O crescimento da economia brasileira deve perder fôlego em 2026. Essa é a principal conclusão do relatório semanal “O Canário da Mina”, elaborado pela G5 Partners, que projeta uma desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) em comparação com o desempenho esperado para 2025. Apesar de fatores que podem mitigar esse movimento, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, o cenário traçado pela casa é de cautela, especialmente diante das incertezas que envolvem a política monetária, a inflação e o comportamento do câmbio.
Isenção de IR e dúvida com a Selic podem mitigar desaceleração do PIB em 2026
Relatório da G5 Partners aponta desaceleração do PIB em 2026, com impacto da isenção do Imposto de Renda, juros incertos e cenário eleitoral no Brasil.
A avaliação foi assinada pelo economista-chefe da G5 Partners, Luís Otávio de Souza Leal, que destaca que o ambiente econômico dos próximos anos será influenciado por variáveis internas e externas, além do impacto político que costuma afetar as expectativas do mercado em ciclos eleitorais.
Leia mais:
Empréstimo de € 90 bi aprovado: União Europeia garante suporte à Ucrânia até 2027
PIB deve crescer 2% em 2026
De acordo com as estimativas da G5 Partners, o PIB brasileiro deverá crescer cerca de 2% em 2026. O número representa uma desaceleração de 0,2 ponto percentual em relação à projeção de crescimento de 2,2% prevista para 2025.
Menor carrego estatístico entre os anos
Um dos fatores que explicam essa desaceleração é o chamado carrego estatístico, que reflete quanto do crescimento de um ano é herdado pelo seguinte. Segundo o relatório, o carrego entre 2025 e 2026 será de apenas 0,2 ponto percentual, bem abaixo dos 0,7 ponto percentual observados na passagem de 2024 para 2025.
Esse movimento indica que, mesmo antes de considerar novas variáveis econômicas, o ritmo de crescimento já parte de uma base menos favorável para 2026.
Comparação com anos anteriores
Nos últimos anos, a economia brasileira foi beneficiada por fatores conjunturais, como uma safra agrícola robusta e um mercado de trabalho aquecido. No entanto, esses motores tendem a perder força, reduzindo a capacidade de sustentação do crescimento no médio prazo.
Menor contribuição da agricultura pesa no resultado
Outro ponto destacado no relatório é a desaceleração esperada do setor agrícola. Em 2025, a agricultura deve contribuir com cerca de 0,5 ponto percentual para o crescimento do PIB. Para 2026, essa contribuição tende a ser menor, refletindo uma normalização após anos de desempenho acima da média.
Impacto direto no PIB
A agricultura tem papel relevante na economia brasileira, tanto pelo peso direto no PIB quanto pelos efeitos indiretos sobre outros setores, como transporte, indústria de alimentos e exportações. Quando o setor perde fôlego, o impacto se espalha por toda a cadeia produtiva.
Efeitos regionais e setoriais
Além do efeito macroeconômico, a desaceleração agrícola pode afetar regiões fortemente dependentes do agronegócio, reduzindo renda, investimentos e consumo local.
Mercado de trabalho começa a dar sinais de desaceleração
O relatório também aponta para uma perda gradual de dinamismo no mercado de trabalho. Após um período de forte geração de empregos e queda do desemprego, alguns indicadores já sugerem que o ritmo de expansão está diminuindo.
Menor criação de vagas
A desaceleração econômica tende a impactar diretamente a criação de vagas formais, especialmente em setores mais sensíveis ao crédito e ao consumo, como comércio e serviços.
Reflexos sobre consumo das famílias
Com menor crescimento do emprego e da renda, o consumo das famílias pode perder força, reduzindo um dos principais pilares da economia brasileira nos últimos anos.
Isenção do Imposto de Renda pode mitigar desaceleração
Apesar do cenário de desaceleração, a G5 Partners aponta fatores que podem suavizar a perda de ritmo do crescimento. O principal deles é a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil.
Impacto positivo no PIB
Segundo cálculos da casa, a medida deve elevar o PIB em cerca de 0,26 ponto percentual. O efeito ocorre porque a redução da carga tributária aumenta a renda disponível das famílias, estimulando o consumo.
Estímulo ao consumo interno
A isenção do Imposto de Renda tende a beneficiar diretamente a classe média e trabalhadores de renda mais baixa, que possuem maior propensão ao consumo. Isso pode gerar um impulso relevante para setores como varejo, serviços e indústria de bens de consumo.
