Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Dólar ronda R$ 5,12 e Ibovespa recua com mercado de olho em novos cortes da Selic

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 8 min de leitura
Dólar

O dólar opera perto de R$ 5,12 nesta terça-feira (22), enquanto o Ibovespa recua, em uma sessão marcada pela divulgação da ata da reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O documento detalhou as razões para o quinto corte consecutivo da taxa Selic e trouxe novas informações sobre como a autoridade monetária avalia os próximos passos dos juros.

Às 14h40, o dólar comercial era negociado a R$ 5,116 na venda, alta de 0,15% em relação ao fechamento anterior. Na segunda-feira (21), a moeda havia recuado 0,7%. No mercado acionário, o Ibovespa trabalhava em baixa, refletindo a cautela dos investidores diante da sinalização do Banco Central.

A principal questão para os agentes financeiros agora é saber até onde pode ir o atual ciclo de redução da Selic. A ata reforçou que novas decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos, especialmente inflação, atividade e expectativas para os preços.

Leia mais:

INSS anuncia mais de R$ 4 milhões para modernizar agências no Rio

O que explica a alta do dólar nesta terça-feira

Dólar
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O movimento do câmbio ocorre em um ambiente de avaliação das novas informações fornecidas pelo Banco Central. A ata da 281ª reunião do Copom trouxe uma avaliação de que a atividade econômica brasileira vem perdendo força, ao mesmo tempo em que a inflação apresenta sinais de desaceleração.

Na prática, investidores tentam interpretar se esse quadro permitirá que o Banco Central continue reduzindo os juros ou se será necessário manter uma postura mais restritiva por mais tempo.

O dólar, por sua vez, também responde a fatores externos, às condições dos mercados internacionais e à percepção de risco dos investidores. Por isso, a divulgação da ata é apenas um dos elementos que influenciam a cotação da moeda.

Na sessão anterior, o dólar havia fechado a R$ 5,108, enquanto o Ibovespa subiu 0,74%, aos 186.595 pontos. A expectativa por novos cortes de juros ajudou a sustentar o mercado na segunda-feira.

Por que a ata do Copom mexe com o dólar e com a Bolsa

A ata é divulgada alguns dias depois da decisão sobre a Selic e apresenta uma explicação mais detalhada das avaliações feitas pelos integrantes do Copom.

O documento funciona como uma referência para o mercado porque ajuda investidores e economistas a entenderem quais fatores podem influenciar as próximas decisões sobre os juros.

Quando existe expectativa de redução da Selic, alguns investimentos de renda fixa passam a oferecer retornos relativamente menores. Isso pode alterar a alocação de recursos dos investidores e aumentar o interesse por ativos de maior risco, como ações.

O câmbio também pode reagir porque a diferença entre os juros brasileiros e os praticados em outros países influencia os fluxos de capital. A reação, porém, não é automática: fatores fiscais, inflação, atividade econômica e cenário internacional também entram na formação dos preços.

Selic caiu para 13,75% ao ano

Na reunião realizada em setembro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo realizado pelo Banco Central.

Desde o início do ciclo de flexibilização, a taxa acumulou uma redução de 1,25 ponto percentual. Mesmo assim, o nível dos juros permanece elevado, e o Banco Central continua classificando a política monetária como restritiva.

A decisão de setembro também não significou um compromisso com novas reduções. O Copom reforçou que as próximas decisões serão tomadas de acordo com a evolução dos dados econômicos.

O que o Banco Central está observando

Entre os principais pontos considerados pelo Copom estão:

  • comportamento da inflação;
  • expectativas de inflação;
  • nível de atividade econômica;
  • evolução do mercado de crédito;
  • condições do mercado de trabalho;
  • cenário fiscal;
  • ambiente econômico internacional.

A combinação desses fatores será utilizada para determinar o ritmo e a duração do processo de redução dos juros.

Economia dá sinais de desaceleração

Um dos elementos destacados na ata foi o enfraquecimento da atividade econômica após um período de crescimento mais forte.

Segundo informações divulgadas a partir do documento, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre, com sinais de perda de força especialmente em componentes mais sensíveis aos juros, como o consumo das famílias.

O mercado de crédito também apresentou comportamentos distintos. Algumas modalidades de financiamento de prazo mais longo perderam força, enquanto linhas direcionadas, geralmente submetidas a condições específicas, continuaram apresentando crescimento.

