O mercado financeiro nesta quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025, acompanha atentamente a movimentação do dólar frente ao real. Após o fechamento do dia anterior com a menor cotação do ano, o dólar mantém-se estável, com o Banco Central promovendo um leilão de venda de moeda com compromisso de recompra.
Dólar flutua com tarifas de Trump e expectativa sobre ata do Fed
O dólar opera com estabilidade em meio a novas tarifas de Trump e a expectativa pela divulgação da ata do Fed. Investidores monitoram impactos.
Nesse cenário, a atenção dos investidores se volta, principalmente, para as novas tarifas comerciais de Donald Trump e para a expectativa em relação à ata da reunião de janeiro do Federal Reserve (Fed).
Cotação do Dólar

Na manhã de hoje, por volta das 11h56, a cotação do dólar à vista registrava uma leve alta de 0,04%, sendo negociado a R$ 5,690 na compra e R$ 5,691 na venda. Por outro lado, o dólar futuro, com vencimento em março, mostrava um movimento de queda de 0,04%, atingindo 5.697 pontos.
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O fechamento de ontem, 18 de fevereiro, apresentou um dólar à vista em queda de 0,42%, com o valor de R$ 5,6887, o menor nível desde 7 de novembro de 2024.
Cotação do Dólar Comercial
- Compra: R$ 5,690
- Venda: R$ 5,691
Cotação do Dólar Turismo
- Compra: R$ 5,743
- Venda: R$ 5,923
O que Afeta o Mercado de Câmbio Hoje?
A falta de grandes eventos econômicos no Brasil faz com que os investidores voltem suas atenções para o exterior, buscando informações que possam afetar a trajetória do dólar e a dinâmica do comércio internacional. As principais movimentações que impactam a moeda americana são as novas ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a expectativa pela ata da última reunião do Federal Reserve, que será divulgada à tarde.
Novas Tarifas de Trump
Recentemente, Donald Trump anunciou sua intenção de impor tarifas adicionais sobre diversos produtos importados para os Estados Unidos. Entre os itens citados estão automóveis, semicondutores e produtos farmacêuticos, com taxas que podem chegar a 25%. Essa medida, se concretizada, pode gerar um impacto significativo nas relações comerciais internacionais, especialmente entre os EUA e outros grandes parceiros comerciais.
Entretanto, diferentemente de meses anteriores, quando tais ameaças comerciais causavam grande volatilidade nos mercados financeiros, o anúncio recente teve um efeito mais contido, com os agentes financeiros interpretando essas tarifas como uma estratégia de negociação, e não como ações iminentes. Muitos especialistas apontam que o impacto real de tais tarifas será moderado até que entrem em vigor.
Análise do Mercado e Expectativa
De acordo com Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, os mercados não estão reagindo com a mesma aversão ao risco que em outros momentos. A percepção geral é de que as tarifas de Trump são mais uma tática de pressão do que medidas que efetivamente desencadeiam riscos imediatos para o comércio global. Isso ajuda a conter uma busca por segurança no dólar, como normalmente ocorre quando há uma incerteza mais acentuada.
Contudo, Mattos alerta para a possibilidade de essas tarifas entrarem em vigor nos próximos meses, o que poderia provocar uma mudança no comportamento dos investidores e uma possível elevação do dólar em função de uma aversão ao risco.
O Papel da Ata do Federal Reserve
Além das tarifas de Trump, o mercado também se prepara para o principal evento do dia: a divulgação da ata da reunião do Federal Reserve de janeiro. Esse documento, que será disponibilizado às 16h, traz os detalhes das discussões internas do banco central dos Estados Unidos e pode oferecer pistas sobre a futura trajetória da política monetária americana.
Após três cortes consecutivos na taxa de juros, o Fed optou por manter os juros inalterados na reunião de janeiro, e o mercado agora busca por sinais que revelem como os membros do Fed estão avaliando as mudanças nas políticas comerciais de Trump e seus impactos econômicos.
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O Impacto da Política Monetária
O foco dos investidores estará na análise das declarações que possam indicar como o Fed enxerga o efeito das tarifas de Trump sobre a economia dos EUA. Mais especificamente, os investidores estão à procura de qualquer sinal de que o banco central possa alterar sua abordagem em relação aos juros, levando em consideração o novo cenário internacional e as mudanças no comércio global.
De acordo com analistas, a política monetária do Fed será crucial para definir o rumo do dólar, especialmente em um cenário em que o governo Trump continua a adotar posturas agressivas em relação ao comércio e à globalização. Qualquer sinal de que o Fed possa considerar a possibilidade de novos cortes de juros no futuro, em resposta a uma desaceleração econômica global, poderia afetar o valor do dólar e atrair maior atenção para a moeda americana.
Como as Tarifas de Trump Podem Afetar o Comércio Global

As tarifas propostas por Trump podem ter efeitos profundos não apenas sobre os preços de produtos importados, mas também sobre o fluxo de comércio internacional. Setores como a indústria automotiva e de semicondutores são particularmente sensíveis a mudanças nas tarifas, com empresas multinacionais que operam nesses setores podendo ser forçadas a reavaliar suas cadeias de suprimentos.
Além disso, a imposição de tarifas pode prejudicar a competitividade dos produtos dos EUA no mercado global, já que outros países poderiam adotar medidas retaliatórias, aumentando o custo de exportação de produtos americanos para esses mercados.
No entanto, como já mencionado, a atual postura de Trump em relação às tarifas parece ser mais uma estratégia de barganha do que uma ameaça real imediata, o que pode mitigar os efeitos no mercado de câmbio e nas negociações comerciais internacionais, pelo menos no curto prazo.
Considerações finais
O dólar opera com leve variação nesta quarta-feira, e o mercado permanece atento aos desdobramentos das políticas tarifárias de Trump e à divulgação da ata do Federal Reserve. Embora as tarifas de Trump possam ter impactos significativos no comércio global a longo prazo, sua implementação ainda está distante, o que tem gerado uma reação mais cautelosa por parte dos investidores.
