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CDI perde força na renda fixa? Veja o que muda para o investidor

Avatar de Bruna Cassana Machado Bruna Cassana Machado · · 15 min de leitura
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A redução da taxa Selic para 13,75% ao ano reacendeu uma dúvida entre investidores: chegou o momento de retirar o dinheiro das aplicações ligadas ao CDI? A resposta curta é não. Mesmo após o corte promovido pelo Banco Central, os juros brasileiros permanecem elevados e continuam favorecendo investimentos pós-fixados.

Isso não significa, porém, que todo o dinheiro precise ficar em CDBs, fundos DI ou no Tesouro Selic. A mudança no cenário abre espaço para diversificar a carteira, principalmente quando o investidor tem objetivos de médio e longo prazo e pode manter parte dos recursos aplicada até o vencimento.

O ponto central não é escolher entre CDI ou Tesouro IPCA+ como se apenas um deles pudesse fazer parte da carteira. Cada título desempenha uma função diferente. Enquanto o pós-fixado oferece estabilidade e liquidez, os papéis atrelados à inflação podem proteger o poder de compra e garantir uma taxa real por vários anos.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O CDI continua sendo uma alternativa bastante competitiva. Ele acompanha de perto a taxa Selic e serve como referência para a remuneração de CDBs, fundos de renda fixa, letras financeiras e diversos produtos bancários.

Quando um banco oferece um CDB que rende 100% do CDI, isso significa que o investimento acompanhará integralmente essa taxa de referência. Se o CDI permanecer próximo da Selic, a rentabilidade bruta continuará acima de 13% ao ano enquanto os juros forem mantidos nesse patamar.

É uma remuneração elevada para um investimento considerado conservador, sobretudo quando comparada ao histórico recente da economia brasileira. Portanto, a queda da Selic não transformou o CDI em uma aplicação ruim. Ela apenas reduziu um pouco o retorno esperado daqui para frente.

O Banco Central explica que a Selic é a taxa básica da economia e influencia tanto os juros cobrados em empréstimos e financiamentos quanto a remuneração de várias aplicações financeiras.

Por que a queda da Selic provoca tanta dúvida?

Quando a Selic começa a cair, o retorno futuro dos investimentos pós-fixados também diminui. Um CDB de 100% do CDI não garante a taxa existente no momento da aplicação, pois sua remuneração muda ao longo do tempo.

Imagine que uma pessoa invista R$ 10 mil em um CDB de 100% do CDI. Se o indicador permanecer próximo de 13,65% durante um ano inteiro, o ganho bruto ficaria em torno de R$ 1.365. Caso o CDI caia durante esse período, o rendimento final será menor.

Esse comportamento é diferente do observado em um título prefixado. No prefixado, a taxa é definida no momento da compra. Se o investidor contratar uma aplicação que pague 13% ao ano e mantiver o título até o vencimento, receberá a remuneração combinada, independentemente das decisões futuras do Banco Central.

No Tesouro IPCA+, a lógica também muda. O título paga a variação da inflação oficial, medida pelo IPCA, acrescida de uma taxa fixa. Assim, um papel com retorno de IPCA mais 7% ao ano promete preservar o poder de compra e acrescentar um ganho real, desde que seja mantido até o vencimento.

Abandonar o CDI agora seria um erro?

Para a maioria dos investidores, retirar de uma só vez todo o dinheiro do CDI seria uma decisão precipitada. O pós-fixado continua cumprindo funções essenciais dentro de uma carteira.

É nele que normalmente devem ficar a reserva de emergência, os recursos destinados a despesas próximas e o dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento. Aplicações pós-fixadas com liquidez diária tendem a oscilar pouco e permitem resgates com maior previsibilidade.

Trocar essa segurança por um Tesouro IPCA+ de vencimento longo pode criar um problema. Embora o título tenha proteção contra a inflação no vencimento, seu preço oscila durante o caminho. Quem precisar vender antecipadamente pode resgatar menos do que esperava e, dependendo do momento, até registrar prejuízo.

A decisão mais equilibrada, portanto, não costuma ser abandonar o CDI, mas separar o dinheiro conforme a finalidade.

Uma organização possível seria:

  • reserva de emergência em Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária;
  • despesas previstas para os próximos meses em aplicações pós-fixadas;
  • objetivos de médio prazo distribuídos entre pós-fixados, prefixados e títulos atrelados à inflação;
  • metas de longo prazo em Tesouro IPCA+ com vencimento compatível.

