Após encerrar a última sexta-feira (1º) com uma queda de quase 1% e fechar abaixo da marca dos R$ 5,55, o dólar voltou a recuar nesta segunda-feira (4), refletindo o clima de cautela global e local. Investidores acompanham atentamente os desdobramentos da política monetária nos Estados Unidos, enquanto, internamente, o impasse comercial entre Brasil e EUA adiciona incertezas ao cenário cambial.
Dólar volta a recuar diante de juros dos EUA e tensão tarifária
Dólar cai frente ao real com expectativa de juros mais baixos nos EUA e tensão entre Brasil e Washington.
A queda do dólar frente ao real foi sustentada também por fatores como a alta no preço do minério de ferro, indicador relevante para o desempenho da balança comercial brasileira.
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Cotação do dólar hoje: comercial e turismo

Nesta segunda-feira, o dólar comercial operava com:
- Compra: R$ 5,514
- Venda: R$ 5,515
Já o dólar turismo era negociado em:
- Compra: R$ 5,59
- Venda: R$ 5,77
O movimento representa continuidade da tendência de valorização do real observada na semana passada, quando a moeda norte-americana registrou baixa de 0,98%, fechando a R$ 5,5453.
Clima externo: juros e política nos EUA
A possibilidade de redução dos juros nos Estados Unidos segue no radar dos investidores internacionais. Com a renúncia da diretora Adriana Kugler, o ex-presidente Donald Trump sinalizou que pretende anunciar um novo nome para o Federal Reserve ainda esta semana, gesto que pode indicar mudanças na condução da política monetária americana caso ele retorne ao poder.
Trump também indicou que substituirá a comissária do Escritório de Estatísticas do Trabalho, Erika McEntarfer, após criticar o fraco desempenho do relatório de empregos em julho — movimento que reforça o tom intervencionista em temas econômicos.
Tensão tarifária entre Brasil e EUA
Enquanto isso, as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos passam por momento delicado, com o governo norte-americano preparando a implementação de tarifas “recíprocas” a produtos de 69 países, incluindo o Brasil.
A medida deve incluir uma sobretaxa de 50%, o que preocupa o governo brasileiro. Apesar do tom amistoso de Trump — que declarou: “Lula pode falar comigo a qualquer momento. Vamos ver o que acontece com o Brasil. Eu amo as pessoas de lá” — o ex-presidente americano também voltou a criticar o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que as tarifas devem ser aplicadas independentemente das negociações em andamento. A sinalização preocupa setores da economia brasileira que mantêm laços comerciais com os EUA, especialmente no agronegócio e indústria.
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Atuação do Banco Central e leilões de swap cambial
Diante da instabilidade, o Banco Central brasileiro iniciou nesta segunda-feira a rolagem dos contratos de swap cambial tradicional, com vencimento em 1º de setembro de 2025. O leilão envolveu até 35 mil contratos, o equivalente a US$ 1,75 bilhão, com objetivo de conter oscilações no câmbio e garantir liquidez ao mercado.
Além disso, o BC também autorizou um aumento de capital de R$ 1 bilhão no Banco Master, que agora passa a ter patrimônio de R$ 4,763 bilhões, reforçando a posição de capital do setor financeiro.
Dados econômicos e expectativas

A semana promete ser movimentada com a divulgação de dados econômicos importantes. O mercado acompanha:
- A divulgação do Caged, com expectativa de aceleração na criação de vagas formais em junho, na comparação com maio;
- A ata da reunião do Copom, que será publicada nesta terça-feira (5) e deve esclarecer os rumos da política monetária brasileira;
- O Boletim Focus, publicado nesta manhã, que trouxe leve melhora nas projeções de inflação.
Segundo o Focus, a mediana para a inflação suavizada nos próximos 12 meses recuou de 4,44% para 4,39%. Para o IPCA de 2025, a expectativa caiu pela décima semana consecutiva, de 5,09% para 5,07%, ainda acima do teto da meta de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional.
Com Reuters e Estadão via MoneyTimes
