O projeto do Drex, nome oficial do real digital brasileiro, volta a ganhar destaque nas discussões públicas e nas redes sociais após declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que buscou esclarecer os objetivos da nova moeda digital emitida pelo Banco Central do Brasil (BCB). Durante entrevista ao Podcast 3 Irmãos, transmitida pelo YouTube no último sábado, Haddad negou que o Drex represente uma ferramenta de controle estatal da população e defendeu o foco na transparência fiscal.
Drex e o dinheiro do brasileiro: esclarecimentos de Haddad
Haddad nega uso do Drex para controle estatal. Veja como funciona o real digital, seus objetivos e diferenças em relação ao Bitcoin.
“Tem transparência, não tem controle. Não é pra isso que ele [o Drex] serve”, afirmou Haddad.
A fala do ministro ocorre em meio a um cenário de preocupações com privacidade, críticas nas redes sociais e avanço de projetos semelhantes em outros países, como o yuan digital na China e o euro digital na Europa. Com lançamento previsto para 2026, o Drex integra uma iniciativa do BCB para modernizar a infraestrutura financeira brasileira, ampliando o uso de ativos digitais e contratos inteligentes.
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O que é o Drex?
O Drex é a sigla escolhida para identificar a versão digital do real, e significa:
- D de “digital”
- R de “real”
- E de “eletrônico”
- X de “inovação e conexão”
A moeda digital do Banco Central é uma CBDC (Central Bank Digital Currency) — ou seja, uma moeda digital emitida por autoridade monetária oficial, com lastro no real físico e emissão sob controle da política monetária vigente.
Como vai funcionar o Drex?
Segundo o Banco Central, o Drex funcionará dentro de uma Plataforma de Registro Distribuído (DLT), utilizando tecnologias inspiradas no blockchain, como contratos inteligentes e ativos tokenizados. Contudo, o Drex não será uma criptomoeda, mas sim um real digital com curso legal, operado apenas por instituições financeiras autorizadas.
Elementos principais do ecossistema Drex:
- Token Drex: Representa o real digital e será emitido pelo Banco Central;
- Instituições intermediárias: Bancos, fintechs e cooperativas autorizadas converterão reais físicos e saldos em conta em tokens Drex;
- Plataforma Drex (DLT): Infraestrutura segura, com rastreabilidade e regras programáveis, voltada para a circulação dos ativos digitais e execução de contratos inteligentes.
Haddad: “Não é pra controle, é pra transparência fiscal”

Durante o podcast, o ministro Fernando Haddad enfatizou que o Drex não terá como finalidade o controle do dinheiro da população, como sugerido por parte das críticas ao projeto. Pelo contrário, segundo ele, a moeda digital poderá ampliar a visibilidade sobre as renúncias fiscais e garantir mais transparência nas movimentações públicas e privadas.
“A movimentação da moeda digital pode permitir ao governo e à sociedade civil acompanhar melhor onde estão as distorções do sistema tributário”, destacou Haddad.
O ministro ainda revelou preocupação com os ataques cibernéticos recentes ao sistema do Pix, citando que a implementação do Drex exige um ambiente cibernético seguro e confiável.
Segurança digital é prioridade após ataques ao Pix
A fala de Haddad ocorre após uma série de incidentes de vazamento de dados e tentativas de invasão registrados ao longo de 2025, envolvendo plataformas bancárias e o sistema de pagamentos instantâneo Pix. O Banco Central já confirmou que prepara um pacote de medidas de segurança para fortalecer a arquitetura digital do Drex, incluindo:
Medidas previstas:
- Restrições de acesso por prestadores externos de tecnologia (PSTIs);
- Redução de valores por transação em fases iniciais;
- Bloqueio temporário de transações acima de certos limites para checagem de segurança;
- Auditorias contínuas na rede DLT da plataforma Drex.
Diferenças entre o Drex e o Bitcoin
Um dos pontos centrais das discussões públicas sobre o Drex é a comparação com o Bitcoin (BTC) e outras criptomoedas. Embora ambos utilizem estruturas semelhantes como o blockchain, há diferenças fundamentais:
| Característica | Drex | Bitcoin |
|---|---|---|
| Controle | Emitido e regulado pelo BC | Descentralizado, sem governo |
| Finalidade | Meio de pagamento oficial | Reserva de valor e transações |
| Privacidade | Rastreável e programável | Pseudônimo, com maior anonimato |
| Lastro | Atrelado ao real | Sem lastro governamental |
| Intermediários | Bancos e instituições reguladas | Usuários diretos em carteiras |
| Imutabilidade | Parcial (permite correções legais) | Total, baseada em consenso |
O Drex será inserido na infraestrutura do sistema financeiro nacional (SFN), mantendo vínculos com a política fiscal e monetária do Estado, enquanto o Bitcoin foi concebido para operar fora do sistema bancário tradicional.
Por que o Banco Central está criando o Drex?
O objetivo do Drex é modernizar o sistema financeiro, tornar os processos mais eficientes, ampliar a inclusão digital e reduzir os custos operacionais. O BC também pretende:
- Facilitar a criação de ativos tokenizados, como títulos, seguros e aplicações;
- Automatizar transações via contratos inteligentes;
- Criar condições para serviços financeiros personalizados;
- Aumentar a competitividade entre instituições financeiras, inclusive abrindo espaço para fintechs.
Preocupações e críticas ao Drex
Apesar das declarações do governo, o Drex ainda é alvo de críticas por parte da sociedade civil, especialistas e entusiastas da privacidade digital. As principais preocupações giram em torno de:
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1. Rastreamento excessivo
Com a rastreabilidade total das transações, existe receio de que o governo possa usar os dados para monitorar a vida financeira dos cidadãos, mesmo sem autorização judicial.
2. Controle programável do dinheiro
A possibilidade de “programar” os tokens Drex para aceitar ou negar transações com base em regras predefinidas levantou debate sobre liberdade econômica.
3. Exclusão de não bancarizados
Se depender apenas de bancos e fintechs para funcionar, o Drex pode manter excluídos os brasileiros que ainda não têm acesso a contas digitais, embora o projeto afirme que a inclusão é uma de suas metas.
Etapas de implementação do Drex

A implementação do Drex ocorre em fases, sendo que o projeto-piloto com instituições autorizadas já foi iniciado em 2023. Os testes iniciais envolvem simulações de:
- Transferências entre contas em bancos diferentes;
- Emissão de ativos financeiros tokenizados;
- Pagamentos com regras programáveis.
Cronograma previsto:
- 2023-2024: testes fechados com instituições selecionadas;
- 2025: avaliação de segurança, ajustes e início da comunicação institucional;
- 2026: possível lançamento oficial para o público geral.
O que dizem especialistas?
Segundo Fábio Araújo, coordenador do Drex no Banco Central, a ideia é oferecer um ambiente digital mais eficiente que o Pix e mais robusto que o dinheiro em espécie.
Já economistas críticos apontam que o Drex só será bem-sucedido se conseguir equilibrar inovação com respeito à liberdade individual e garantias constitucionais, como sigilo bancário.
Imagem: José Cruz/Agência Brasil
