O dólar iniciou a manhã de quinta-feira (30/10), em alta frente ao real, seguindo o movimento de valorização da moeda norte-americana no cenário internacional. A principal razão para o avanço foi o anúncio de um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China, feito pelo presidente norte-americano Donald Trump, após reunião com o presidente chinês Xi Jinping, em Busan, na Coreia do Sul.
Dólar sobe e analistas projetam os próximos passos do câmbio no Brasil
Dólar sobe após acordo de Trump e Xi para reduzir tarifas, enquanto corte de juros pelo Fed mantém incertezas no mercado.
Às 9h35, o dólar à vista subia 0,38%, cotado a R$ 5,3785 na venda. Já na B3, o contrato de dólar futuro com vencimento mais próximo avançava 0,40%, a R$ 5,3810. O movimento reflete tanto o alívio no conflito tarifário quanto a postura cautelosa do Federal Reserve (Fed) em relação à política de juros dos EUA.
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Entenda o acordo entre Trump e Xi Jinping
Redução de tarifas e promessas mútuas
O encontro entre Trump e Xi resultou em uma série de compromissos com impacto direto no comércio global e nas expectativas dos investidores. Dentre os principais pontos do acordo:
- Redução das tarifas de importação dos EUA sobre produtos chineses de 57% para 47%;
- Retomada da compra de soja norte-americana pela China;
- Colaboração da China para reprimir o comércio ilegal de fentanil;
- Pausa temporária nos controles de exportação chinesa de terras raras.
Esses pontos foram suficientes para melhorar o humor do mercado internacional, impulsionando o dólar em todo o mundo.
Combate ao fentanil: prioridade dos EUA
O fentanil, um opioide sintético altamente letal, tem sido a principal causa de mortes por overdose nos Estados Unidos. O compromisso assumido por Xi Jinping de “trabalhar duro” para interromper o tráfico ilegal da substância foi considerado um dos grandes trunfos políticos do anúncio. O gesto chinês agrada não apenas os mercados, mas também a opinião pública norte-americana, num momento em que Trump busca fortalecer sua imagem como líder eficaz em segurança e comércio exterior.
Reações do mercado: dólar se valoriza frente ao real e outras moedas emergentes
O impacto do anúncio foi quase imediato. O dólar subiu não só no Brasil, mas também em relação a outras moedas emergentes, como:
- Peso chileno;
- Peso mexicano;
- Rand sul-africano.
O movimento reflete o clássico “voo para a segurança”, com investidores se posicionando em ativos considerados mais sólidos, como o dólar, diante de mudanças no cenário geopolítico e econômico.
Desempenho do índice do dólar
O índice do dólar (DXY) — que mede a força da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis moedas fortes — subia 0,30%, alcançando 99,432 pontos às 9h25. O índice já vinha em trajetória ascendente, impulsionado pelo tom mais duro do Fed na véspera.
Esse desempenho reforça a percepção de que o dólar tende a manter sua trajetória de alta no curto prazo, especialmente em meio a incertezas sobre novas decisões de política monetária nos EUA.
Corte de juros nos EUA: Fed sinaliza cautela

Decisão do Federal Reserve
Na quarta-feira, o Federal Reserve cortou sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, como o mercado previa. No entanto, o presidente do Fed, Jerome Powell, adotou um discurso de cautela e não garantiu novos cortes em dezembro, frustrando parte das expectativas.
Rendimento dos Treasuries sobe
Com o tom mais conservador do Fed, os rendimentos dos Treasuries de 10 anos voltaram a subir, movimento que reforça a atratividade do dólar. Isso aumenta a pressão sobre moedas de países com menor diferencial de juros, como o Brasil.
Impactos no Brasil: real perde força
A combinação entre:
- fortalecimento do dólar no exterior;
- expectativas mais modestas para cortes adicionais nos EUA;
- busca por segurança;
acabou pressionando a moeda brasileira nesta quinta-feira.
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Mesmo com o Banco Central brasileiro sinalizando manutenção de juros em patamar elevado, o real foi impactado pela força externa do dólar, movimento típico em momentos de realinhamento de expectativas internacionais.
Dólar futuro na B3: movimento semelhante

Na B3, o dólar futuro com vencimento mais próximo seguia a tendência do mercado à vista. Às 9h35, era negociado a R$ 5,3810, alta de 0,40%. O comportamento dos contratos futuros também reflete as expectativas de curto prazo, especialmente em relação à liquidez e ao ambiente internacional.
Análise técnica e perspectivas para o câmbio
Resistências e suportes
Com o novo impulso, o dólar rompeu resistências técnicas próximas a R$ 5,35, abrindo espaço para testar o patamar de R$ 5,40 nos próximos dias, segundo analistas técnicos. O suporte mais imediato permanece na faixa de R$ 5,30.
O que observar nos próximos dias?
- Desdobramentos do acordo EUA-China: Se o pacto evoluir para um tratado mais abrangente, o dólar pode se fortalecer ainda mais globalmente.
- Dados de emprego nos EUA: O payroll (relatório de emprego) pode mexer com as expectativas sobre novos cortes ou pausas do Fed.
- Política interna no Brasil: Questões fiscais e reformas estruturais continuam influenciando o câmbio.
O papel das terras raras no acordo
Por que são tão importantes?
As terras raras são elementos fundamentais na produção de carros elétricos, aviões, painéis solares, turbinas e até armas de alta tecnologia. A decisão da China de suspender o controle sobre essas exportações por um ano pode aliviar pressões sobre a cadeia global de produção — especialmente em um contexto de disputa tecnológica entre EUA e China.
Reflexo no mercado financeiro
A medida foi bem recebida pelo mercado por indicar avanços reais nas negociações, indo além de promessas vagas. Também ajudou a afastar, ao menos momentaneamente, o risco de novas retaliações comerciais entre as potências.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