Essa divisão evita que o investidor precise vender um título volátil para pagar uma despesa inesperada.

Quando o Tesouro IPCA+ pode ser mais interessante?

O Tesouro IPCA+ pode fazer sentido para quem deseja proteger um objetivo futuro contra a inflação. A aplicação é frequentemente usada em planos de aposentadoria, formação de patrimônio, educação dos filhos ou compra de um imóvel daqui a vários anos.

Seu principal atrativo é o juro real. Quando um papel oferece IPCA mais 7% ao ano, por exemplo, a rentabilidade contratada fica sete pontos percentuais acima da inflação, antes do Imposto de Renda e das taxas aplicáveis.

Isso não significa que o investidor receberá exatamente o mesmo resultado em qualquer data. A taxa combinada vale para quem mantém o título até o vencimento. Antes disso, o valor de mercado pode subir ou cair.

Como funciona a marcação a mercado?

A marcação a mercado é a atualização diária do preço do título conforme as taxas negociadas naquele momento. Existe uma relação inversa: quando as taxas exigidas pelo mercado caem, o preço do título antigo tende a subir. Quando as taxas aumentam, seu preço normalmente diminui.

Considere um investidor que comprou Tesouro IPCA+ pagando inflação mais 8% ao ano. Meses depois, títulos semelhantes passam a oferecer IPCA mais 7%. Como o papel antigo paga uma taxa maior, ele se torna mais valioso e seu preço aumenta.

O movimento contrário também acontece. Se as taxas subirem para IPCA mais 9%, o título comprado a 8% perde atratividade no mercado e pode apresentar desvalorização temporária.

O próprio Tesouro Direto alerta que o valor de resgate antecipado varia conforme as condições do mercado. Por isso, rentabilidade contratada e rentabilidade obtida antes do vencimento não são necessariamente iguais.

Títulos longos oferecem mais retorno, mas exigem cuidado

Os títulos com vencimentos em 2040, 2050 ou datas ainda mais distantes são mais sensíveis às mudanças nas taxas de juros. Essa sensibilidade é chamada de duration. Quanto maior o prazo médio do fluxo financeiro, maior tende a ser a oscilação do preço.

Uma pequena queda nos juros pode gerar valorização expressiva em um papel longo. Por outro lado, uma alta da mesma intensidade pode provocar perda relevante para quem precisar sair antes do vencimento.

Por isso, o vencimento precisa combinar com o objetivo. Comprar um título para 2050 sem saber se será possível manter o dinheiro aplicado por tanto tempo transforma um investimento conservador no vencimento em uma posição arriscada durante o percurso.

Para quem ainda está começando, vencimentos intermediários podem facilitar o equilíbrio entre taxa, prazo e volatilidade. Mesmo assim, não existe uma data ideal para todos: a escolha depende de quando o dinheiro será usado.

Prefixados já são uma oportunidade?

Os títulos prefixados chamam atenção quando oferecem taxas elevadas, pois permitem travar uma remuneração nominal até o vencimento. O risco é a inflação acelerar e consumir parte do ganho.

Um prefixado de 14% ao ano pode parecer excelente. No entanto, se a inflação subir muito durante o período, o retorno real — aquilo que efetivamente aumenta o poder de compra — será menor.

Além disso, os prefixados também sofrem marcação a mercado. Se novas aplicações passarem a oferecer 15%, o papel adquirido a 14% perderá valor para uma venda antecipada. Se as taxas caírem para 12%, o título antigo poderá se valorizar.

Esse tipo de investimento tende a ser mais adequado quando:

  • o investidor acredita que os juros cairão;
  • a taxa contratada oferece margem diante da inflação esperada;
  • existe a possibilidade de levar o papel até o vencimento;
  • o prazo do título coincide com a data do objetivo.

A taxa alta, isoladamente, não torna o prefixado automaticamente vantajoso.

LCI e LCA podem superar um CDB de 100% do CDI?

LCIs e LCAs continuam atraindo investidores por causa da isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, conforme as regras aplicáveis a esses produtos. Essa vantagem permite que uma letra pagando menos de 100% do CDI supere o retorno líquido de um CDB.

Para fazer a comparação, é necessário olhar o rendimento depois dos impostos. Um CDB de 100% do CDI não entrega ao investidor todo o ganho bruto, pois há incidência de Imposto de Renda.

