O governo federal reacendeu o debate sobre o futuro do bitcoin no Brasil. Durante um evento oficial em Brasília na terça-feira, dia 25, o chefe de gabinete do vice-presidente Geraldo Alckmin, Pedro Giocondo Guerra, afirmou que a criação de uma reserva estratégica de bitcoin é um tema de “interesse público” e “determinante para a prosperidade econômica” do país.
Governo Lula entende que ‘reserva de Bitcoin é ‘determinante para a nossa prosperidade’
Governo Lula considera a criação de uma reserva estratégica de bitcoin como questão de interesse público. Entenda os impactos!
As declarações foram feitas durante a posse do deputado Júlio Lopes (PP-RJ) como novo presidente da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo (FPBC). Guerra representava o governo federal e utilizou sua fala para ressaltar o potencial do bitcoin como instrumento soberano de valor — comparando-o ao ouro digital.
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Um novo paradigma para as reservas nacionais?
O que é uma reserva estratégica de bitcoin?
A proposta de criar uma reserva estratégica de bitcoin se baseia no conceito de guardar parte da riqueza nacional em ativos digitais — da mesma forma como os países armazenam reservas em ouro ou moedas estrangeiras. O objetivo seria diversificar os ativos do país, ampliar a resiliência frente à inflação e volatilidades do sistema financeiro global, além de atualizar o Brasil frente às inovações tecnológicas no setor monetário.
Guerra: “Bitcoin é o ouro da internet”
Durante o discurso, Pedro Guerra enfatizou que o bitcoin representa uma revolução na forma como o mundo armazena e transfere riqueza:
“Bitcoin é o ouro digital, o ouro da internet. É uma tecnologia que permite transmitir riqueza de uma ponta a outra do planeta com agilidade e armazenar os frutos do nosso trabalho de maneira eficiente e segura.”
O representante também citou a escassez da criptomoeda, que tem um limite fixo de 21 milhões de unidades, como uma das suas principais características, contrastando com a lógica inflacionária das moedas fiduciárias, que podem ser impressas por governos.
O cenário internacional e o avanço das reservas digitais
Estados Unidos e El Salvador já possuem reservas oficiais
A fala do representante do governo Lula ocorre em um momento em que o debate internacional sobre reservas soberanas em bitcoin vem ganhando força. O caso mais recente e simbólico foi o dos Estados Unidos, que criaram oficialmente uma reserva de bitcoin em 6 de março de 2025, por meio de uma ordem executiva do ex-presidente Donald Trump.
A reserva americana reúne ativos apreendidos em operações policiais, e o decreto proíbe a venda futura das moedas digitais. O modelo americano inspirou a discussão em outros países, inclusive no Brasil.
Além dos EUA, El Salvador foi pioneiro ao adotar o bitcoin como moeda legal e acumular uma reserva própria desde 2021. O Butão também é outro país que revelou investimentos estratégicos em criptomoedas.
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Projeto do deputado Eros Biondini quer reserva nacional em bitcoin
No Brasil, o deputado federal Eros Biondini (PL-MG) apresentou, em 26 de novembro de 2024, um projeto de lei que autoriza a criação de uma reserva de bitcoin pelo Banco Central. Segundo o parlamentar, a medida tem como finalidade proteger a economia nacional de riscos cambiais e inflacionários, promovendo maior diversificação das reservas internacionais.
O projeto ainda está em fase inicial de tramitação e deverá passar por comissões técnicas antes de ir à votação em plenário. Embora ainda não haja previsão de aprovação, o apoio público de membros do governo pode acelerar o debate.
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Escassez e deflação
O bitcoin é considerado uma das moedas mais escassas do mundo. Seu protocolo limita a emissão a 21 milhões de unidades, o que garante um caráter deflacionário e resistente à manipulação política. A escassez, segundo analistas, torna a criptomoeda atrativa como reserva de valor no longo prazo, especialmente em cenários de alta inflação ou desvalorização cambial.
Segurança e descentralização
Outra característica do bitcoin é seu sistema de registro descentralizado por blockchain, que garante transparência, segurança e resistência à censura. Isso o torna uma ferramenta atrativa para países que desejam escapar de pressões externas e ampliar sua soberania monetária.
Volatilidade: o maior desafio
Apesar das vantagens, o bitcoin ainda é altamente volátil, o que representa um dos principais riscos para reservas soberanas. Oscilações bruscas no preço podem afetar o valor das reservas acumuladas. Por isso, especialistas defendem cautela e estratégias de diversificação bem definidas, caso o Brasil avance nessa direção.
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O que dizem os especialistas?
Economistas apontam potencial e riscos
Segundo o economista e especialista em blockchain Henrique Paiva, a criação de uma reserva de bitcoin poderia reforçar a imagem do Brasil como um país inovador, mas o movimento exige responsabilidade:
“É uma decisão geopolítica e econômica complexa. O bitcoin pode proteger contra inflação e manipulações externas, mas também traz riscos devido à volatilidade. O ideal seria iniciar com uma pequena fração das reservas, em caráter experimental.”
Consultores veem oportunidade de inserção global
Já para consultores do setor de criptoativos, como Isabela Cunha, da exchange Mynt, o movimento do governo mostra uma abertura histórica para o setor:
“Essa é a primeira vez que vemos o governo brasileiro sinalizar que o bitcoin pode ter um papel estratégico. É um marco importante para o mercado e pode acelerar a adoção institucional no país.”
O impacto para o cidadão brasileiro

Valorização do setor de criptomoedas
Se a reserva de bitcoin for criada, o setor de criptomoedas no Brasil deve se fortalecer, tanto em investimentos quanto em regulamentações. A medida tende a:
- Aumentar o interesse institucional por bitcoin;
- Ampliar o debate regulatório sobre criptomoedas;
- Impulsionar startups e exchanges brasileiras;
- Estimular a educação financeira sobre ativos digitais.
Confiança internacional
Uma eventual adoção oficial do bitcoin como reserva pelo Brasil também poderia reforçar a confiança do mercado internacional na economia brasileira, ao mostrar compromisso com inovação, descentralização e soberania monetária.
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital
