O dólar fechou em baixa frente ao real nesta quinta-feira (11), após abrir em alta, com investidores reagindo à divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos acima do esperado. Apesar do aumento, os dados não devem impedir o corte de juros esperado do Federal Reserve (Fed) na próxima semana, em um cenário de fraqueza do mercado de trabalho americano.
Dólar recua para R$ 5,39 com dados econômicos reforçando corte de juros nos EUA
Dólar fecha em baixa frente ao real após CPI acima do esperado nos EUA. Mercado reage e expectativas de corte de juros pelo Fed permanecem.
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Qual a cotação do dólar hoje?

O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 0,30%, cotado a R$5,3911 — abaixo de R$5,40 pela primeira vez desde 15 de agosto, quando fechou em R$5,3994, e na menor cotação desde 12 de agosto, quando atingiu R$5,3864. No acumulado do ano, a moeda norte-americana registra queda de 12,75%.
Dólar na B3
Às 17h04, o dólar para outubro, atualmente o contrato mais líquido no Brasil, cedia 0,24%, sendo negociado a R$5,4160.
Dólar comercial e turismo
- Dólar comercial: compra R$5,391 | venda R$5,392
- Dólar turismo: compra R$5,419 | venda R$5,599
O que aconteceu com o dólar hoje?
A moeda norte-americana iniciou o pregão em alta, mas a divulgação de novos dados econômicos dos EUA conduziu à queda das cotações.
O Departamento do Trabalho dos EUA informou que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu 0,4% em agosto, após crescimento de 0,2% em julho. No acumulado de 12 meses até agosto, o índice avançou 2,9%, maior alta desde janeiro, quando havia subido 2,7% em julho. Economistas consultados previam aumento de 0,3% no mês e 2,9% no ano.
Paralelamente, os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA somaram 263 mil na semana passada, acima da expectativa de 235 mil, indicando um enfraquecimento no mercado de trabalho.
Impacto no mercado e no dólar

Após a divulgação dos números, o dólar perdeu força frente às demais moedas, incluindo o real, e os rendimentos dos Treasuries despencaram. Profissionais de mercado destacaram que, mais do que o CPI — que veio acima do esperado —, a alta nos pedidos de auxílio-desemprego reforçou a percepção de enfraquecimento da economia americana e a expectativa de corte iminente de juros pelo Fed.
Fernando Bergallo, diretor da FB Capital, comentou:
“Parece que o mercado está, há algum tempo já, realizando que os juros nos EUA não vão se sustentar nesse patamar por muito tempo. O gatilho hoje foi a divulgação dos pedidos de auxílio-desemprego.”
Ele ainda acrescentou:
“A deterioração do dólar hoje é global: o DXY (índice do dólar) está caindo, e a moeda norte-americana também cai em relação às emergentes.”
Oscilações do dólar ao longo do dia
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O dólar à vista atingiu a maior cotação do pregão, de R$5,4247 (+0,33%), às 9h23 — pouco antes da divulgação do CPI e dos pedidos de auxílio-desemprego — e, em seguida, caiu para a mínima de R$5,3745 (-1,22%) às 12h35. Durante a tarde, a moeda recuperou parte das perdas, mas permaneceu no território negativo.
Fatores externos influenciando o mercado
Investidores também monitoraram a continuidade do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Com o voto da ministra Cármen Lúcia, a Primeira Turma do STF formou maioria para condenar Bolsonaro por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. O ministro Cristiano Zanin votou pela condenação, elevando o placar para 4 a 1.
O mercado já esperava a condenação e acompanha possíveis reações de líderes internacionais. No passado, em julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, aplicou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, citando como um dos motivos o julgamento de Bolsonaro, seu aliado.
Às 17h13, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, caiu 0,27%, sendo cotado a 97,523.
Expectativas para o Federal Reserve

Apesar do CPI acima do esperado, o cenário de fragilidade no mercado de trabalho reforça a expectativa de corte de juros pelo Fed. Economistas consideram que a política monetária americana não deve se manter nos níveis atuais por muito tempo, o que tende a pressionar o dólar para baixo frente a moedas de países emergentes, incluindo o real.
Conclusão
O pregão desta quinta-feira (11) mostrou que o dólar permanece sensível a dados econômicos dos Estados Unidos e fatores políticos internacionais. A combinação do CPI acima do esperado com o aumento dos pedidos de auxílio-desemprego contribuiu para a desvalorização da moeda frente ao real, enquanto o mercado se prepara para possíveis cortes de juros pelo Federal Reserve. Investidores seguem atentos a julgamentos políticos e a medidas comerciais de países como os EUA, que podem impactar diretamente as cotações no curto prazo.