Na tabela regressiva tradicional da renda fixa, a alíquota diminui conforme o prazo:

  • 22,5% para aplicações de até 180 dias;
  • 20% entre 181 e 360 dias;
  • 17,5% entre 361 e 720 dias;
  • 15% acima de 720 dias.

Em um prazo superior a dois anos, um CDB que paga 100% do CDI entrega aproximadamente 85% do CDI após o Imposto de Renda, desconsiderando diferenças de datas, taxas e capitalização. Nesse cenário, uma LCI ou LCA de 90% do CDI pode oferecer resultado líquido maior.

A comparação, contudo, não termina na rentabilidade. O investidor também deve verificar carência, vencimento, possibilidade de resgate antecipado, qualidade da instituição emissora e cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

CDB de banco pequeno vale o risco?

Bancos menores costumam oferecer percentuais maiores do CDI para atrair recursos. Uma instituição grande pode pagar 100% do CDI, enquanto outra menor oferece 110%, 115% ou mais.

A remuneração adicional existe porque o risco e a necessidade de captação são diferentes. Antes de aplicar, é importante verificar se o produto está coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos e respeitar os limites da garantia.

O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, considerando o valor investido e os rendimentos acumulados. Também existe um limite global de R$ 1 milhão em garantias recebidas no período de quatro anos.

Isso não significa que todos os investimentos de renda fixa tenham cobertura. CDB, LCI e LCA estão entre os produtos elegíveis, mas títulos públicos, debêntures, CRIs, CRAs e fundos de investimento não são protegidos pelo FGC.

Também é prudente não aplicar exatamente R$ 250 mil em um único emissor. Os rendimentos entram no cálculo da cobertura e podem elevar o saldo acima do limite.

Crédito privado isento sempre vale mais a pena?

Debêntures incentivadas, certificados de recebíveis imobiliários, certificados de recebíveis do agronegócio e alguns fundos de infraestrutura podem oferecer rendimentos isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas. A isenção, entretanto, não elimina o risco de crédito.

Uma debênture é uma dívida emitida por uma empresa. Ao comprá-la, o investidor empresta dinheiro à companhia e passa a depender da capacidade de pagamento daquele negócio.

Por isso, é necessário comparar o retorno com o de um título público de prazo semelhante. Se a diferença for muito pequena, o investidor pode estar assumindo risco empresarial sem receber uma compensação adequada.

Também devem ser observados:

  • situação financeira da empresa;
  • garantias da emissão;
  • prazo do título;
  • facilidade para vender antes do vencimento;
  • concentração em um único emissor ou setor;
  • diferença de rentabilidade em relação ao Tesouro IPCA+.

A isenção tributária é uma vantagem, mas não deve ser o único critério da escolha.

O que fazer com títulos comprados quando o IPCA+ pagava mais de 8%?

Quem comprou Tesouro IPCA+ com juro real acima de 8% provavelmente acumulou valorização se as taxas de mercado caíram desde então. Surge, nesse momento, a dúvida entre realizar o ganho ou manter o investimento.

A resposta depende do motivo da compra.

Se o papel foi adquirido para uma aposentadoria ou outra meta de longo prazo e o vencimento continua adequado, mantê-lo preserva a taxa contratada. A oscilação intermediária perde importância para quem pretende carregar o título até o final.

Se a compra foi feita com objetivo de lucrar com a queda dos juros, pode fazer sentido realizar uma parte do ganho. O recurso pode ser direcionado para um pós-fixado líquido ou redistribuído entre outros vencimentos.

Uma saída intermediária é vender somente uma parcela. Dessa forma, o investidor protege parte da valorização e mantém exposição caso as taxas continuem caindo.

Antes da venda, é preciso verificar o Imposto de Renda, eventuais taxas e a diferença entre o preço de compra e o preço atual.

Vale esperar uma taxa melhor para investir?

Tentar descobrir o ponto exato de maior taxa costuma ser uma estratégia difícil até para profissionais. O cenário pode mudar rapidamente devido à inflação, às contas públicas, ao câmbio, aos preços do petróleo e às decisões de juros no exterior.

Uma alternativa é realizar aportes em etapas. Em vez de investir todo o valor em Tesouro IPCA+ ou prefixado no mesmo dia, o investidor divide o dinheiro e compra em datas diferentes.

