O dólar à vista abriu esta terça-feira (3) em forte alta frente ao real, refletindo o aumento das tensões no Oriente Médio e a busca global por ativos considerados mais seguros. Às 9h07, a moeda americana subia 1,51%, negociada a R$ 5,244 na venda.
📌 DESTAQUES:
Dólar sobe 1,5% e vai a R$ 5,24 com tensão no Oriente Médio e alta do petróleo. Veja impactos no Brasil.
No mesmo horário, o dólar futuro para abril — contrato mais líquido negociado na B3 — avançava 1,32%, cotado a R$ 5,285.
A escalada do conflito internacional, especialmente após declarações envolvendo o fechamento do Estreito de Ormuz, elevou os preços do petróleo e aumentou o temor de uma nova onda inflacionária global.
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O que está por trás da alta do dólar hoje
O principal gatilho da valorização da moeda americana foi o agravamento da crise no Oriente Médio. Uma autoridade da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o Estreito de Ormuz teria sido fechado ao tráfego marítimo, além de ameaçar ações contra embarcações que tentassem cruzar a região.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas do petróleo mundial. Qualquer interrupção no fluxo impacta diretamente os preços da commodity.
Com o petróleo em alta, investidores passam a temer:
- Pressão inflacionária global;
- Dificuldade dos bancos centrais em cortar juros;
- Desaceleração do crescimento econômico.
Esse cenário gera fuga de capital de mercados emergentes, como o Brasil, e fortalece o dólar.
Impacto nas decisões do Federal Reserve
O aumento das preocupações com inflação alterou as expectativas em relação ao Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.
O mercado passou a reduzir as apostas em cortes de juros mais rápidos. Atualmente:
- O primeiro corte está majoritariamente precificado para setembro;
- As apostas em uma terceira redução ao longo de 2026 diminuíram.
Quando os juros americanos permanecem altos por mais tempo, títulos do Tesouro dos EUA se tornam mais atraentes, fortalecendo o dólar globalmente.
Como isso afeta o Brasil
A valorização do dólar tem efeitos diretos e indiretos na economia brasileira.
Pressão sobre a inflação
O Brasil importa diversos produtos cotados em dólar, como:
- Combustíveis;
- Fertilizantes;
- Componentes eletrônicos;
- Medicamentos.
Com a alta da moeda, os custos sobem e podem pressionar o IPCA nos próximos meses.
Reflexo nos combustíveis
Como o petróleo subiu com a crise, a combinação de barril mais caro + dólar mais alto pode pressionar os preços da gasolina e do diesel, dependendo da política de preços da Petrobras.
Isso impacta transporte, alimentos e serviços, ampliando o efeito inflacionário.
Bolsa e fluxo estrangeiro
Em cenários de aversão ao risco, investidores estrangeiros tendem a reduzir exposição a mercados emergentes. Isso pode:
- Pressionar a bolsa brasileira;
- Aumentar a volatilidade;
- Reduzir entrada de capital externo.
Dólar comercial hoje
Pela manhã, as cotações registravam:
Dólar comercial
Compra: R$ 5,243
Venda: R$ 5,244
A oscilação intradiária pode ser intensa, especialmente em dias de forte turbulência internacional.
PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025
No cenário doméstico, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no quarto trimestre e acumulou alta de 2,3% em 2025, em linha com as expectativas do mercado.
Apesar do crescimento moderado, o ambiente externo tende a ter peso maior no câmbio no curto prazo.
Caged e resultados corporativos no radar
A agenda econômica desta terça também inclui:
- Divulgação do Caged de janeiro pelo Ministério do Trabalho e Emprego às 11h;
- Resultados corporativos da RD Saúde (RADL3);
- Balanço da Auren Energia (AURE3), após o fechamento do mercado.
Os dados de emprego formal podem influenciar expectativas sobre consumo e atividade econômica, enquanto balanços corporativos ajudam a calibrar o humor da bolsa.
O dólar pode continuar subindo?
A trajetória da moeda dependerá principalmente de três fatores:
- Evolução do conflito no Oriente Médio;
- Comportamento do petróleo;
- Sinalizações do Federal Reserve sobre juros.
Se a tensão geopolítica persistir e o petróleo continuar subindo, a tendência é de manutenção da pressão sobre o câmbio.
Por outro lado, qualquer sinal de trégua pode provocar correção e redução da volatilidade.
O que o brasileiro deve fazer nesse cenário?
Para o cidadão comum, alguns cuidados são importantes:
- Evitar decisões impulsivas de compra de moeda;
- Planejar viagens internacionais com antecedência;
- Avaliar impacto em compras parceladas de produtos importados;
- Acompanhar indicadores oficiais.
Investidores devem considerar diversificação e gestão de risco, especialmente em momentos de incerteza global.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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