Amado por uns e criticado por outros, o Drex voltou a ter holofotes recentemente após o secretário-executivo do Banco Central, Rogério Antônio Lucca, anunciar que a terceira fase do projeto está prevista para iniciar no segundo semestre de 2025. Essa etapa terá como foco a melhoria da qualidade na concessão de crédito no Brasil, um passo estratégico que mostra a singularidade da CBDC brasileira.
Drex e a inovação digital: porque o Brasil se torna único nesse meio?
O Drex, moeda digital do Banco Central, avança no Brasil com foco em inovação, tokenização e automação, diferenciando-se das CBDCs globais.
Diferentemente de outras moedas digitais emitidas por bancos centrais no mundo, o Drex não é apenas uma versão digital do real para pagamentos. Trata-se de uma infraestrutura avançada que visa transformar o sistema financeiro nacional por meio da tokenização e automação, abrindo espaço para bancos, fintechs e empresas desenvolverem serviços inovadores num ambiente regulado.

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O cenário internacional: mais de 130 países pesquisando
Até o momento, apenas três países lançaram oficialmente suas CBDCs: Bahamas, Jamaica e Nigéria. No entanto, 134 nações já iniciaram pesquisas e testes. Curiosamente, os Estados Unidos baniram formalmente as CBDCs de varejo em janeiro de 2025, adotando uma postura conservadora frente a essa tecnologia.
China: o e-CNY, o maior projeto em operação
O e-CNY, moeda digital do Banco Popular da China, é hoje o maior projeto de CBDC do mundo, com mais de 260 milhões de carteiras ativas e trilhões de yuans movimentados. Seu foco é o varejo, visando substituir parcialmente o dinheiro físico, fortalecer pagamentos e ampliar o controle estatal sobre o sistema financeiro.
Estados Unidos: rejeição à CBDC de varejo
Sob a administração Trump, os EUA proibiram o desenvolvimento de CBDCs de varejo, devido a preocupações com privacidade e liberdade individual. Ainda assim, o país investe em soluções para o mercado atacadista e incentiva stablecoins privadas lastreadas no dólar.
Euro digital: equilíbrio entre inovação e estabilidade
O Banco Central Europeu desenvolve o Digital Euro, voltado para pagamentos de varejo com foco em privacidade e funcionalidade offline. O projeto mantém uma postura cautelosa para preservar o sistema bancário atual, rejeitando o uso como reserva de valor e oferecendo taxas diferenciadas para proteger a estabilidade financeira.
Como o Drex se diferencia das outras moedas digitais?
Infraestrutura tokenizada para inovação financeira
Enquanto muitos projetos buscam substituir o dinheiro físico ou reforçar o controle estatal, o Drex é concebido para ser uma infraestrutura flexível que promove a tokenização de ativos e a automação de contratos inteligentes. Isso significa que bancos, fintechs e empresas poderão criar produtos financeiros digitais inéditos, ampliando o acesso e a eficiência do sistema.
Foco na modernização e inclusão financeira
O projeto do Drex busca melhorar processos, como a concessão de crédito, oferecendo soluções mais ágeis e transparentes. A tokenização permite um ambiente mais seguro e rastreável, com potencial para reduzir custos e aumentar a confiança nas operações financeiras.
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Regulação sem concentração de poder estatal
Ao contrário do modelo chinês, o Drex atua em um ambiente regulado, mas sem concentração excessiva de poder no Estado. Isso cria um ecossistema aberto, competitivo e inovador, capaz de acompanhar as demandas da criptoeconomia global.
O futuro da criptoeconomia no Brasil e no mundo

Paradigmas em transformação
A criptoeconomia e a tokenização de dinheiro, bens e serviços representam um novo paradigma financeiro, ainda em evolução. Cada país tem uma visão e prioridades distintas, moldadas por seus contextos econômicos, políticos e sociais.
O Brasil como laboratório de inovação
Com um projeto ambicioso como o Drex, o Brasil se coloca entre os líderes globais em experimentação e desenvolvimento de CBDCs. O país aposta em uma infraestrutura aberta e tecnológica, capaz de integrar diferentes players e estimular o surgimento de soluções digitais eficazes.
Expectativas para o cotidiano
Ainda que o Drex esteja em fase de testes, as expectativas são altas. A proposta é que, no futuro próximo, a moeda digital impacte positivamente a vida dos brasileiros, facilitando pagamentos, empréstimos, investimentos e operações financeiras cotidianas.
