O dólar à vista recuava ante o real na manhã desta quinta-feira, 9, refletindo a reação do mercado financeiro à derrubada da Medida Provisória que eliminava a isenção de IOF sobre aplicações financeiras, considerada uma tentativa do governo de aumentar a arrecadação sem elevar impostos de forma direta.
Por que o dólar caiu hoje? MP do IOF derrubada e IPCA pressionam o mercado
Dólar recua nesta quinta-feira (9) após queda da MP do IOF. Governo busca novas estratégias para cumprir metas fiscais.
Com a perda de validade da proposta no Congresso, cresce a pressão sobre o Ministério da Fazenda para apresentar novas estratégias fiscais que garantam o cumprimento da meta de déficit zero para o próximo ano, conforme anunciado anteriormente por Fernando Haddad.
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Qual a cotação do dólar hoje, 9 de outubro de 2025?
Às 9h10, o dólar à vista apresentava queda de 0,29%, cotado a R$ 5,329 na venda, de acordo com dados do mercado interbancário.
No mercado futuro da B3, o dólar para liquidação em novembro, o contrato mais líquido atualmente, cedia 0,15%, negociado a R$ 5,358.
Dólar comercial
- Compra: R$ 5,328
- Venda: R$ 5,329
Dólar turismo
- Compra: R$ 5,542
- Venda: R$ 5,362
Apesar da leve queda, a cotação segue em patamares elevados, refletindo incertezas no cenário fiscal doméstico e as oscilações internacionais da moeda norte-americana.
Derrota na Câmara pressiona governo e afeta expectativas fiscais
Na quarta-feira (8), o governo sofreu um duro revés político com a queda da MP que eliminava a isenção de IOF sobre fundos de investimento e outras aplicações financeiras. A proposta era parte do esforço para aumentar a arrecadação e ajudar a fechar o rombo fiscal de 2025.
O fim da vigência da medida, por falta de votação no prazo regimental, acendeu um sinal de alerta nos mercados e entre analistas econômicos, que já avaliam o risco de o governo não conseguir cumprir suas metas fiscais sem novas fontes de receitas ou cortes mais profundos nas despesas.
Haddad promete apresentar alternativas a Lula

Em resposta à derrota, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira que levará novas propostas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda nesta semana.
“Vamos apresentar um conjunto de alternativas para reequilibrar o orçamento. A decisão do Congresso foi respeitada, mas seguimos comprometidos com a meta fiscal”, afirmou Haddad em coletiva no Ministério da Fazenda.
Entre as medidas que podem ser avaliadas estão:
- Revisão de incentivos fiscais a setores específicos;
- Redução de despesas discricionárias;
- Aumento de receitas via fiscalização tributária mais intensa;
- Estímulo à formalização do mercado de trabalho, aumentando a base de arrecadação.
Reação do mercado: dólar cede com expectativa de ajuste fiscal
Apesar da derrota no Congresso, o dólar abriu o dia em queda frente ao real, refletindo uma aposta dos investidores na capacidade do governo de reagir com novas medidas de contenção de gastos ou aumento de arrecadação.
Especialistas consultados pelo BBI e pela Reuters destacam que o movimento também acompanha uma leve melhora no apetite por risco nos mercados globais, o que favorece moedas de países emergentes como o Brasil.
Segundo relatório matinal do Itaú BBA, o real “continua sensível ao noticiário fiscal, mas ainda encontra suporte em fundamentos como superávit comercial e reservas internacionais estáveis”.
IPCA sobe 0,48% em setembro e pressiona política monetária
Enquanto o câmbio reage à pauta fiscal, o mercado também repercute os dados da inflação divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,48% em setembro, revertendo a deflação de 0,11% em agosto.
No acumulado de 12 meses, a inflação oficial do país chegou a 5,17%, pouco abaixo das expectativas do mercado, que estimavam alta de 5,22%.
| Índice | Resultado | Expectativa | Mês anterior |
|---|---|---|---|
| IPCA (mensal) | +0,48% | +0,52% | -0,11% |
| IPCA (12 meses) | +5,17% | +5,22% | +4,61% |
Impacto na política de juros
Com os dados de setembro, o IPCA volta a se distanciar da meta de inflação do Banco Central, que é de 3,0% para 2025, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
O resultado pode influenciar as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), especialmente se os sinais de alta persistente se confirmarem.
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Quais os principais fatores que influenciam o dólar hoje?
1. Política fiscal incerta
A derrubada da MP do IOF compromete o plano de arrecadação extra do governo, que esperava entre R$ 10 bilhões e R$ 13 bilhões com a medida. A falta de alternativas claras pressiona o câmbio.
2. Inflação acima da meta
Com o IPCA acima do projetado, cresce o receio de que o Banco Central modere o ritmo de cortes na Selic, o que pode manter os juros elevados por mais tempo — fator que afeta o fluxo de capital estrangeiro.
3. Cenário externo
O dólar também sofre influência do ambiente internacional. Nesta quinta, a moeda americana operava em leve desvalorização frente a outras moedas, em meio a sinais mistos da economia dos EUA e expectativa por novos dados de emprego e inflação.
Expectativas para o dólar nas próximas semanas

Analistas veem volatilidade no curto prazo
O cenário fiscal brasileiro, agora mais frágil após a derrubada da MP, deve manter o dólar volátil nas próximas semanas, segundo economistas. A expectativa é de que o governo Lula sinalize rapidamente novas medidas de ajuste para tranquilizar os investidores.
“Sem uma reação imediata e crível por parte da Fazenda, o dólar pode voltar a se aproximar de R$ 5,40, especialmente com as pressões inflacionárias em alta”, afirma relatório da XP Investimentos.
Tendência de médio prazo depende da resposta do governo
Caso as novas medidas a serem apresentadas por Haddad sejam bem recebidas pelo Congresso e tragam sinais de responsabilidade fiscal, o real pode voltar a se apreciar frente ao dólar.
Por outro lado, a insistência em medidas impopulares ou dificuldades de aprovação no Congresso podem elevar o risco fiscal e empurrar a cotação para patamares mais elevados.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
