Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Dólar oscila pouco frente ao real enquanto mercado aguarda Copom e Fed

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
Dolar 3

O dólar iniciou a sessão de 16 de setembro de 2026 próximo da estabilidade diante do real, enquanto investidores acompanhavam uma combinação de fatores relevantes para o mercado financeiro. Entre eles estavam a divulgação de uma nova queda da atividade econômica brasileira, as decisões de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos e o comportamento das commodities no exterior.

Na abertura dos negócios, a moeda americana chegou a apresentar alta moderada. O dólar à vista estava em R$ 5,1585 às 10h17, enquanto o contrato futuro com vencimento em outubro era negociado a R$ 5,1775.

O cenário, porém, mudou ao longo do dia com as decisões dos bancos centrais. O Banco Central brasileiro reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou a taxa de juros para a faixa de 3,75% a 4%.

Leia mais:

Ata do Copom redesenha estratégias de investimento

Atividade econômica brasileira perde força

Um dos principais dados divulgados pela manhã foi o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br. O indicador recuou aproximadamente 0,2% em julho na comparação com junho, considerando a série com ajuste sazonal.

O resultado reforçou a percepção de desaceleração da economia brasileira. O IBC-Br é acompanhado pelo mercado como uma espécie de termômetro mensal da atividade e reúne informações relacionadas a diferentes segmentos da economia.

A queda ocorreu depois de uma retração registrada no mês anterior, contribuindo para um quadro de perda de ritmo no início do segundo semestre. Esse tipo de informação é importante para o mercado de câmbio porque influencia as expectativas sobre a trajetória dos juros brasileiros.

Quando a atividade enfraquece, aumenta a possibilidade de que a política monetária possa ser flexibilizada, embora a decisão do Banco Central também dependa da inflação, das expectativas, do mercado de trabalho e das condições externas.

Copom reduz a Selic para 13,75%

Copom
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O Copom confirmou a expectativa predominante do mercado e cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos de 14% para 13,75% ao ano.

Foi a quinta redução consecutiva. Segundo a comunicação do Banco Central, as próximas decisões continuarão dependendo da evolução dos indicadores econômicos, especialmente diante dos riscos para a inflação.

A redução da Selic influencia diretamente o diferencial entre os juros brasileiros e americanos. Esse diferencial é acompanhado pelos investidores internacionais porque ajuda a determinar a atratividade relativa dos ativos denominados em reais.

Na prática, juros brasileiros menores podem reduzir parte do incentivo para manter recursos aplicados no país. Porém, o comportamento do dólar não depende exclusivamente da Selic. Expectativas de inflação, risco fiscal, atividade econômica, fluxo de capital e cenário internacional também podem alterar a cotação.

Fed aumenta os juros nos Estados Unidos

O cenário externo acrescentou uma variável importante à formação do câmbio.

O Federal Reserve elevou sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, para uma faixa entre 3,75% e 4%, em decisão aprovada por 12 votos a zero. O banco central americano afirmou que a inflação continua elevada e que a atividade econômica segue avançando em ritmo sólido.

A decisão ocorreu no mesmo dia em que o Banco Central brasileiro reduziu os juros. Dessa forma, o diferencial entre as taxas de Brasil e Estados Unidos diminuiu.

Esse movimento, isoladamente, pode favorecer o dólar frente ao real, pois uma remuneração relativamente maior dos ativos americanos pode aumentar a demanda internacional pela moeda dos Estados Unidos.

Entretanto, o mercado já havia formado expectativas antes das decisões. Por isso, a reação efetiva do câmbio depende não apenas do resultado anunciado, mas também de como ele se compara ao que os investidores já haviam incorporado aos preços.

O que acontece com o dólar após as decisões

A combinação de juros menores no Brasil e mais altos nos Estados Unidos cria forças opostas para o mercado brasileiro.

De um lado, a desaceleração da economia doméstica pode favorecer uma política monetária menos restritiva. De outro, a elevação dos juros americanos tende a aumentar a atratividade relativa dos ativos em dólar.

Além disso, o Federal Reserve sinalizou que a inflação americana continua sendo uma preocupação. As projeções divulgadas após a reunião também indicaram uma trajetória de juros ainda elevada, aumentando a importância dos próximos dados de inflação e emprego dos Estados Unidos.

Por isso, mesmo quando o dólar apresenta pouca variação em determinado momento do pregão, o ambiente pode continuar bastante sensível a novas informações.

Petróleo e cenário internacional também influenciam

As commodities são outro componente relevante para o câmbio brasileiro. O petróleo, por exemplo, permanece importante porque alterações em sua cotação afetam expectativas de inflação, contas externas e perspectivas para economias produtoras e importadoras.

Movimentos nos rendimentos dos títulos americanos também costumam repercutir sobre moedas de países emergentes. Quando os juros dos Treasuries sobem, investidores podem exigir uma remuneração maior para manter posições em mercados considerados mais arriscados.

Esse mecanismo ajuda a explicar por que o dólar pode subir ou cair no Brasil mesmo quando não há uma notícia doméstica diretamente relacionada ao mercado de câmbio.

O que o consumidor deve observar

dolar euro 023
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Para quem não opera no mercado financeiro, as oscilações do dólar também podem ter efeitos concretos.

Uma moeda americana mais valorizada pode aumentar custos de produtos importados, componentes industriais, eletrônicos, medicamentos e outros itens cuja cadeia de produção tenha exposição ao exterior. Combustíveis e passagens aéreas também podem sofrer influência indireta das condições internacionais.

Já empresas brasileiras que recebem receitas em dólar podem ser beneficiadas por uma valorização da moeda americana, enquanto companhias que dependem de insumos importados podem enfrentar custos maiores.

Para investidores, o câmbio também interfere na rentabilidade de aplicações e ativos com exposição internacional.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Compartilhar