor naquele dia.

Leia mais:

Brasil fica em 13º no ranking de crescimento das maiores economias do mundo em 2026

Por que o dólar subiu em 24 de setembro?

dolar euro 023
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O principal impulso veio de fora do Brasil. O dólar ganhou força diante de outras moedas enquanto investidores reavaliavam a possibilidade de novas altas dos juros nos Estados Unidos. Na quinta-feira, o real não foi a única moeda de país emergente a se desvalorizar.

Quando os títulos do governo americano passam a oferecer rendimentos mais atraentes, aplicações em dólar podem ganhar espaço nas decisões dos investidores. Isso pode aumentar a procura pela moeda americana e pressionar moedas como o real. É uma tendência possível, não uma regra automática: o câmbio também reage ao crescimento econômico, à inflação, ao comércio exterior e à percepção de risco.

A Reuters registrou que a alta do dólar se intensificou durante a manhã, em meio ao avanço dos rendimentos dos títulos americanos e às preocupações com a inflação nos Estados Unidos. O movimento externo deu o tom da sessão brasileira.

O que o relatório do Banco Central tem a ver com o câmbio?

Na mesma quinta-feira, o Banco Central divulgou seu Relatório de Política Monetária, documento em que apresenta avaliações sobre a economia e a inflação. O BC reduziu de 2% para 1,8% sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e estimou expansão de 1,4% em 2027. PIB é a soma dos bens e serviços produzidos no país.

Uma economia crescendo mais devagar pode abrir espaço para novos cortes na Selic, a taxa básica de juros brasileira, caso as condições de inflação permitam. Em setembro, ela estava em 13,75% ao ano. O Banco Central, porém, não prometeu um corte por causa da projeção do PIB: as decisões sobre juros dependem de um conjunto de dados e das expectativas para a inflação.

Por que os juros do Brasil e dos EUA entram nessa conta?

Investidores comparam o retorno possível em diferentes países. Se os juros brasileiros caem enquanto os americanos sobem, a diferença entre eles diminui. Isso pode reduzir parte do incentivo para manter recursos aplicados em ativos denominados em reais.

Essa comparação, chamada diferencial de juros, é apenas uma peça da decisão. Mesmo com juros elevados no Brasil, o dólar pode subir se crescer a demanda internacional pela moeda americana ou se os investidores perceberem mais incerteza no mercado.

A pesquisa eleitoral fez o dólar subir?

Na manhã de 24 de setembro, investidores aguardavam uma nova pesquisa eleitoral, prevista para aquela noite. Notícias e pesquisas podem influenciar o câmbio quando alteram as expectativas do mercado sobre a economia e as contas públicas.

Mas é preciso respeitar a sequência dos fatos: uma pesquisa ainda não divulgada não pode ser tratada como causa comprovada da alta observada naquela manhã. Na sessão, a valorização do dólar também ocorreu no exterior. A leitura mais cuidadosa é que o cenário eleitoral estava no radar dos investidores, enquanto o movimento internacional teve influência visível sobre várias moedas.

O Banco Central vendeu dólares. Por que a moeda continuou subindo?

O Banco Central realizou naquela quinta-feira dois leilões de linha, que somaram US$ 1 bilhão, segundo a Reuters. Nessa operação, o BC vende dólares ao mercado com o compromisso de recomprá-los em uma data futura. É uma forma de oferecer moeda e liquidez — isto é, recursos disponíveis para negociação — em determinados momentos.

O leilão não fixa o preço do dólar. A cotação continua sendo formada pelas operações de compra e venda no mercado. Por isso, a moeda pode subir mesmo após uma oferta de dólares pelo BC, sobretudo quando outros fatores aumentam a procura por ela.

É diferente de imaginar que o governo escolheu uma cotação e tentou mantê-la naquele valor. No Brasil, o câmbio varia ao longo do pregão, e intervenções do Banco Central não são garantia de queda da moeda americana.

O que a alta significa para quem não investe em dólar?

O efeito depende do tamanho e da duração do movimento. Um único dia de alta não significa que todos os preços subirão imediatamente. Se o dólar permanecer mais caro, porém, produtos e serviços com custos em moeda estrangeira podem sentir a pressão.

Isso interessa, por exemplo, a quem vai comprar passagens internacionais, pagar uma assinatura cobrada em dólar ou adquirir eletrônicos importados. Empresas que compram matérias-primas e componentes do exterior também podem enfrentar custos maiores, embora o repasse ao consumidor dependa de outros fatores.

Para uma viagem, há outro cuidado: os R$ 5,1931 do fechamento comercial não são necessariamente o preço que uma pessoa pagaria para comprar dólares. Bancos e casas de câmbio acrescentam custos próprios à operação, e diferentes meios de pagamento têm regras e encargos distintos. O valor prático é aquele informado no momento da compra ou conversão.

O que acompanhar agora?

Para entender se a alta de quinta-feira foi passageira ou parte de um movimento mais longo, vale observar as próximas cotações e os fatos que mexem com o mercado: decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, dados de inflação, atividade econômica e entrada ou saída de recursos do país.

Quem tem uma despesa em dólar com data marcada deve comparar o custo final da operação, e não tomar uma cotação antiga como preço garantido. O fechamento de 24 de setembro explica o que aconteceu naquele dia; a decisão de comprar moeda exige consultar o valor disponível quando a operação for feita.

Perguntas frequentes

dolar euro 025
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Quanto fechou o dólar em 24 de setembro de 2026?

O dólar comercial à vista encerrou a quinta-feira, 24 de setembro, a R$ 5,1931, com alta de 0,47% diante do real.

Por que o dólar subiu mesmo após o leilão do Banco Central?

Porque o leilão oferece dólares ao mercado, mas não determina a cotação. A procura pela moeda e outros fatores, como os juros americanos, continuaram influenciando os preços.

Selic menor sempre faz o dólar subir?

Não. Juros mais baixos podem reduzir a atratividade de algumas aplicações em reais, mas o câmbio responde também ao cenário externo, à inflação, ao crescimento e aos fluxos de dinheiro entre países.

Dólar comercial e dólar turismo têm o mesmo preço?

Não. A cotação comercial é uma referência do mercado de câmbio. O preço oferecido ao consumidor para viagem ou compra de moeda inclui custos da instituição e pode ser maior.

A alta de um dia já encarece os produtos importados?

Não necessariamente. O impacto nos preços depende de quanto tempo o dólar permanece elevado, dos custos das empresas e de suas decisões de repasse.

Compartilhar