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Dólar sob influência de feriado e incertezas tarifárias: como isso afeta o mercado

Dólar encerra semana a R$ 5,8698 com alta volatilidade por tarifas de Trump, guerra comercial e expectativa de juros na Europa e falas do Fed.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
dolar

O dólar à vista encerrou a última semana cotado a R$ 5,8698 para venda, segundo informações divulgadas pelos operadores da corretora Getmoney. A valorização da moeda norte-americana reflete um ambiente externo marcado por volatilidade, incertezas comerciais e disputas tarifárias envolvendo os Estados Unidos e a China. O cenário ainda é agravado pela postura cautelosa do Federal Reserve (Fed) e pela expectativa de decisões importantes sobre juros na zona do euro.

A semana atual promete continuar agitada, com feriado em vários países ocidentais na sexta-feira e uma série de discursos de dirigentes do Fed, além da divulgação de indicadores econômicos relevantes tanto nos EUA quanto na China. O mercado cambial permanece sob forte influência do cenário internacional, com investidores atentos a cada sinal de mudança nas políticas econômicas das maiores potências do mundo.

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Imagem: wirestock – Freepik

Entenda o que está pressionando o câmbio

A recente escalada do dólar tem múltiplas causas. Além do impacto sazonal dos feriados e da menor liquidez, o conflito tarifário entre Estados Unidos e China voltou ao centro das atenções dos mercados globais. Apesar da pausa de 90 dias na imposição de novas tarifas recíprocas, as medidas já implementadas continuam a pesar.

Tarifa global de 10% ainda em vigor

A administração norte-americana manteve uma tarifa de 10% sobre todos os produtos importados, medida que afeta exportadores de diversos países. Isso inclui aliados comerciais históricos dos EUA, como União Europeia e Japão, além de emergentes como Brasil e Índia.

A decisão de excluir smartphones e outros eletrônicos chineses das sobretaxas aliviou parcialmente o ambiente, mas não impediu o aumento da percepção de risco. As tarifas de 20% aplicadas às importações da China continuam em vigor, assim como a estrutura tarifária mais ampla que foi implementada desde o início da chamada “guerra comercial”.

Trump recua em tarifa de 125% sobre eletrônicos

Na sexta-feira, após o encerramento do pregão, o governo dos Estados Unidos revogou a tarifa de 125% sobre alguns eletrônicos chineses, o que foi interpretado como um gesto estratégico em meio à disputa com Pequim. O alívio, no entanto, foi parcial e não impediu a deterioração das expectativas econômicas globais.

A posição do Fed e os impactos sobre o dólar

Além do conflito comercial, o mercado financeiro global acompanha com atenção os sinais emitidos pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA. Em meio a um dilema entre combater a inflação persistente e evitar uma recessão, autoridades da instituição indicaram que estão prontas para agir contra distorções no sistema financeiro.

Discurso de membros do Fed nesta semana

Estão programados para esta semana vários discursos de dirigentes do Fed, incluindo:

  • Christopher Waller (14h, horário de Brasília)
  • Patrick Harker, membro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) (19h)

Essas falas podem dar pistas sobre o rumo da política monetária norte-americana, o que impacta diretamente o comportamento do dólar frente a moedas emergentes, como o real.

Inflação ou crescimento: qual será a prioridade?

A grande dúvida dos analistas é se o Fed irá priorizar o controle da inflação, com novas altas nos juros, ou se adotará uma postura mais branda, diante dos sinais de desaceleração econômica. Uma política monetária mais agressiva tende a fortalecer o dólar globalmente, enquanto a cautela favorece moedas de países em desenvolvimento.

Decisão de juros na Europa pode agitar os mercados

Banco Central
Imagem: yukiqwa / Shutterstock.com

Outro fator de atenção para os próximos dias é a primeira decisão de juros na zona do euro após o agravamento das tensões comerciais. O Banco Central Europeu (BCE) enfrenta o mesmo dilema que o Fed: conter uma inflação elevada sem sufocar o crescimento.

A depender do tom adotado pelo BCE, o mercado pode reagir com novas oscilações, afetando não apenas o euro, mas também moedas emergentes como o real, o peso mexicano e o rand sul-africano.

Indicadores econômicos da semana

Além das decisões políticas, dados econômicos programados para esta semana também devem influenciar o mercado:

No Brasil:

  • Boletim Focus (08h25): traz as projeções de mercado para inflação, PIB, taxa Selic e dólar
  • Reações do mercado interno à cotação do dólar e política monetária do Banco Central

Nos Estados Unidos:

  • Expectativa de inflação do consumidor de abril (12h)
  • Discurso de membros do Fed ao longo do dia

Na China:

  • Balança comercial de março (13h48): resultado importante para entender o ritmo da atividade econômica da segunda maior economia do mundo

Esses dados servirão de termômetro para os investidores e devem trazer volatilidade adicional ao câmbio e aos ativos negociados nas bolsas.

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Expectativa para os próximos dias

Com tantos elementos no radar, a tendência é que o mercado de câmbio continue volátil. A cotação do dólar poderá:

  • Romper a barreira dos R$ 5,90 em caso de notícias negativas vindas do exterior
  • Recuar pontualmente, caso os discursos do Fed e os dados econômicos surpreendam positivamente

O que pode favorecer o real?

  • Redução do risco global
  • Sinais de desaceleração da inflação nos EUA
  • Retomada do apetite por risco entre investidores internacionais
  • Estabilidade política e fiscal no Brasil

O que pode pressionar ainda mais o dólar?

  • Retomada da escalada tarifária entre EUA e China
  • Discurso mais agressivo do Fed indicando alta de juros
  • Deterioração das contas públicas brasileiras
  • Queda nas exportações brasileiras, afetando a entrada de dólares

Dólar alto: impactos na economia real

iPhone 16
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

A cotação do dólar não afeta apenas os mercados financeiros, mas também tem reflexos diretos no cotidiano dos brasileiros:

Produtos importados

  • Eletrônicos, combustíveis e componentes industriais ficam mais caros
  • Isso pressiona a inflação, especialmente nos setores de alimentos e energia

Turismo internacional

  • Viagens ao exterior ficam mais custosas
  • Dólar alto reduz o poder de compra de brasileiros fora do país

Exportações

  • Empresas exportadoras podem se beneficiar da cotação elevada
  • Isso melhora a balança comercial, mas não neutraliza os efeitos negativos sobre o consumo interno

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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