O dólar americano está sob pressão. Segundo uma projeção do banco Morgan Stanley, a moeda dos Estados Unidos pode recuar cerca de 9% até meados de 2026, alcançando patamares não observados desde o auge da pandemia de covid-19. A tendência, já perceptível no primeiro semestre de 2025, vem sendo associada à desaceleração econômica global e à incerteza gerada por políticas comerciais mais agressivas, sobretudo as ligadas ao possível retorno de Donald Trump à presidência.
Morgan Stanley prevê dólar no menor nível desde a pandemia até 2026
Morgan Stanley prevê queda de 9% no dólar até 2026 e recomenda euro, iene e franco suíço como apostas diante de incertezas comerciais globais.
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Projeções do índice DXY e fundamentos da queda

Desaceleração econômica e política externa
O índice DXY, que mede o valor do dólar frente a uma cesta de moedas fortes (como euro, iene e libra), pode cair até o nível de 91 pontos até meados de 2026, segundo os estrategistas da Morgan Stanley. Desde o pico registrado em fevereiro, o índice já recuou cerca de 10%.
O cenário macroeconômico atual, marcado por crescimento global mais lento e riscos geopolíticos acentuados, contribui para a perda de valor da moeda americana. A possibilidade de uma administração Trump adotar medidas protecionistas reacende temores sobre estabilidade comercial e previsibilidade cambial.
“Achamos que os mercados de juros e câmbio iniciaram tendências significativas que devem se manter — levando o dólar a cair ainda mais”, apontou o relatório do Morgan Stanley.
Reforço de outras casas e análise do JPMorgan
Dados da CFTC reforçam tendência
A projeção do Morgan Stanley não está isolada. Na semana anterior, analistas do JPMorgan, liderados por Meera Chandan, recomendaram estratégias semelhantes, incentivando apostas em moedas como o euro, o iene japonês e o dólar australiano. Segundo a análise da equipe, o enfraquecimento do dólar deve persistir por um ciclo prolongado.
Informações da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostram que a especulação contra o dólar ainda não atingiu seu limite. Ou seja, há espaço para mais pessimismo no mercado cambial. Essa leitura dá respaldo às previsões de desvalorização, inclusive entre investidores institucionais.
Moedas recomendadas: euro, iene e franco suíço
Euro: de US$ 1,13 para US$ 1,25
Entre as apostas mais seguras destacadas pelos bancos, o euro aparece como protagonista. Atualmente cotado a cerca de US$ 1,13, a moeda europeia pode alcançar o patamar de US$ 1,25 até o próximo ano. A expectativa é sustentada por uma combinação de estabilidade política no bloco europeu e avanços no combate à inflação.
Iene: valorização de 143 para 130 por dólar
Já o iene japonês, frequentemente procurado em momentos de instabilidade global, pode se valorizar dos atuais 143 para cerca de 130 por dólar. A economia do Japão, embora enfrentando desafios de crescimento, continua sendo vista como sólida do ponto de vista financeiro, o que atrai capital em tempos de crise.
Franco suíço: símbolo de segurança
O franco suíço, tradicionalmente uma moeda-refúgio, também deve se beneficiar da queda do dólar. A estabilidade monetária da Suíça, aliada a uma política fiscal conservadora, torna o ativo atrativo para investidores buscando proteção contra volatilidades.
E a libra esterlina?

Perspectivas favoráveis no Reino Unido
A libra britânica também foi citada como uma potencial vencedora nesse cenário. Favorecida por menores tensões comerciais no Reino Unido e boas perspectivas de retorno aos investidores, a libra pode avançar de US$ 1,35 para US$ 1,45 até 2026.
Expectativas para os juros dos EUA
Cautela do Fed e mudança de ciclo
Além das previsões sobre moedas, o Morgan Stanley traçou uma projeção para os títulos do Tesouro americano. Os rendimentos dos títulos de 10 anos devem alcançar 4% até o final de 2025. Em seguida, o Federal Reserve poderá iniciar uma série de cortes, que somariam até 1,75 ponto percentual ao longo de 2026.
Essa flexibilização monetária é uma resposta ao ambiente de desaceleração econômica e à provável necessidade de estímulos ao crescimento. Se confirmada, a medida pressionará ainda mais o dólar, que perderá atratividade frente a moedas com juros mais altos ou estáveis.
Impactos nos mercados globais
Commodities e emergentes
A queda do dólar costuma beneficiar mercados emergentes e commodities como ouro, petróleo e soja. Como essas mercadorias são negociadas majoritariamente em dólar, sua desvalorização relativa aumenta o poder de compra de países importadores, o que impulsiona os preços.
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Investidores institucionais reavaliam alocações
A tendência de enfraquecimento do dólar também obriga investidores institucionais a reavaliar suas alocações em ativos internacionais. Fundos de pensão, bancos centrais e gestoras de recursos tendem a diversificar suas carteiras, aumentando a exposição em moedas alternativas e títulos estrangeiros.
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Riscos para o investidor
Embora o cenário projetado por grandes bancos seja consistente, o mercado cambial é notoriamente volátil e sensível a mudanças políticas e econômicas. No entanto, o consenso entre analistas aponta para um enfraquecimento estrutural da moeda americana nos próximos anos.
Investidores devem considerar os riscos cambiais ao compor carteiras internacionais. A desvalorização do dólar pode afetar tanto ganhos em renda fixa quanto em ações no exterior. Estratégias de hedge cambial ou diversificação em moedas fortes tornam-se cada vez mais importantes.
O que fazer agora?

Para quem investe em dólar
Se você tem exposição significativa ao dólar, pode ser o momento de revisar sua estratégia. Apesar de ainda ser uma moeda dominante globalmente, os próximos dois anos podem exigir ajustes táticos para preservar o valor do patrimônio.
Para quem busca proteção
Já quem busca proteção contra volatilidade ou oportunidade em moedas estrangeiras pode considerar o euro, o iene ou o franco suíço como alternativas viáveis, especialmente se as projeções dos grandes bancos se confirmarem.
Conclusão
A possível desvalorização do dólar até 2026, prevista por instituições como Morgan Stanley e JPMorgan, marca uma mudança importante no cenário cambial global. Com fundamentos econômicos sólidos e riscos geopolíticos no radar, investidores devem se preparar para um novo ciclo nos mercados de moedas. Diversificar ativos e acompanhar as tendências de juros e política monetária serão passos cruciais para proteger o patrimônio e aproveitar as oportunidades que surgirem nesse ambiente de transformação.
