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Dólar perde força após rebaixamento dos EUA e foco em tarifas comerciais

Dólar recua após rebaixamento da nota dos EUA pela Moody’s. Tensões comerciais e cenário fiscal pressionam a moeda. Veja a cotação.

Bianca BorgesPor Bianca Borges5 min de leitura
Ethereum

O dólar à vista iniciou a semana com queda frente ao real, em meio à repercussão negativa do rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos pela agência Moody’s e o acirramento das discussões sobre tarifas comerciais com parceiros estratégicos.

A moeda norte-americana recuava 0,22%, cotada a R$ 5,657, em um cenário de cautela global e fortalecimento de ativos emergentes.

O movimento reflete uma combinação de fatores externos e domésticos que vêm moldando o comportamento do câmbio, com impacto direto nos investimentos e na economia real.

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O que motivou a queda do dólar?

Dólar
Imagem: TierneyMJ/ shutterstock.com

Na última sexta-feira (16), a agência de classificação de risco Moody’s cortou a nota de crédito soberana dos EUA de AAA para AA1, citando preocupações com o aumento da dívida pública, impasses políticos recorrentes sobre o teto da dívida e a deterioração fiscal do país.

Essa decisão abalou a confiança dos investidores e pressionou o dólar globalmente.

Ao mesmo tempo, aumentaram os temores sobre um recrudescimento nas guerras comerciais, após declarações do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reforçando que o governo de Donald Trump pode impor novas tarifas contra parceiros considerados “desleais”.

As sinalizações elevaram o nível de incerteza nos mercados.

Como isso afeta o Brasil?

Com a saída de capitais de ativos mais seguros e a busca por rendimentos atrativos, o Brasil volta ao radar dos investidores.

O país oferece uma taxa de juros elevada (a Selic está atualmente em 10,5% ao ano), o que favorece estratégias de carry trade — operações que se beneficiam da diferença de juros entre dois países.

Segundo o operador Hideaki Iha, da corretora Fair, “o fluxo estrangeiro para bolsa e renda fixa tem aumentado, enquanto exportadores aproveitam para vender dólar no mercado à vista, aliviando a cotação”.

Cotação do dólar hoje

  • Dólar comercial:
    Compra: R$ 5,656
    Venda: R$ 5,657
  • Dólar futuro (junho na B3):
    R$ 5.673, com queda de 0,27%
  • Dólar turismo:
    Venda: R$ 5,71
    Compra: R$ 5,89

Esse recuo do dólar também reflete uma pausa nas pressões inflacionárias internas e o relativo controle fiscal, mesmo em meio à incerteza política e econômica.

Rebaixamento dos EUA: impacto global

Por que a Moody’s rebaixou os EUA?

A Moody’s argumentou que o crescente déficit fiscal e a falta de coesão política colocam em risco a sustentabilidade da dívida norte-americana no longo prazo.

O rebaixamento veio após episódios recorrentes de disputas no Congresso dos EUA sobre o aumento do teto da dívida, que ameaçam paralisar o governo e prejudicar a confiança no dólar como principal reserva de valor mundial.

Reações nos mercados internacionais

  • Os índices futuros das bolsas de Nova York abriram em queda nesta segunda-feira, refletindo o nervosismo dos investidores.
  • O rendimento dos Treasuries de 10 anos subiu ligeiramente, enquanto o índice do dólar DXY recuava frente a uma cesta de moedas.

Esses sinais evidenciam que o impacto vai além das fronteiras dos EUA, afetando moedas, bolsas e commodities ao redor do globo.

O dólar ainda é uma moeda segura?

Apesar do rebaixamento, o dólar segue sendo uma moeda dominante no sistema financeiro internacional. No entanto, a perda do selo AAA, mesmo que por apenas uma agência, reforça o alerta de que os fundamentos fiscais dos EUA precisam ser ajustados para manter a confiança global.

Comércio internacional em tensão

Trump sinaliza novas tarifas

As declarações do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reforçaram o tom protecionista da atual administração. Trump estaria disposto a implementar tarifas significativas sobre produtos de países que não “negociarem de boa fé” — em especial, China e União Europeia.

Trégua com China e Reino Unido

Apesar das ameaças, uma trégua de 90 dias nas tarifas de importação foi anunciada entre os EUA e China/Reino Unido. O acordo temporário visa dar espaço para negociações, mas analistas apontam que ele é frágil e pode não se sustentar diante de pressões eleitorais e interesses comerciais conflitantes.

Reflexos na economia brasileira

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IBC-Br surpreende positivamente

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) avançou 0,8% em março, superando a expectativa de 0,5% dos analistas. No acumulado do primeiro trimestre, o indicador sinalizou um crescimento de 1,3% na economia brasileira.

Esse desempenho acima do esperado contribuiu para a melhora no humor do mercado, reforçando a atratividade do Brasil como destino de capital estrangeiro.

Selic pode seguir alta

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, manteve tom conservador em declarações recentes, sugerindo que a taxa Selic deve ser mantida em níveis elevados por mais tempo. Essa perspectiva fortalece a moeda brasileira frente ao dólar.

Perspectivas para o câmbio

dólar
Imagem: Freepik

O que esperar para os próximos dias?

Com a proximidade de decisões de política monetária no Brasil e nos EUA, além de novos dados econômicos, o mercado cambial deve continuar volátil. A tendência, no entanto, é de leve valorização do real caso o fluxo estrangeiro continue e a pressão inflacionária siga controlada.

Fatores de atenção:

  • Novos desdobramentos das tensões comerciais
  • Publicações do Boletim Macrofiscal do Ministério da Fazenda
  • Atuação do Banco Central no mercado de câmbio
  • Indicadores econômicos domésticos (inflação, emprego e indústria)

Análise técnica do dólar

Analistas técnicos apontam que a zona de R$ 5,65 é um suporte importante para o dólar. A perda consistente deste patamar pode levar a testes de níveis mais baixos, como R$ 5,60. Por outro lado, um retorno acima de R$ 5,70 colocaria novamente pressão sobre o real.

Conclusão

O recuo do dólar nesta segunda-feira (19) é resultado direto da deterioração da confiança no cenário fiscal dos Estados Unidos e da escalada nas tensões comerciais. Para o Brasil, o momento é de relativa vantagem, com entrada de capital externo, perspectiva de juros altos e dados econômicos positivos.

Ainda assim, o ambiente global permanece volátil e sensível a mudanças rápidas na geopolítica e na política monetária. O investidor deve manter cautela e atenção aos próximos capítulos dessa conjuntura complexa.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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