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Dólar opera em alta após pacote orçamentário de Trump e preocupações com tarifas; Ibovespa recua

O dólar opera em alta nesta sexta-feira, enquanto o Ibovespa recua, influenciados pelo pacote orçamentário dos EUA aprovado por Trump e mais.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Soja

Nesta sexta (4), o dólar comercial opera em alta de 0,13%, sendo negociado a R$ 5,4125 por volta das 10h. Por outro lado, o principal índice da bolsa paulista, o Ibovespa, registra leve queda de 0,16%, aos 140.700 pontos. O cenário do mercado financeiro reflete uma combinação de fatores internacionais e domésticos que impactam os investidores.

Mercado reagindo ao pacote orçamentário de Trump

dólar mercado
Imagem: jcomp – freepik

Na véspera, o Congresso dos Estados Unidos aprovou um amplo pacote de cortes de impostos e aumento de gastos públicos, batizado informalmente de “One Big Beautiful Bill” (“Um grande e belo projeto”). A proposta prevê:

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  • Redução significativa de tributos;
  • Ampliação dos recursos para o controle da imigração;
  • Elevação dos gastos militares;
  • Revogação de incentivos para energia limpa implementados no governo Biden.

Este pacote deve aumentar a dívida pública americana em cerca de US$ 3,3 trilhões na próxima década, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO).

Efeitos no dólar e no mercado global

A aprovação do pacote orçamentário reacende dúvidas sobre a capacidade do governo americano de controlar suas contas públicas. Isso pode enfraquecer o dólar diante de outras moedas, porém, no curto prazo, há uma busca por proteção no ativo devido à volatilidade no cenário internacional, o que explica a alta moderada da moeda americana nesta sexta.

Além disso, a possibilidade de aumento de inflação, derivada da expansão dos gastos e do impacto das tarifas comerciais, pressiona o Federal Reserve (Fed) a manter juros elevados por mais tempo. A política monetária americana continua no radar dos investidores como um fator determinante para os fluxos internacionais de capitais.

Fim da suspensão das tarifas comerciais aumenta incertezas

Outra preocupação no mercado é o término da suspensão temporária do chamado “tarifaço” — taxas tarifárias elevadas impostas pelo governo Trump sobre produtos importados de vários países. O prazo de suspensão de 90 dias expirará em 9 de julho, e as autoridades americanas já anunciaram o envio de notificações aos países afetados, comunicando as taxas que passarão a vigorar..

Negociações comerciais em andamento

Apesar da pressão para restabelecer as tarifas, algumas nações buscam evitar o confronto comercial. O Canadá, por exemplo, cancelou recentemente um imposto sobre serviços digitais direcionado a empresas americanas, numa tentativa de destravar negociações. A União Europeia, por sua vez, exige alívios tarifários para setores estratégicos como condição para avanços nas tratativas.

Por enquanto, o mercado encara as tarifas com cautela, acompanhando os desdobramentos que podem impactar a inflação global e o ritmo de crescimento da economia mundial.

Cenário doméstico: impacto da decisão sobre o IOF

No Brasil, o ambiente econômico está marcado pela derrubada, pelo Congresso Nacional, do projeto que aumentaria o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Posicionamento do governo

O presidente Lula defendeu a judicialização da decisão, levando o tema ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao argumentar que a derrubada do aumento do IOF pelo Legislativo viola a separação dos poderes. A equipe econômica alertou que a perda de arrecadação pode chegar a R$ 10 bilhões ainda este ano, aumentando a pressão por novos cortes orçamentários.

Ibovespa recua apesar do bom desempenho recente

O Ibovespa, que vinha registrando ganhos consistentes, inclusive batendo recordes nos últimos dias, opera em queda discreta nesta sexta-feira, pressionado pelas incertezas globais e domésticas.

Perspectivas para a bolsa

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Embora o recuo atual seja modesto, o cenário macroeconômico instável, com o impacto do pacote orçamentário americano, a retomada das tarifas e os impasses fiscais no Brasil, pode limitar a confiança dos investidores no curto prazo. O desempenho do Ibovespa nos próximos dias dependerá da evolução dessas variáveis e da resposta das autoridades brasileiras e internacionais.

Dados recentes da economia americana reforçam cautela

A economia dos EUA mostrou sinais mistos nesta semana: a taxa de desemprego caiu para 4,1% em junho, com criação de 147 mil empregos, indicando um mercado de trabalho ainda firme. Por outro lado, o déficit comercial cresceu 18,7% em maio, enquanto o setor de serviços avançou, puxado por encomendas industriais, especialmente de aeronaves.

Liquidez reduzida no mercado por feriado nos EUA

Dólar
Imagem: Virrage Images / shutterstock.com

Nesta sexta-feira, o feriado da Independência nos EUA mantém os mercados do país fechados, o que reduz a liquidez global e deixa os ativos mais suscetíveis a oscilações causadas por notícias e acontecimentos pontuais.

Perguntas frequentes (FAQ)

Por que o dólar está subindo mesmo com o pacote orçamentário dos EUA aumentando a dívida?
Apesar do aumento da dívida pública, o dólar ainda é visto como ativo seguro diante da instabilidade global. A expectativa de juros mais altos também atrai investimentos na moeda americana.

Como o pacote de Trump afeta o mercado brasileiro?
O aumento da dívida e o potencial crescimento da inflação nos EUA podem gerar volatilidade no câmbio e afetar o fluxo de capitais, impactando o mercado acionário brasileiro.

Considerações finais

A combinação de baixa liquidez por conta do feriado nos EUA, dúvidas sobre a política monetária americana e instabilidade política no Brasil deve manter os mercados voláteis nos próximos dias. O momento exige atenção redobrada, análise criteriosa dos indicadores e cautela nas decisões de investimento.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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