O mercado financeiro brasileiro começou a sexta-feira, 25 de setembro de 2026, com o dólar em baixa, enquanto investidores monitoram uma combinação de fatores domésticos e internacionais. A moeda americana abriu os negócios cotada a R$ 5,1823, queda de 0,21% por volta das 9h, segundo os dados apresentados no início da sessão.
No exterior, as atenções continuam voltadas para o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. A reunião realizada em Washington colocou no centro das discussões temas como comércio, tecnologia, inteligência artificial, terras raras e segurança.
No Brasil, o principal destaque econômico do dia ficou por conta do IPCA-15 de setembro, divulgado pelo IBGE. A prévia da inflação avançou 0,70%, depois de registrar queda de 0,40% em agosto. Em 12 meses, o indicador acumulou alta de 4,47%.
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A movimentação do dólar ocorre em um ambiente no qual os investidores avaliam simultaneamente as perspectivas para a economia brasileira e os acontecimentos internacionais.
No acumulado informado para a semana, a moeda americana registrava alta de 0,95%. No mês, o avanço era de 0,26%, enquanto o desempenho desde o início do ano permanecia negativo, em 5,39%.
O comportamento do câmbio é relevante para a economia brasileira porque influencia preços de produtos importados, combustíveis, insumos industriais e diversos ativos negociados internacionalmente. Mudanças nas expectativas sobre juros e inflação também podem alterar a procura por ativos denominados em reais ou em dólares.
IPCA-15 surpreende e volta a acelerar
O dado divulgado pelo IBGE trouxe uma mudança importante em relação ao mês anterior. Depois da deflação registrada em agosto, o IPCA-15 voltou ao campo positivo e apresentou alta de 0,70% em setembro.
A energia elétrica teve participação importante nesse movimento, em razão da reversão de um bônus relacionado à usina de Itaipu. A inflação também foi pressionada por outros componentes, incluindo alimentos, segundo os dados divulgados sobre o indicador.
O IPCA-15 não é o índice definitivo do mês, mas funciona como uma prévia do IPCA, indicador oficial utilizado para acompanhar a inflação ao consumidor no país. Por isso, seus números são acompanhados pelo mercado e pelo Banco Central.
Trump e Xi mantêm comércio e tecnologia no radar
A reunião entre Trump e Xi Jinping foi um dos principais acontecimentos internacionais acompanhados pelos mercados nesta semana.
Os dois líderes discutiram questões econômicas e estratégicas envolvendo Estados Unidos e China. Entre os assuntos mencionados estiveram tarifas, compras de produtos agrícolas, terras raras, inteligência artificial, semicondutores, aviação e investimentos.
A relação entre Washington e Pequim tem impacto direto sobre as expectativas para o comércio internacional. Alterações nas tarifas ou nas restrições envolvendo tecnologia e matérias-primas podem afetar cadeias globais de produção, empresas exportadoras e preços de commodities.
A reunião também ocorreu em meio às negociações para administrar as divergências comerciais entre as duas maiores economias do mundo. Segundo relatos publicados após o encontro, não houve anúncio de uma solução ampla para os principais pontos de conflito, embora o diálogo tenha sido mantido.
Por que isso interessa ao investidor brasileiro?
O Brasil mantém relações comerciais relevantes tanto com os Estados Unidos quanto com a China. A China, em particular, é um dos principais destinos das exportações brasileiras.
Por isso, mudanças na demanda chinesa por commodities como minério de ferro e produtos agrícolas podem repercutir sobre empresas brasileiras e sobre o fluxo de dólares para o país. Da mesma forma, alterações nas relações comerciais entre Washington e Pequim podem modificar as expectativas para o comércio global.
O efeito sobre o mercado brasileiro, entretanto, depende da combinação de diversos fatores e não apenas de uma reunião diplomática.
Petróleo também influencia o mercado
Outro ponto observado pelos investidores é o comportamento do petróleo. Durante a sessão, o Brent, referência internacional, recuava 0,97%, para US$ 105,57 por barril, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, caía 1,80%, para US$ 92,91.
As cotações continuam sensíveis às perspectivas para a oferta e a demanda global, além dos riscos geopolíticos. Uma eventual redução das tensões internacionais pode alterar os prêmios de risco incorporados aos preços da commodity.
Para o Brasil, petróleo e câmbio têm importância adicional por seus efeitos sobre empresas produtoras, combustíveis, inflação e contas externas.
Ibovespa inicia o dia sob influência dos indicadores

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, inicia as negociações às 10h. No fechamento anterior, o indicador acumulava alta de 3,69% no mês e 14,18% no ano, enquanto registrava queda de 0,68% na semana.
O comportamento das ações ao longo da sessão depende da leitura dos investidores sobre inflação, juros, atividade econômica, commodities e cenário internacional.
Empresas exportadoras podem reagir de maneira diferente de companhias mais dependentes do mercado doméstico. Da mesma forma, ações de setores sensíveis aos juros tendem a acompanhar mudanças nas expectativas relacionadas à política monetária.
Bolsas internacionais têm desempenho misto
Na Ásia, os mercados apresentaram movimentos diferentes. O Nikkei, do Japão, avançou 1,30%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,01%.
A sessão também foi influenciada pela expectativa em torno das relações entre Estados Unidos e China. Bolsas chinesas permaneceram fechadas nesta sexta-feira devido a feriado local.
O desempenho divergente mostra que os investidores não estão reagindo de maneira uniforme ao cenário global. Questões específicas de cada economia, perspectivas para juros e resultados corporativos também influenciam os índices.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
