O dólar abriu em queda frente ao real nesta terça-feira (14), refletindo a reação dos mercados à divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. O indicador mostrou uma desaceleração da inflação maior do que a esperada pelos analistas, reduzindo parte da pressão sobre a moeda norte-americana.
Dólar amplia perdas e fica abaixo de R$ 5,10 após dado de inflação dos EUA
Dólar recua após inflação dos EUA ficar abaixo das expectativas. Entenda o que motivou a queda e quais podem ser os impactos para o Brasil.
O movimento chamou a atenção de investidores porque os dados de inflação influenciam diretamente as próximas decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Quando há sinais de inflação mais controlada, aumenta a expectativa de que os juros possam subir menos ou até começar a cair em um futuro próximo, cenário que costuma enfraquecer o dólar em relação a outras moedas.
Ao longo deste artigo, você confere a cotação atual da moeda americana, entende por que o mercado reagiu aos números divulgados nos Estados Unidos e quais podem ser os impactos para consumidores, empresas e investidores brasileiros.
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Qual foi a cotação do dólar hoje?

Logo após a abertura do mercado, às 9h08, o dólar à vista registrava queda de 0,84%, sendo negociado a R$ 5,089 na venda.
Já o contrato futuro de dólar para agosto, o mais negociado na B3, recuava 0,96%, cotado a R$ 5,111.
Dólar comercial
- Compra: R$ 5,086
- Venda: R$ 5,089
As cotações variam durante todo o pregão conforme o comportamento dos investidores e as notícias econômicas divulgadas ao longo do dia.
O que fez o dólar cair nesta terça-feira?
O principal fator por trás da desvalorização da moeda americana foi a divulgação do CPI dos Estados Unidos.
Segundo o Escritório de Estatísticas do Trabalho (Bureau of Labor Statistics), ligado ao Departamento do Trabalho norte-americano, o índice apresentou queda de 0,4% em junho na comparação mensal. O resultado ficou bem abaixo da expectativa de economistas consultados pela Reuters, que projetavam recuo de apenas 0,1%.
Trata-se da primeira deflação mensal registrada desde maio de 2020, período marcado pelos impactos econômicos da pandemia de Covid-19.
O dado reforçou a percepção de que a inflação americana pode estar perdendo força, fator acompanhado de perto pelo Federal Reserve para definir os rumos da taxa básica de juros.
Por que a inflação dos EUA influencia o dólar?
Os Estados Unidos possuem a maior economia do mundo e o dólar é considerado a principal moeda utilizada em negociações internacionais.
Quando a inflação permanece elevada, o Federal Reserve tende a manter ou elevar os juros para controlar os preços. Juros mais altos tornam os títulos públicos americanos mais atrativos para investidores globais.
Como consequência, aumenta a demanda por dólares, fortalecendo a moeda.
Por outro lado, indicadores que apontam desaceleração da inflação costumam reduzir a necessidade de aperto monetário, diminuindo parte da valorização do dólar frente a outras moedas.
O mercado ainda espera novos aumentos de juros?
Apesar do resultado mais fraco da inflação, o cenário continua cercado de incertezas.
Antes da divulgação do CPI, investidores atribuíam cerca de 20% de probabilidade de uma nova alta de juros pelo Federal Reserve ainda neste mês. Esse cenário havia impulsionado os rendimentos dos títulos do Tesouro americano para patamares superiores a 4,6%, o maior nível desde maio.
Ao mesmo tempo, integrantes da autoridade monetária seguem adotando um discurso cauteloso.
O presidente do Federal Reserve, Christopher Waller, afirmou recentemente que os juros poderão subir no curto prazo caso os próximos indicadores mostrem que a inflação continua distante da meta oficial de 2%.
Isso significa que a trajetória da política monetária continuará dependente dos dados econômicos divulgados nos próximos meses.
O que é o CPI?
O Consumer Price Index (CPI) é um dos principais indicadores de inflação dos Estados Unidos.
Ele mede a variação média dos preços pagos pelos consumidores por uma cesta de bens e serviços, incluindo itens como alimentação, transporte, saúde, educação, moradia e lazer.
O indicador é acompanhado por investidores do mundo inteiro porque ajuda a antecipar os próximos passos do Federal Reserve.
O que é a inflação subjacente?
Além do índice cheio, o mercado observa com atenção a chamada inflação subjacente (Core CPI).
Essa medida exclui os preços de alimentos e energia, considerados mais voláteis, permitindo uma análise mais precisa da tendência da inflação.
O consenso da Reuters apontava expectativa de alta anual de 2,8% para o núcleo da inflação, enquanto a inflação geral era projetada em 3,8%.
Esses indicadores ajudam o banco central americano a avaliar se a pressão inflacionária continua disseminada pela economia.
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Como a queda do dólar pode afetar o Brasil?
A desvalorização da moeda americana pode produzir efeitos em diferentes setores da economia brasileira.
Entre os principais impactos estão:
- redução do custo de produtos importados;
- menor pressão sobre combustíveis e insumos cotados em dólar;
- possibilidade de viagens internacionais ficarem relativamente mais baratas;
- influência sobre investimentos em renda variável e câmbio.
Ainda assim, especialistas ressaltam que um único pregão não representa uma tendência definitiva. O comportamento do dólar depende de fatores internos, como política fiscal e juros no Brasil, além do cenário internacional.
O que investidores devem acompanhar agora?
Os próximos meses serão marcados por uma série de indicadores econômicos capazes de alterar as expectativas do mercado.
Entre eles estão:
- novos dados de inflação dos Estados Unidos;
- números de emprego da economia americana;
- decisões de política monetária do Federal Reserve;
- comunicados do Banco Central do Brasil;
- evolução do cenário fiscal brasileiro.
Cada um desses fatores pode provocar oscilações relevantes no câmbio.
O que muda para quem compra dólar?

Para quem pretende viajar ao exterior ou realizar compras internacionais, a queda da moeda americana pode representar um momento mais favorável para aquisição de dólares.
Entretanto, especialistas costumam recomendar que compras sejam feitas de forma gradual, já que o câmbio é influenciado por eventos econômicos e geopolíticos que podem alterar rapidamente as cotações.
Quem investe em ativos internacionais também deve considerar que oscilações cambiais fazem parte da estratégia de diversificação e não devem ser analisadas apenas pelo movimento de um único dia.
Conclusão
O dólar iniciou a sessão desta terça-feira em queda após a divulgação de um CPI mais fraco do que o esperado nos Estados Unidos. O resultado aumentou a percepção de que a inflação americana está desacelerando, reduzindo parte das expectativas de novas altas de juros pelo Federal Reserve.
Apesar da reação positiva dos mercados, investidores continuam atentos aos próximos indicadores econômicos e aos comunicados do banco central americano, que seguirão determinando a direção do dólar nas próximas semanas.
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