Dólar hoje reage a dados de emprego no Brasil, balanço da Nvidia e tensões fiscais globais
Nesta quarta-feira (28), o mercado financeiro amanheceu sob forte influência de uma combinação de fatores nacionais e internacionais, que mexem com o humor dos investidores e afetam diretamente o comportamento do dólar frente ao real.
A moeda norte-americana iniciou o dia cotada a R$ 5,6424, refletindo a cautela diante de uma agenda econômica carregada.
Indicadores locais: atenção ao mercado de trabalho

No Brasil, o foco se volta para os números do Caged, que devem revelar a criação de cerca de 175 mil empregos formais em abril, conforme apontam projeções de mercado. Caso os dados confirmem esse cenário de aquecimento no mercado de trabalho, podem fortalecer a percepção de crescimento econômico.
Esse fortalecimento, por sua vez, pode levar a uma reavaliação nas expectativas sobre a trajetória dos juros, reduzindo as chances de cortes na Selic ainda em 2025. Caso os indicadores econômicos mostrem resultados mais robustos, há a possibilidade de a curva de juros voltar a subir, o que tende a impactar diretamente a cotação do dólar em relação ao real.
Além do Caged, outros indicadores divulgados ao longo do dia ajudam a compor o cenário, como a Sondagem da Indústria da FGV, o Índice de Confiança do Comércio da CNC e o fluxo cambial semanal do Banco Central.
Nvidia no centro das atenções globais
O grande destaque internacional desta quarta-feira é a divulgação dos resultados da Nvidia, que tem o poder de influenciar o humor dos mercados em todo o mundo. A expectativa é que a empresa reporte uma alta de 66% na receita trimestral, atingindo US$ 43 bilhões, impulsionada pela forte demanda por serviços em nuvem e data centers.
Apesar da previsão otimista, os investidores estão atentos às projeções da empresa para os próximos meses, sobretudo diante das restrições impostas pelos Estados Unidos à exportação de tecnologia para a China. Qualquer sinal de cautela pode afetar o apetite por risco dos investidores e, como consequência, o dólar.
A empresa divulga seus resultados após o encerramento dos mercados em Nova York, o que pode afetar especialmente as bolsas de países emergentes, como o Brasil.
Futuros recuam e mercado espera ata do Fed
Após um dia de forte valorização nas bolsas americanas — com destaque para o Nasdaq, que subiu 2,5%, e o Dow Jones, com alta de 1,8% —, os índices futuros dos Estados Unidos amanheceram em queda, indicando uma realização de lucros.
A atenção agora se volta para a divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que pode trazer pistas sobre os próximos passos da política monetária norte-americana. Um tom mais agressivo pode pressionar os mercados e valorizar o dólar globalmente, afetando também sua cotação no Brasil.
Tensões fiscais globais aumentam cautela
Outro fator relevante para o comportamento do dólar hoje é a crescente desconfiança dos investidores em relação à sustentabilidade fiscal de grandes economias. O recente leilão de títulos japoneses de 40 anos teve a pior demanda desde novembro de 2023, com a relação oferta-demanda caindo de 2,9 para 2,2. Situação semelhante ocorreu nos Estados Unidos, onde o Tesouro enfrentou dificuldades para vender papéis de 20 anos na semana passada.
Essa aversão ao risco é agravada por rebaixamentos recentes das notas de crédito de países desenvolvidos pelas principais agências de classificação, o que levanta dúvidas sobre a capacidade desses governos de manterem suas dívidas sob controle. O resultado é uma pressão adicional sobre o dólar, que se fortalece como porto seguro diante da instabilidade fiscal.
Petróleo sobe com temor de novas sanções à Rússia
O mercado de petróleo também impacta o comportamento da moeda americana. Nesta manhã, o Brent era cotado a US$ 63,96, com alta de 0,6%, e o WTI, a US$ 61,29, com valorização de 0,7%. Esse movimento reflete as tensões geopolíticas envolvendo a Rússia.
A possibilidade de novas sanções ao governo de Vladimir Putin ganhou força após declarações do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou que o líder russo está “brincando com fogo”. Esse ambiente aumenta a percepção de risco, afetando as commodities e, por extensão, a balança comercial dos países emergentes e o dólar.
Expectativas para a reunião da Opep+
Ainda no radar do mercado está a reunião da Opep+, marcada para o final desta semana. A decisão sobre um possível aumento na produção de petróleo pode influenciar diretamente os preços da commodity e, consequentemente, os movimentos cambiais.
Até lá, a tensão geopolítica continua sendo um fator relevante para os mercados. A instabilidade nos preços do petróleo tende a mexer com as projeções de inflação global, o que impacta expectativas sobre juros e fortalece o dólar como moeda de reserva.
Com informações de: SpaceMoney