Limitações do efeito
Apesar do impacto positivo, o relatório ressalta que a medida, sozinha, não é suficiente para reverter completamente o cenário de desaceleração, especialmente se outras variáveis, como juros e inflação, se mantiverem desfavoráveis.
Política monetária segue como fator de incerteza
Outro elemento central na análise da G5 Partners é a condução da política monetária pelo Banco Central. Para o economista Luís Otávio de Souza Leal, a trajetória dos juros em 2026 ainda é incerta e representa um risco para o crescimento econômico.
Juros e crescimento econômico
Taxas de juros elevadas encarecem o crédito, desestimulam investimentos e reduzem o consumo. Por outro lado, uma queda mais intensa dos juros poderia estimular a atividade econômica, mas seu impacto depende da confiança dos agentes econômicos.
Impacto incerto da queda dos juros
O relatório aponta que, embora a queda dos juros possa ajudar a mitigar a desaceleração do PIB, a intensidade desse efeito é difícil de estimar, principalmente em um ambiente de inflação resistente e expectativas desancoradas.
Banco Central e o desafio das expectativas inflacionárias
No relatório, Souza Leal dedica um trecho específico para discutir a forma como o Banco Central deveria conduzir a política monetária. Segundo ele, o foco deveria estar nas perspectivas inflacionárias, e não apenas na inflação corrente.
Canal das expectativas comprometido
No entanto, o economista avalia que o canal das expectativas está enfraquecido, especialmente em função do cenário político e da proximidade das eleições presidenciais.
O chamado “custo PT”
De acordo com o relatório, o mercado incorpora um prêmio de risco nas projeções de longo prazo, frequentemente associado ao que Souza Leal chama de “custo PT”. Esse fator teria influenciado as expectativas de inflação após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.
Exemplos históricos
O economista cita que, logo após a eleição de Lula, a expectativa de inflação para 2025 subiu de 3% para 3,5%, mesmo com o Banco Central sendo presidido por Roberto Campos Neto, um nome bem avaliado pelo mercado. Movimento semelhante é observado atualmente nas projeções para 2028.
Inflação corrente como principal referência
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Diante desse cenário, Souza Leal argumenta que, na prática, a inflação corrente acaba sendo o melhor indicador disponível para o Banco Central avaliar as perspectivas inflacionárias.
Limitações da política monetária
Com expectativas desancoradas, o espaço para uma política monetária mais flexível se reduz, o que pode manter os juros elevados por mais tempo do que o desejável para estimular o crescimento.
IPCA deve desacelerar entre 2025 e 2026
Apesar das incertezas, a G5 Partners projeta uma desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre 2025 e 2026. A inflação deve recuar de 4,38% para 4,30%.
Conservadorismo nas projeções
O economista explica que essa projeção reflete um posicionamento conservador, dado o elevado grau de incerteza, especialmente em relação ao comportamento do dólar.
Dólar é peça-chave no cenário inflacionário
O câmbio aparece como uma das maiores incógnitas para 2026. A projeção da G5 Partners para o dólar é de R$ 5,50, valor que reflete a dificuldade de prever com precisão o comportamento da moeda em um ambiente volátil.
Impacto do câmbio na inflação
A variação do dólar afeta diretamente os preços de produtos importados e insumos industriais, além de influenciar os custos de alimentos e bens industrializados.
Evidências recentes
Souza Leal destaca que o bom comportamento da inflação em 2025 esteve fortemente ligado à estabilidade cambial. Para comprovar esse ponto, basta observar o desempenho dos preços nos grupos Alimentação no domicílio e Bens Industriais ao longo do ano.
Cenário para 2026 exige cautela
O conjunto de fatores apresentados no relatório indica que 2026 será um ano de desafios para a economia brasileira. Embora existam elementos capazes de mitigar a desaceleração, como a isenção do Imposto de Renda e uma possível queda dos juros, os riscos permanecem elevados.
Papel das decisões econômicas
A condução da política fiscal e monetária, aliada à previsibilidade institucional, será fundamental para evitar uma desaceleração mais intensa do crescimento.
Atenção do mercado e dos consumidores
Para investidores, empresas e consumidores, o cenário reforça a importância do planejamento financeiro e da atenção às mudanças no ambiente econômico.
Considerações finais
O relatório “O Canário da Mina”, da G5 Partners, oferece uma leitura detalhada e cautelosa sobre os rumos da economia brasileira em 2026. A desaceleração do PIB aparece como um movimento provável, ainda que não inevitável, dependendo da evolução de variáveis-chave como política monetária, inflação, câmbio e confiança do mercado.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
