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Bitcoin ou ouro? Bancos Centrais aumentam estoques de ouro e ignoram criptomoedas em meio à desvalorização do dólar

Bancos centrais estão acumulando ouro em níveis recordes, ignorando o Bitcoin como reserva de valor. Entenda por que o metal precioso continua sendo a escolha.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Ouro

Enquanto o Bitcoin conquista as manchetes com sua impressionante valorização em 2025, uma movimentação mais silenciosa, porém estratégica, ganha força nos bastidores da economia global: a compra agressiva de ouro pelos bancos centrais.

Em um contexto de enfraquecimento do dólar e tensões geopolíticas crescentes, o metal precioso voltou a ser a âncora preferida das autoridades monetárias, deixando as criptomoedas fora da lista de reservas estratégicas. Mas por quê?

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A pergunta de Peter Schiff que provocou um novo debate

O economista e defensor ferrenho do ouro, Peter Schiff, reacendeu o debate entre criptomoedas e ativos tradicionais em um post provocador na plataforma X (ex-Twitter):

“Se o ouro é o passado e o Bitcoin é o futuro, por que os bancos centrais estão trocando suas reservas em dólar por ouro — e não por Bitcoin?”

A pergunta de Schiff toca em uma ferida ainda aberta no universo cripto: apesar da adoção crescente por investidores institucionais, o Bitcoin ainda não conquistou a confiança das autoridades monetárias globais.

Compras de ouro disparam: um movimento global coordenado

Segundo dados recentes da Reuters, os bancos centrais ao redor do mundo compraram mais de 1.000 toneladas de ouro em 2024 — o dobro da média dos últimos dez anos.

A magnitude do movimento não apenas chama atenção, como também revela um reposicionamento estratégico das reservas internacionais, sobretudo por países emergentes e economias que buscam reduzir sua exposição ao dólar americano.

Rússia e China lideram a corrida dourada

A Rússia, desde 2014, vem reforçando consistentemente suas reservas de ouro como resposta às sanções impostas pelo Ocidente. A China, por sua vez, tem feito compras regulares, consolidando o ouro como pilar de sua estratégia de desdolarização.

Outros países como Turquia, Índia, Irã e Brasil também ampliaram suas participações no metal precioso, alavancando um movimento que parece responder tanto a riscos econômicos quanto geopolíticos.

Por que o ouro — e não o Bitcoin — continua sendo o refúgio preferido?

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Imagem: Freepik

O principal argumento dos bancos centrais é simples: estabilidade. O ouro possui uma história de mais de 5.000 anos como reserva de valor e, ao longo de diferentes ciclos econômicos, sempre foi considerado um ativo de segurança. Ele não depende de infraestrutura digital, não pode ser “hackeado”, não está sujeito a decisões de código e não enfrenta problemas regulatórios.

Bitcoin ainda é percebido como volátil e arriscado

Apesar de o Bitcoin ter ultrapassado os US$ 100 mil em 2025, sua volatilidade extrema ainda é vista como um obstáculo para seu uso como reserva estratégica. O preço do BTC pode variar 10% em um único dia, o que o torna um ativo especulativo, e não uma base confiável de preservação de valor.

Além disso, as preocupações regulatórias e a ausência de respaldo físico continuam a impedir sua aceitação como moeda de reserva pelas autoridades monetárias tradicionais.

O declínio do dólar como catalisador

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas, registrou suas menores leituras em três anos. Ao mesmo tempo, os títulos do Tesouro dos EUA de 30 anos enfrentaram seu pior desempenho semanal em quase dois anos.

Esse enfraquecimento do dólar, impulsionado por déficits fiscais crescentes e uma política monetária incerta, tem levado muitos países a buscar alternativas que ofereçam mais autonomia e proteção contra riscos sistêmicos.

A política externa dos EUA e as sanções como ameaça à soberania financeira

As sanções financeiras dos Estados Unidos, utilizadas como ferramenta diplomática, geraram receio entre países que temem ter seus ativos em dólares congelados ou bloqueados. O ouro, por ser um ativo físico, fora do alcance de redes bancárias ocidentais, representa uma alternativa segura nesse cenário.

O argumento institucional: confiança versus inovação

Os bancos centrais operam com horizontes de décadas, e sua missão é preservar a estabilidade financeira. O ouro, portanto, é visto como um ativo seguro, tangível e reconhecido globalmente.

Já o Bitcoin, embora revolucionário, ainda é jovem, suscetível a ataques cibernéticos e dependente da confiança em sistemas digitais descentralizados.

A confiança institucional ainda não foi conquistada pelo Bitcoin

Mesmo com o crescimento de ETFs de Bitcoin nos EUA e a adoção por grandes empresas, os bancos centrais permanecem reticentes. A falta de um emissor soberano, a ausência de controle político sobre a oferta e a resistência à transparência criptográfica são barreiras institucionais significativas.

Tensões geopolíticas e incertezas fiscais reforçam o ouro

Conflitos no Oriente Médio, tensões entre China e EUA, incertezas sobre a sucessão presidencial nos EUA e déficits fiscais recordes estão entre os principais fatores que impulsionam a busca por ativos de proteção.

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Ouro resiste melhor a choques econômicos

Historicamente, o ouro se valoriza em períodos de crise. Ele resistiu a guerras, hiperinflações, recessões e colapsos bancários. O Bitcoin ainda precisa provar sua resiliência em um cenário de estresse sistêmico real e prolongado.

E o preço do ouro? Oscilações não alteram tendência de alta

Apesar de uma leve queda recente — com o ouro recuando 0,5% para cerca de US$ 3.325,99 por onça — analistas continuam otimistas.


Manoj Kumar Jain, da Prithvifinmart, destacou que a fraqueza do dólar, somada às tensões globais, dá suporte robusto ao metal precioso, podendo segurá-lo acima de US$ 3.200 por onça.

Rahul Kalantri, da Mehta Equities, observou que decisões futuras do Fed, sobretudo em relação aos dados de inflação (PCE) e juros, podem influenciar o comportamento do ouro, que segue altamente sensível à política fiscal dos EUA.

Bitcoin: o futuro ainda não chegou para os bancos centrais

Bitcoin
Imagem: Seu Crédito Digital/Freepik

A popularidade do Bitcoin como ativo alternativo entre investidores privados é inegável. Ele é considerado o “ouro digital” por muitos defensores, e seu suprimento limitado o torna atrativo como proteção contra inflação.

Contudo, enquanto nações soberanas evitarem o BTC como instrumento de reserva, seu status continuará sendo o de um ativo de nicho, não de mainstream monetário.

O desafio da legitimidade política e monetária

Mesmo em países como El Salvador, onde o Bitcoin é moeda legal, o uso ainda é limitado e depende fortemente de incentivos governamentais.

A ausência de adesão por parte dos grandes bancos centrais, como o Federal Reserve, BCE, Banco do Japão ou Banco da Inglaterra, é sintomática de que o BTC ainda precisa amadurecer institucionalmente.

Conclusão: ouro continua sendo o porto seguro preferido

Em um mundo cada vez mais multipolar e com uma ordem monetária em mutação, o ouro reafirma sua posição como ativo estratégico e reserva confiável. Apesar do fascínio pelo Bitcoin e das promessas tecnológicas das criptomoedas, os bancos centrais continuam a escolher o caminho da prudência.

O futuro pode reservar um papel maior para ativos digitais — talvez até emitidos por bancos centrais sob a forma de moedas digitais (CBDCs) — mas, no presente, é o ouro quem reina soberano no cofre das nações.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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