O dólar ronda, nas últimas semanas, os R$ 5,40. Enquanto muitos acompanham com apreensão a inflação e a taxa de juros, quem planeja férias já tem outra dúvida urgente: está na hora de comprar a moeda americana ou vale esperar mais um pouco? Afinal, ninguém quer desembarcar em Paris ou Nova York e descobrir que o dinheiro não rende nem para um café com croissant.
Dólar na faixa de R$ 5,40: confira dicas para comprar antes das férias
Dólar ronda R$ 5,40 e preocupa viajantes. Entenda os fatores que influenciam a moeda, saiba quando comprar e como planejar os gastos no exterior.
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O que influencia o dólar no Brasil e no mundo

Decisões do Federal Reserve (Fed)
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, é responsável por ajustar os juros. Quando estão altos, investidores preferem aplicar nos EUA, aumentando a demanda pelo dólar. Isso torna a moeda mais valorizada frente às outras, inclusive o real.
A Selic e o papel do Banco Central brasileiro
Aqui no Brasil, o Banco Central (BC) usa a taxa Selic como instrumento de controle econômico. Juros altos podem segurar mais dólares no país, mas o efeito não é imediato. Notícias políticas, crises internacionais ou até a variação no preço da soja podem bagunçar essa equação.
O peso do cenário político
Eleições, discussões fiscais e instabilidade política aumentam a incerteza. Esse ambiente de dúvida geralmente pressiona o câmbio, elevando a cotação da moeda americana.
Estratégias para comprar dólar com menos risco
O conceito de “preço médio”
O professor Carlos Honorato, da FIA Business School, alerta que comprar tudo de uma vez pode ser arriscado. Uma alternativa é a estratégia do “preço médio”: adquirir dólares aos poucos, semana a semana. Assim, o comprador equilibra variações diárias e não fica refém de uma única cotação.
O conselho dos especialistas
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, lembra que esperar uma queda repentina pode ser uma armadilha. O câmbio responde a inúmeros fatores: diferencial de juros, fluxo cambial, sentimento de mercado e conjuntura fiscal. Por isso, comprar gradualmente reduz riscos.
Dólar e planejamento de viagem

“Quem converte não se diverte”?
A velha brincadeira faz sentido. Muitas vezes, logo após a compra, o dólar sobe, deixando o turista frustrado. A recomendação é se organizar com antecedência e adquirir a moeda em parcelas, garantindo um preço médio equilibrado.
Ajustando o orçamento
O especialista em economia internacional Paulo Godoi Filho sugere rever gastos caso a cotação dispare. Hotéis mais baratos, passeios gratuitos e um roteiro mais econômico podem ajudar a manter a viagem viável sem sacrificar a experiência.
Cartão de crédito no exterior: usar ou evitar?
IOF e taxas bancárias
O cartão de crédito internacional deve ser usado apenas em emergências ou para a caução de hotéis. Isso porque cada transação tem 3,5% de IOF. Além disso, bancos podem cobrar de 2% a 7% sobre a operação, somando custos ao orçamento.
Programas de pontos: nem sempre vantajosos
Cartões que oferecem menos de três pontos por dólar gasto raramente compensam. A pontuação pode não ser suficiente para justificar os encargos extras, tornando o uso da moeda física ou de cartões pré-pagos mais inteligente.
O impacto do dólar na economia e nos investimentos
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Taxa de câmbio e mercado financeiro
A taxa de câmbio não afeta apenas turistas, mas também investimentos. Para quem aplica em ativos no exterior, as variações do dólar podem representar ganhos ou perdas.
Investir com regularidade
Segundo Zogbi, no longo prazo, investir de forma recorrente em ativos pode ser mais vantajoso do que tentar acertar o “timing” do câmbio. Isso reduz a dependência de oscilações de curto prazo.
O que esperar para os próximos meses

Riscos no horizonte
Apesar da Selic alta e do interesse de investidores estrangeiros na bolsa brasileira, não se pode ignorar a possibilidade de valorização do dólar. Fatores como eleições e debates fiscais no fim do ano devem intensificar a volatilidade.
O efeito das turbulências
Se a moeda americana disparar de repente, especialistas recomendam esperar dois ou três dias. O mercado tende a se reequilibrar nesse período, permitindo compras em um patamar mais previsível.
Conclusão: comprar dólar agora ou esperar?
Não existe resposta única. Para quem tem viagem marcada, o ideal é não adiar a compra da moeda. A estratégia de adquirir aos poucos continua sendo a mais segura, equilibrando riscos e protegendo o bolso.
Já para investidores, o foco deve ser no longo prazo, aproveitando a diversificação sem depender exclusivamente da oscilação cambial.
