O dólar à vista apresentava queda frente ao real na manhã desta quinta-feira, 5 de junho de 2025, em meio a um cenário de aversão moderada ao risco e frustração com os últimos indicadores econômicos divulgados nos Estados Unidos. Às 10h21, a moeda americana recuava 0,72%, cotada a R$ 5,5959 na venda, revertendo parte da alta da véspera.
Dólar recua em meio a negociações comerciais e indicadores dos EUA; bolsa oscila
Dólar recua com temores sobre guerra comercial dos EUA sob Trump. Veja como dados fracos e decisões fiscais no Brasil influenciam o câmbio.
A desvalorização reflete a preocupação global com os efeitos da política comercial do ex-presidente Donald Trump, que voltou a adotar uma postura protecionista agressiva com a imposição de tarifas sobre importações em sua chamada “agenda do Dia da Libertação”.
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Impacto Direto dos Dados Econômicos nos EUA
Relatórios apontam fragilidade econômica
A divulgação de novos dados econômicos para o mês de maio revelou uma fragilidade acima do esperado na maior economia do mundo. O relatório da ADP, divulgado na quarta-feira (4), mostrou uma criação de vagas muito abaixo das projeções do mercado no setor privado, alimentando a visão de desaquecimento no mercado de trabalho.
No mesmo dia, o índice do setor de serviços do Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) veio abaixo de 50 pontos, sinalizando contração da atividade. Juntos, esses indicadores criaram uma pressão negativa sobre o dólar, com investidores reavaliando as consequências da política comercial de Trump e o possível risco de uma desaceleração prolongada.
Pedidos de auxílio-desemprego aumentam
O dado mais recente, divulgado nesta manhã, reforçou o sentimento de cautela. O Departamento do Trabalho dos EUA informou que os pedidos semanais de auxílio-desemprego subiram para 247 mil, número acima da expectativa de 235 mil.
Esse resultado indica que o mercado de trabalho norte-americano pode estar enfrentando uma deterioração mais rápida do que o previsto.
A Guerra Comercial e a Nova Estratégia de Trump
Tarifa mínima sobre todas as importações
No fim de abril, o ex-presidente Trump instituiu tarifas de 10% sobre todas as importações como parte de uma política batizada de “Dia da Libertação”. Embora tenha estabelecido uma pausa de 90 dias para negociações, a medida já teve impacto direto no comércio exterior dos EUA.
Déficit comercial ainda elevado, mas abaixo do esperado
Os dados de abril mostraram um déficit comercial de US$ 61,6 bilhões, levemente melhor do que o projetado. Contudo, os economistas alertam que o efeito pleno das tarifas ainda está por vir e pode comprometer seriamente o crescimento econômico norte-americano ao longo do segundo semestre.
Reação do Mercado Cambial Global
Dólar em queda no exterior
O índice do dólar (DXY), que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas principais, recuava 0,15%, a 98,653 — um dos menores níveis dos últimos anos.
Essa movimentação impulsiona moedas de países emergentes, como o real, o peso mexicano e o rand sul-africano, diante da fragilidade do dólar.
Ibovespa Avança com Cautela
Mercado de ações reage com estabilidade
Enquanto o dólar cedia, o Ibovespa subia 0,02%, alcançando 137.030,41 pontos às 10h21. O movimento reflete a atuação equilibrada dos investidores, que seguem avaliando o cenário internacional, mas também observam o quadro fiscal brasileiro, que impõe limites para ganhos mais expressivos na bolsa.
Política Monetária no Radar: BCE Reduz Juros

Europa aposta em novo corte de juros
No cenário internacional, também chamou atenção a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de reduzir novamente a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, levando-a a 2,0% ao ano. O objetivo é estimular o crescimento da economia do bloco, que vem apresentando sinais de estagnação.
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Essa redução pressiona ainda mais o dólar globalmente e estimula fluxo de capitais para ativos de risco, como ações e moedas emergentes.
Pressões Fiscais Internas Limitam Avanço do Real
Discussão sobre o IOF gera incertezas
No Brasil, o cenário fiscal segue como um fator de contenção para a valorização do real. O governo federal enfrenta resistências no Congresso após publicar um decreto que eleva as alíquotas do IOF, buscando aumentar a arrecadação diante das dificuldades de cumprimento das metas fiscais.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo apresentará propostas alternativas a lideranças partidárias em reunião no domingo, na tentativa de aliviar a pressão política e econômica.
Aumento da desaprovação de Lula preocupa o mercado
Pesquisas recentes mostram queda na aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que tem gerado receios entre investidores sobre a possibilidade de o governo recorrer a medidas de estímulo fiscal populistas para tentar reverter o desgaste político.
Segundo o especialista em câmbio da One Investimentos, Matheus Massote, “a queda na aprovação cria um pequeno temor no mercado de que isso possa ser acompanhado com medidas que aumentam os gastos”.
Expectativas para Sexta-Feira: Payroll no Centro das Atenções

O relatório oficial de emprego dos EUA (payroll), previsto para sexta-feira (6), será o próximo grande teste para o mercado financeiro. Caso o resultado confirme os sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho, pode haver nova rodada de desvalorização do dólar, com reflexos positivos para o real.
Possibilidade de corte de juros nos EUA aumenta
Dados fracos sustentam a tese de que o Federal Reserve poderá antecipar um corte de juros ainda em 2025, o que pressionaria ainda mais o dólar. Essa possibilidade já é considerada por parte do mercado, embora o Fed tenha adotado postura cautelosa nas últimas comunicações.
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