O dólar fechou a terça-feira (24) em leve alta de 0,28%, cotado a R$ 5,5194, após ter rompido brevemente o patamar de R$ 5,50 pela manhã. O movimento refletiu uma dinâmica típica de recomposição de posições por parte de agentes que aproveitaram a queda inicial da divisa norte-americana, puxada por fatores externos, como o cessar-fogo entre Israel e Irã.
Mercado: dólar sobe ligeiramente e fecha a r$ 5,51; Ibovespa também avança
Dólar fecha em alta de 0,28% após flutuar abaixo de R$5,50. Ibovespa sobe 0,45%, com alívio externo e foco nos leilões do BC.
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Intervenções do Banco Central no radar
A decisão do Banco Central de realizar dois leilões simultâneos nesta quarta-feira também foi destaque: um de venda à vista de US$1 bilhão e outro de swap cambial reverso, com o mesmo valor, mirando diretamente o cupom cambial.
A medida busca reduzir a pressão sobre contratos futuros de proteção cambial e, indiretamente, dar suporte ao real. Segundo especialistas, o movimento do BC pode diminuir a taxa do FRA de cupom de agosto, atualmente a mais líquida no mercado.
Cotações extremas ao longo do dia
Na mínima do dia, o dólar à vista chegou a ser negociado a R$ 5,4759 às 11h40, uma queda de 0,51%. Já na máxima, atingida às 15h56, foi a R$ 5,5246 (+0,37%). No mercado futuro, o contrato de dólar para julho — o mais líquido — avançou 0,40%, encerrando cotado a R$ 5,5228.
Ibovespa sobe com apoio de bancos e melhora no cenário global
Alívio após quatro quedas seguidas
O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 0,45%, aos 137.164,61 pontos, revertendo uma sequência de quatro sessões negativas. O índice chegou a marcar 138.156,24 pontos na máxima do dia, e 136.253,69 na mínima. O volume financeiro negociado totalizou R$ 21,3 bilhões.
Destaque para ações bancárias
Entre os papéis que mais contribuíram para o desempenho positivo do índice estiveram os de bancos. Itaú Unibanco PN subiu 1,89%, enquanto Bradesco PN teve alta de 0,3%, Banco do Brasil ON avançou 1,66% e Santander Brasil UNIT cresceu 1,82%. A valorização foi impulsionada por uma percepção de menor aversão ao risco e pelo alívio nos contratos de juros futuros.
Queda do petróleo impacta Petrobras
Por outro lado, a Petrobras foi um dos destaques negativos do dia. As ações preferenciais da estatal recuaram 1,97%, impactadas pela queda de 6,07% do petróleo tipo Brent no mercado internacional. A retração da commodity ocorreu em meio ao cessar-fogo no Oriente Médio, que reduziu o temor de interrupções no fornecimento global.
Reação ao cenário geopolítico: cessar-fogo entre Israel e Irã
Otimismo contido nos mercados
A trégua anunciada pelo presidente dos Estados Unidos na véspera entre Israel e Irã teve reflexos importantes no mercado global. Apesar de relatos de violações do acordo por ambos os lados, o anúncio foi visto como um possível freio às tensões militares na região, o que ajudou a reduzir a busca por ativos de proteção, como o dólar.
Menor risco de choque no petróleo
A ausência de impactos relevantes nas rotas de petróleo também pesou na correção de preços da commodity. O mercado, que antes havia precificado uma escalada mais forte do conflito, agora ajusta suas apostas diante de um ambiente geopolítico mais estável.
Política monetária: Selic mantida e juros em foco

Ata do Copom reforça pausa prolongada
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, divulgada nesta terça, confirmou que a Selic deve permanecer em 15% por um “período bastante prolongado”. O documento indicou que, embora o ciclo de alta tenha sido interrompido, os efeitos contracionistas da política monetária ainda estão por vir.
Segundo o texto, a manutenção dos juros elevados é essencial para reancorar as expectativas de inflação, que seguem acima da meta de 3%.
Cortes na Selic apenas no fim de 2025 ou 2026
O Goldman Sachs avalia que, mesmo com o possível arrefecimento da atividade, o BC só deve considerar cortes a partir do final de 2025, sendo mais provável que isso ocorra apenas no segundo trimestre de 2026.
Leilões cambiais do BC: objetivos e efeitos esperados
Venda à vista e swap reverso simultâneos
Os leilões simultâneos que serão realizados nesta quarta-feira visam atuar nas duas pontas do mercado cambial. O leilão à vista injeta dólares diretamente no mercado, enquanto o swap reverso retira proteção cambial anteriormente concedida — funcionando como uma recompra de contratos.
Esse tipo de operação sinaliza que o BC pretende ajustar a curva de cupom cambial e prover liquidez para rolagem de contratos futuros. A operação também afeta a taxa do FRA de cupom, hoje pressionada acima de 6%.
Expectativa do mercado
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No mercado, a percepção é de que o BC viu uma demanda por dólares à vista nos próximos dias e decidiu agir preventivamente. Analistas afirmam que o movimento pode reduzir o estresse no mercado cambial e contribuir para estabilizar a cotação da moeda norte-americana.
Destaques do dia na bolsa de valores
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Altas:
- VAMOS LOCAÇÃO ON: +7,23%, impulsionada por recuo nas taxas de DI.
- IGUATEMI UNIT: +3,65%, após anúncio de venda de participações em shoppings.
- MULTIPLAN ON: +3,83% e ALLOS ON: +3,39%, acompanhando o setor.
- CVC BRASIL ON: +4,8%, com menor pressão de juros.
- MAGAZINE LUIZA ON: +2,13%, também beneficiada pelo alívio nos DIs.
Baixas:
- PETROBRAS PN: -1,97%, com queda do Brent.
- BRAVA ON: -6,9%, acompanhando recuo de outras petroleiras.
- PETRORECONCAVO ON: -4,67%, PRIO ON: -3,91%.
- VALE ON: -0,02%, com queda do minério de ferro na China.
- SÃO MARTINHO ON: -2,47%, após projeções pessimistas para a safra.
Movimentações relevantes fora do índice
A ação da C&A ON, fora do Ibovespa, subiu 2,64% após anunciar a recompra dos direitos de oferta de produtos financeiros que mantinha com o Bradesco. A operação envolveu R$650,6 milhões e encerrou uma longa parceria com a instituição financeira.
Perspectivas para os próximos dias

Reações ao leilão de quarta-feira
O comportamento do dólar e do Ibovespa nesta quarta-feira dependerá da efetividade dos leilões do BC. Caso a operação acalme os mercados e reduza o cupom cambial como esperado, é possível que o real recupere parte do terreno perdido e o Ibovespa mantenha o fôlego.
Olhar atento ao exterior
Apesar do cessar-fogo no Oriente Médio, o ambiente internacional segue com incertezas, especialmente em relação à política monetária dos EUA e ao desempenho da economia global. Qualquer escalada nas tensões geopolíticas ou novos dados econômicos podem impactar o mercado brasileiro.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