Por exemplo, quem tem R$ 20 mil para um objetivo de longo prazo poderia aplicar R$ 5 mil agora e distribuir o restante ao longo dos meses seguintes. Se as taxas subirem, haverá dinheiro disponível para aproveitar a mudança. Se caírem, uma parte da carteira já terá sido contratada em condições anteriores.

O escalonamento não garante o melhor retorno possível, mas reduz o risco de concentrar toda a decisão em um único momento.

Como montar uma estratégia após a queda da Selic?

O primeiro passo é separar os investimentos por objetivo, prazo e necessidade de liquidez. Essa organização é mais importante do que tentar adivinhar a próxima decisão do Copom.

Reserva de emergência

Deve permanecer em produto de baixo risco e alta liquidez, como Tesouro Selic ou CDB com resgate diário. O foco é ter acesso ao dinheiro, e não buscar a maior taxa da carteira.

Objetivos de curto prazo

Recursos para viagens, impostos, matrícula escolar ou compra prevista podem ficar em pós-fixados com vencimento compatível. É preciso evitar títulos sujeitos a grandes oscilações.

Objetivos de médio prazo

É possível combinar CDI, títulos prefixados e papéis atrelados à inflação. A proporção dependerá da tolerância a oscilações e da certeza sobre a data de uso do dinheiro.

Objetivos de longo prazo

Tesouro IPCA+ pode ajudar a preservar o poder de compra. O vencimento deve estar próximo da meta, reduzindo a possibilidade de venda antecipada.

Afinal, é hora de abandonar o CDI?

Não. Mesmo com a Selic em 13,75%, o CDI continua oferecendo retorno elevado, liquidez e baixa volatilidade. Ele permanece especialmente importante para a reserva de emergência e para objetivos de curto prazo.

O que mudou foi a necessidade de olhar além do pós-fixado. Quem mantém todo o patrimônio no CDI pode perder a oportunidade de travar juros reais elevados em títulos atrelados à inflação ou taxas prefixadas compatíveis com objetivos futuros.

A melhor resposta não está em trocar um extremo pelo outro. Está em diversificar conforme o prazo: CDI para segurança e liquidez, IPCA+ para proteção do poder de compra e prefixados para uma parcela em que a taxa e o vencimento façam sentido.

Antes de investir, compare o retorno líquido, o prazo, a possibilidade de resgate, a tributação e o risco do emissor. Para valores relevantes ou situações mais complexas, a orientação de um profissional autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários pode evitar que uma decisão baseada apenas na taxa comprometa todo o planejamento.

Perguntas frequentes

CDI
Imagem: Rafastockbr/Shutterstock.com

CDI e Selic são a mesma coisa?

Não. A Selic é a taxa básica de juros definida pelo Banco Central. O CDI é uma taxa formada nas operações de curtíssimo prazo entre instituições financeiras e costuma acompanhar a Selic de perto.

Ainda vale investir em CDB de 100% do CDI?

Sim. Com juros elevados, um CDB de 100% do CDI pode oferecer rentabilidade competitiva. É necessário verificar liquidez, vencimento, tributação, instituição emissora e cobertura do FGC.

Tesouro IPCA+ pode dar prejuízo?

Pode apresentar prejuízo em uma venda antecipada devido à marcação a mercado. Mantido até o vencimento, o título entrega a rentabilidade contratada, desde que sejam respeitadas as condições do investimento.

LCI de 90% do CDI é melhor que CDB de 100%?

Pode ser, porque a LCI é isenta de Imposto de Renda para pessoas físicas nas condições previstas em lei. A comparação deve considerar prazo, liquidez, risco, cobertura do FGC e retorno líquido.

Onde deve ficar a reserva de emergência?

Em aplicação de baixo risco, pouca oscilação e liquidez diária. Tesouro Selic e CDBs com resgate diário são alternativas comuns, desde que as regras do produto sejam conferidas.

Vale comprar títulos prefixados após a queda da Selic?

Pode valer para uma parcela da carteira, especialmente se o investidor puder manter o título até o vencimento. O risco é a inflação aumentar ou as taxas de mercado subirem, reduzindo o valor do papel antes do prazo final.

Qual é o limite de proteção do FGC?

A cobertura ordinária é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, incluindo principal e rendimentos. Há ainda um teto global de R$ 1 milhão em quatro anos.

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