A evolução do Drex, projeto do Banco Central que visa digitalizar o real e implementar uma nova estrutura para o sistema financeiro nacional, tem movimentado o setor bancário. No entanto, o que muitos interpretaram como uma mudança de direção foi, na verdade, apenas um ajuste de comunicação, conforme explica João Gianvecchio, gerente de Inovação e Estratégia do banco BV. Segundo ele, o Drex mantém sua rota inicial de transformação estrutural, e os avanços continuam em ritmo acelerado, impulsionados pela maturidade crescente do mercado de criptoativos e pela preparação de bancos e instituições financeiras.
Drex faz ajuste na comunicação, mas não altera rota, garante executivo do BV
BV reforça apoio ao Drex, destacando avanços e benefícios aos clientes sem mudanças de rota.
Neste artigo, você entenderá como o Drex está sendo desenvolvido, como o BV está se posicionando frente a essa revolução e quais benefícios reais os clientes podem esperar com a implementação da moeda digital brasileira.
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Ajuste de comunicação, não de direção

Desde que o Banco Central começou a reavaliar o papel do Drex, que deixou de ser apenas uma versão digital do real para se tornar uma infraestrutura mais ampla, o mercado passou a especular sobre possíveis mudanças de trajetória no projeto. No entanto, João Gianvecchio esclarece que o processo foi apenas uma readequação na forma de comunicar os avanços e o propósito do Drex.
De acordo com ele, a maturidade do mercado de criptoativos contribuiu para a reinterpretação do projeto. “O mercado cripto, de tokenização, de blockchain como infraestrutura, amadureceu muito nos dois últimos anos, e não só com o Drex, com os testes todos que foram feitos”, explicou.
Crescimento do setor e papel das stablecoins
Um dos reflexos mais visíveis desse amadurecimento é o crescente interesse dos grandes players do setor financeiro em ativos digitais. Gianvecchio aponta as stablecoins, criptomoedas atreladas a ativos reais, como moedas fiduciárias, como protagonistas dessa nova fase.
Essas moedas têm sido vistas como soluções eficientes para pagamentos internacionais, funcionando como uma ponte entre o sistema tradicional e o mundo cripto. “São as queridinhas do mercado”, afirma o executivo.
Estruturação e foco no cliente
O BV tem investido fortemente em um time especializado em ativos digitais, voltado principalmente para a tokenização de ativos do mundo real. Hoje, cerca de 80% dos projetos da área estão focados em tornar os processos mais eficientes, com menor custo e maior segurança operacional.
Segundo Gianvecchio, o objetivo é adaptar a infraestrutura de produtos do banco para que esteja pronta quando o Drex for oficialmente lançado. Para isso, é preciso avançar também em questões regulatórias, já que há limitações impostas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre volumes de tokenização no mercado de capitais.
“O que falta é uma combinação de regulação, já que a CVM ainda dá uma limitação de volumes para estruturação de tokenizar mercado de capitais, e o próprio Drex.”
Ganhos operacionais e avanço tecnológico

O executivo do BV acredita que o Drex permitirá um ganho operacional considerável, especialmente ao fornecer um “trilho de liquidação” semelhante ao que o Pix representa hoje para transações financeiras.
Apesar dos desafios e da complexidade do projeto, Gianvecchio reforça que o ritmo de desenvolvimento está avançando rapidamente: “Se compara com outros momentos, a velocidade de amadurecimento da evolução tecnológica é muito mais rápida, muito maior”.
Mesmo com menos visibilidade pública neste momento, ele garante que os trabalhos técnicos continuam em andamento. A fase atual do piloto do Drex envolve a implementação de soluções de privacidade, o que traz novos desafios.
“O Drex não parou. Ele tem tido mais testes e os times técnicos do BC seguem trabalhando. Não teve nenhuma saída, solavanco.”
Segurança e digitalização na negociação de veículos
Um dos exemplos práticos do uso do Drex, segundo o executivo, é o setor de negociação de automóveis, área estratégica para o BV. Ele explica que o uso da tecnologia permitirá transações mais seguras, eliminando intermediários e riscos de fraude.
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“Primeiro, quando a pessoa vende hoje um veículo para um terceiro, tem um problema de não confiar na terceira parte, e o Drex resolve isso, já que tudo vai estar dentro de um contrato inteligente e, ao fazer a venda, uma parte pega o crédito e dispara em uma rede que está vendendo a posse, as coisas só acontecem quando o dinheiro chegar.”
Com o uso de contratos inteligentes, a transação só será finalizada quando todas as condições forem cumpridas, gerando uma jornada mais fluida e segura para o consumidor. Gianvecchio também destaca a redução de custos operacionais e a melhoria da experiência digital.
Expectativas para 2025 e visão estratégica
O BV pretende finalizar sua participação na nova fase de testes do Drex ainda em 2025. A meta é contribuir com o avanço regulatório e lançar produtos tokenizados já em sintonia com a nova infraestrutura financeira.
A instituição também observa de perto o mercado de stablecoins, especialmente com foco em operações de tesouraria, embora ainda não tenha planos para criar uma moeda própria sem o respaldo do Drex.
“O mercado deve seguir nesse trilho de amadurecimento e volumetria de negócios cada vez maior.”
Um novo capítulo para o sistema financeiro brasileiro
O Drex representa mais do que uma moeda digital, é uma transformação profunda da forma como os ativos e as transações serão geridos no Brasil. Com a confiança do setor bancário, o apoio de instituições como o BV e a evolução da regulação, o cenário está preparado para uma revolução financeira.
Com foco em eficiência, digitalização e segurança, o Drex tem tudo para se tornar um marco na modernização do sistema financeiro nacional, beneficiando instituições e clientes em todas as pontas do processo.
Com informações de: Exame
