Duracell processa Energizer por anúncios que prometem bateria durar 10% mais
A rivalidade entre as principais marcas de baterias dos Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta junho de 2025.
A Duracell, reconhecida mundialmente por sua longa história no mercado de pilhas e baterias, entrou com uma ação judicial contra a Energizer, acusando a concorrente de veicular uma campanha publicitária considerada enganosa e prejudicial à sua reputação.
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O que motivou o processo judicial
Reclamações da Duracell
A queixa formal foi apresentada em 13 de junho de 2025, no tribunal federal de Manhattan, em Nova York. Segundo a Duracell — que faz parte do conglomerado Berkshire Hathaway, do investidor Warren Buffett —, a nova campanha da Energizer promoveu um anúncio que afirma que as baterias Energizer MAX duram 10% mais que as Duracell Power Boost.
De acordo com a Duracell, essa alegação não é apenas falsa, como também causou um “dano irreparável à reputação da marca”, incluindo a perda de boa vontade do público consumidor.
Base da contestação
A empresa argumenta que o índice de 10% de maior duração apresentado pela Energizer se baseia apenas em um único padrão da indústria para comparar as baterias AA. Porém, o desempenho das baterias é avaliado por diversos outros critérios, o que torna a comparação simplista e incompleta.
A Duracell destaca que a propaganda da concorrente induz os consumidores ao erro, apresentando dados parciais e ignorando outras variáveis importantes para a performance real das baterias.
A acusação formal da Duracell
No processo, a Duracell afirma que a publicidade da Energizer tem como único objetivo expandir sua participação de mercado às custas da marca rival, por meio de uma campanha que:
- Confunde e engana os consumidores sobre o desempenho real das baterias
- Utiliza propaganda falsa de forma explícita
- Busca aumentar as vendas de maneira injusta e desleal
A queixa enfatiza que a estratégia publicitária é uma tentativa “transparente e injusta” de ganhar vantagem competitiva no mercado.
A campanha publicitária da Energizer
Divulgação e alcance da propaganda
A nova campanha da Energizer foi lançada no início de junho e rapidamente ganhou espaço em diversos meios de comunicação, incluindo:
- Canais de televisão dos Estados Unidos
- Plataformas digitais como Facebook, Instagram e YouTube
A ampla divulgação potencializou o impacto da mensagem entre os consumidores, o que, segundo Duracell, amplifica o prejuízo causado.
O anúncio polêmico no YouTube
Um dos anúncios mais destacados apresenta o famoso mascote da Energizer, o Coelho Energizer, em uma disputa direta contra uma bateria visualmente semelhante à Duracell.
O vídeo reforça a mensagem central da campanha:
“Não há competição. A Energizer MAX dura 10% a mais que a Duracell Power Boost. Sem enrolação, só fatos.”
Essa frase, para Duracell, é a principal alegação enganosa que induz o consumidor a acreditar em uma superioridade que, na visão da empresa, não é comprovada de forma justa.
Reações e desdobramentos da disputa
Pedido de Duracell
A Duracell solicita ao tribunal que determine a interrupção imediata da veiculação dos anúncios da Energizer que contenham essa alegação. Além disso, busca indenização financeira pelos danos causados à sua imagem e reputação.
Posicionamento da Energizer
Até o momento, a Energizer não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo da ação judicial. Um porta-voz da empresa informou à CNN que não comenta processos judiciais em andamento, seguindo uma prática comum em disputas legais.
Contexto do mercado de baterias
Competição acirrada
O mercado de baterias domésticas e comerciais é altamente competitivo, com marcas buscando constantemente se destacar por meio de inovações tecnológicas e estratégias de marketing agressivas.
A disputa entre Duracell e Energizer é histórica, e ambas possuem fatias expressivas desse mercado global, o que torna qualquer disputa publicitária ainda mais relevante para consumidores e investidores.
Importância da credibilidade nas alegações
Em um mercado saturado, a confiança do consumidor é um dos maiores ativos das marcas. Propagandas consideradas enganosas podem gerar não apenas processos judiciais, mas também um desgaste significativo na reputação.
Marcas consolidadas investem em testes rigorosos para garantir que suas alegações possam ser comprovadas perante órgãos reguladores e o público.
Aspectos legais da propaganda enganosa
Regulamentação nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a Federal Trade Commission (FTC) é a entidade responsável por fiscalizar e regular as práticas de publicidade, garantindo que as informações divulgadas sejam verdadeiras e não induzam o consumidor a erro.
Campanhas consideradas enganosas podem sofrer sanções que vão desde multas até a obrigatoriedade de retirar anúncios do ar.
Precedentes em disputas entre marcas
Casos de processos por propaganda enganosa não são inéditos no setor de bens de consumo. Empresas frequentemente se utilizam do aparato jurídico para proteger seus interesses, buscando reverter possíveis danos à imagem.
A decisão judicial nesse caso pode servir de precedente para futuras disputas entre empresas do segmento.
Impactos para consumidores e mercado
Confusão e desinformação
Quando grandes marcas entram em conflito público por meio de acusações de propaganda enganosa, o consumidor final pode ficar em dúvida sobre qual produto realmente oferece melhor desempenho.
Essa incerteza pode afetar decisões de compra e influenciar a fidelidade às marcas.
Incentivo à transparência
Por outro lado, disputas como essa também pressionam as empresas a adotarem práticas mais transparentes e a investirem em testes técnicos que embasem suas campanhas publicitárias.
Considerações finais
A batalha judicial entre Duracell e Energizer expõe o quão acirrada é a disputa pelo mercado de baterias, um segmento estratégico e altamente lucrativo. Enquanto a Energizer investe em campanhas agressivas para alavancar suas vendas, a Duracell busca proteger sua imagem e credibilidade diante dos consumidores.
A decisão final do tribunal federal de Manhattan poderá impactar não só as duas marcas, mas também estabelecer parâmetros para futuras ações publicitárias no setor.
Até lá, os consumidores e o mercado acompanham atentos o desenrolar dessa disputa que, mais do que uma questão comercial, envolve a confiança do público e o respeito às normas de publicidade.
Este caso reafirma a importância da responsabilidade na comunicação das marcas, especialmente quando afirmam dados técnicos que influenciam diretamente a escolha do consumidor.