Para a política monetária, uma economia menos aquecida pode contribuir para reduzir pressões sobre os preços. Esse é um dos elementos que ajudam a explicar a continuidade dos cortes da Selic.

Inflação ainda exige cautela

Apesar da desaceleração da inflação, o Banco Central ainda vê riscos que impedem uma sinalização mais firme sobre cortes futuros.

O IPCA acumulado em 12 meses estava em 4,22%, segundo os dados citados na repercussão da ata, acima da meta de inflação de 3%. Além disso, as expectativas para a inflação permanecem acima do objetivo perseguido pela autoridade monetária.

A ata também apontou preocupações relacionadas ao cenário fiscal. Para o Banco Central, políticas que aumentem a demanda podem dificultar a convergência da inflação para a meta caso ocorram em um ambiente de capacidade produtiva mais limitada.

Por isso, mesmo com a economia perdendo força, o Copom sinalizou que pretende manter cautela.

Mercado espera novas quedas da Selic?

A possibilidade de novos cortes permanece no radar dos investidores, mas não há uma garantia de que eles ocorrerão.

O próprio Banco Central afirma que suas decisões dependerão da evolução do cenário econômico. Isso significa que uma nova redução dependerá de fatores como inflação, expectativas de preços, atividade econômica e condições financeiras.

O Boletim Focus citado nas informações divulgadas nesta terça-feira aponta expectativa de mais uma redução de 0,25 ponto percentual até o fim de 2026, levando a Selic a 13,5% ao ano. Trata-se, porém, de uma projeção de mercado, e não de uma indicação oficial do Banco Central.

Essa diferença é fundamental: o mercado pode projetar determinado caminho para os juros, enquanto o Copom mantém suas decisões condicionadas aos dados que serão conhecidos até cada reunião.

O que a ata significa para quem investe

Para investidores, a divulgação do documento aumenta a quantidade de informações disponíveis para avaliar o cenário de juros.

Uma trajetória de queda da Selic tende a alterar a relação entre investimentos de renda fixa e ativos de risco. Títulos pós-fixados, ações, fundos imobiliários e outros investimentos podem reagir de maneiras diferentes às mudanças nas expectativas de juros.

Isso não significa que uma queda da Selic fará todos os ativos subirem. O preço de cada investimento também depende de seus próprios fundamentos, das expectativas de lucro, do risco percebido e das condições do mercado.

Para quem não investe diretamente em Bolsa, a política monetária também tem efeitos sobre crédito, financiamentos, empréstimos e aplicações financeiras.

Próxima reunião do Copom será em novembro

A próxima reunião do Copom está prevista para novembro de 2026. Até lá, novos dados de inflação, atividade econômica e mercado financeiro deverão influenciar as expectativas sobre a trajetória da Selic.

Por isso, o comportamento do dólar e da Bolsa continuará sendo acompanhado em conjunto com os indicadores econômicos e com novas declarações do Banco Central.

A ata divulgada nesta terça-feira não determina antecipadamente o que acontecerá na próxima reunião. Ela oferece, sobretudo, uma fotografia das condições econômicas e dos riscos considerados pelo Comitê no momento da decisão.

O que acompanhar daqui para frente

Dólar
Imagem: vecstock – freepik

Para entender os próximos movimentos do mercado, os investidores devem observar principalmente os novos dados de inflação, atividade econômica e expectativas coletadas pelo Banco Central.

Também será necessário acompanhar o ambiente externo, já que decisões de outros bancos centrais, preços de commodities e movimentos de aversão ou busca por risco podem provocar alterações relevantes no câmbio e na Bolsa.

No Brasil, a principal referência continuará sendo a evolução da inflação em relação à meta e a avaliação do Banco Central sobre a necessidade de manter uma política monetária restritiva.

Conclusão

O dólar opera próximo de R$ 5,12 e o Ibovespa registra queda nesta terça-feira após a divulgação da ata do Copom. O documento confirmou que o Banco Central vê sinais de desaceleração da economia e de melhora da inflação, mas continua preocupado com riscos que podem dificultar a convergência dos preços para a meta.

A Selic está em 13,75% ao ano, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. O mercado trabalha com a possibilidade de novas reduções, mas o Banco Central não antecipou uma trajetória definida e reforçou que suas próximas decisões dependerão dos dados econômicos.

Compartilhar