O dólar comercial terminou a segunda-feira (28) em alta de 0,83% diante do real, cotado a R$ 5,2264, no maior nível de fechamento desde 30 de março. Apesar da valorização recente, a moeda norte-americana ainda acumulava queda de 4,78% no ano até o encerramento do pregão.
O movimento ocorreu em meio à valorização do dólar no exterior, à alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e à elevação dos preços do petróleo. No mercado brasileiro, o calendário eleitoral também entrou no radar dos investidores, em uma semana marcada por novas pesquisas e pela proximidade do primeiro turno.
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Por que o dólar subiu nesta segunda-feira?

A alta da moeda americana teve forte componente internacional. O avanço dos rendimentos dos Treasuries, títulos do governo dos Estados Unidos, aumentou a atenção dos investidores para o mercado americano, enquanto a valorização do petróleo trouxe novas preocupações sobre inflação.
O comportamento dessas variáveis pode afetar moedas de países emergentes, como o real. Quando aumenta a percepção de risco ou cresce a atratividade relativa de ativos denominados em dólar, investidores podem reduzir posições em mercados emergentes, pressionando o câmbio.
No Brasil, esse movimento externo foi acompanhado pelo ambiente político e econômico doméstico. Duas pesquisas eleitorais divulgadas nesta segunda-feira foram incorporadas às avaliações dos agentes financeiros, embora a reação do câmbio não possa ser atribuída exclusivamente ao cenário eleitoral.
Segundo avaliação citada pela imprensa especializada, o movimento começou principalmente com a força do dólar no exterior e posteriormente ganhou influência de fatores domésticos.
Dólar comercial hoje: qual foi a cotação?
O dólar à vista encerrou o pregão em R$ 5,2264, com valorização de 0,83%. Durante a sessão, a moeda chegou a R$ 5,2266.
Já o contrato futuro de dólar para outubro, o mais negociado na B3 naquele momento, avançava 0,67% às 17h03, para R$ 5,2285.
É importante diferenciar essa cotação da PTAX, calculada pelo Banco Central. A PTAX é uma taxa de referência apurada pela autoridade monetária e não corresponde necessariamente ao preço do dólar negociado em tempo real no mercado à vista. O Banco Central mantém séries oficiais específicas para as taxas de câmbio.
Focus eleva previsão de inflação para 2026
Outro fator importante do pregão foi a divulgação do Boletim Focus. A pesquisa do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos analistas para o IPCA de 2026 subiu de 4,92% para 4,99%.
A expectativa para o dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20, enquanto a previsão de crescimento do PIB foi reduzida de 1,88% para 1,86%.
Há uma diferença importante entre a projeção do Focus e a taxa efetivamente observada no mercado. O dólar fechou o dia acima de R$ 5,22, enquanto a mediana dos analistas continuava apontando R$ 5,20 para o encerramento do ano.
Além disso, o Focus representa expectativas coletadas junto ao mercado financeiro, e não uma previsão oficial do Banco Central. O próprio BC explica que o relatório reúne projeções para inflação, atividade econômica, câmbio e juros.
E a Selic?
Embora a projeção do Focus tenha ficado em 13,50% para o fim de 2026, a taxa Selic vigente após a reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) estava em 13,75% ao ano.
Na decisão de setembro, o Copom reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual e afirmou que continuará acompanhando a evolução da inflação e das expectativas para definir os próximos passos da política monetária.
A diferença entre a taxa atual e a expectativa para o fim do ano mostra que o mercado trabalha com possibilidade de novos ajustes nos juros, mas isso não significa que futuras decisões estejam previamente definidas.
O que a alta do dólar muda para o brasileiro?

A cotação da moeda americana afeta a economia brasileira de diversas maneiras. Produtos importados, componentes industriais, equipamentos, medicamentos e itens com preços vinculados ao mercado internacional podem sofrer influência do câmbio.
O petróleo também merece atenção. Como a commodity é negociada internacionalmente em dólar, uma combinação de petróleo mais caro e real depreciado pode aumentar as pressões sobre custos de combustíveis e transporte.
Por outro lado, empresas brasileiras exportadoras podem se beneficiar de uma cotação maior do dólar em determinadas situações, já que parte de suas receitas é obtida em moeda estrangeira. O efeito final depende do setor, da estrutura de custos e do grau de exposição cambial de cada companhia.
Para o consumidor, portanto, uma alta pontual do dólar não significa automaticamente que todos os preços subirão na mesma proporção. O impacto varia conforme o produto, a cadeia de produção e a duração do movimento cambial.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
