Aos 110 anos, Anízio Moura da Silva mostrou que a participação política pode continuar fazendo parte da vida mesmo na idade mais avançada. Morador de Taquaruçu, distrito de Palmas, no Tocantins, ele compareceu às urnas no segundo turno das Eleições 2026, realizado no domingo, 25 de outubro, mantendo uma tradição que, segundo seus familiares, acompanha sua trajetória há décadas.
A história do eleitor chamou a atenção da Justiça Eleitoral tocantinense e destaca a importância do direito ao voto para pessoas idosas. Embora a legislação brasileira dispense os maiores de 70 anos da obrigatoriedade de votar, muitos continuam participando das eleições por escolha própria, demonstrando interesse pelas decisões que influenciam o país, os estados e os municípios.
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Quem é Anízio Moura, eleitor de 110 anos do Tocantins?

Nascido em 23 de outubro de 1916, no município de Nova York, no Maranhão, Anízio chegou a Taquaruçu em 1944. Aposentado, ele construiu uma família numerosa, com 12 filhos, mais de 30 netos, quase 40 bisnetos e dois tataranetos.
Mesmo depois de completar 110 anos, o eleitor continua acompanhando as eleições e conversando com os familiares sobre os candidatos. De acordo com os parentes, ele costuma perguntar sobre propostas políticas e manifesta espontaneamente o desejo de participar da votação.
A disposição para votar também esteve presente no primeiro turno. Ao falar sobre a continuidade desse hábito, Anízio afirmou que pretende exercer o direito enquanto puder. Segundo o relato divulgado pela Justiça Eleitoral, ele declarou nunca ter deixado de votar ao longo da vida.
A atitude transformou sua participação em um exemplo de envolvimento cívico e chamou a atenção de representantes do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO).
Justiça Eleitoral visita eleitor centenário
Durante o segundo turno, o corregedor regional eleitoral e vice-presidente do TRE-TO, desembargador João Rodrigues Filho, esteve na residência de Anízio acompanhado de integrantes da Corte e servidores da Justiça Eleitoral.
A visita teve como objetivo conhecer a história do eleitor e reconhecer sua participação no processo democrático. O encontro também deu visibilidade à presença de pessoas muito idosas nas eleições e à importância de garantir condições adequadas para que todos possam exercer seus direitos.
A participação de Anízio não foi um caso isolado no estado. Conforme dados divulgados pela Justiça Eleitoral, o Tocantins tem mais de 99 mil eleitores com idade superior a 70 anos, um grupo que pode decidir livremente se deseja comparecer às urnas.
Voto depois dos 70 anos é obrigatório?
Não. A Constituição Federal estabelece que o voto é facultativo para pessoas analfabetas, para jovens de 16 e 17 anos e para cidadãos com mais de 70 anos. Para os demais eleitores alfabetizados entre 18 e 70 anos, votar é, em regra, obrigatório.
Isso significa que brasileiros com 71, 80, 90 ou mais de 100 anos podem escolher participar das eleições sem que a ausência às urnas gere as mesmas consequências aplicáveis a quem está sujeito à obrigatoriedade eleitoral.
A dispensa, porém, não retira o direito de votar. Quem deseja continuar participando pode comparecer à seção eleitoral, desde que esteja em situação regular perante a Justiça Eleitoral e cumpra os procedimentos de identificação.
O exemplo de Anízio ajuda a esclarecer essa diferença: ele não precisa votar por obrigação legal, mas decidiu manter sua participação como parte de sua história pessoal.
Eleitora de 92 anos também participou do segundo turno

Outra história que chamou a atenção no Tocantins foi a de Tarcília Pinheiro Botelho, de 92 anos, que votou em Pedro Afonso. Nascida em 3 de agosto de 1934, ela tem experiência direta na política municipal, tendo exercido dois mandatos como vereadora.
Depois de comparecer às urnas no segundo turno, Tarcília resumiu sua participação com uma declaração curta: “Votei consciente”.
A experiência dos dois eleitores evidencia que o envolvimento com a democracia não depende apenas da obrigatoriedade prevista na legislação. Para algumas pessoas, acompanhar candidatos, avaliar propostas e escolher representantes continua sendo uma forma de participar das decisões coletivas, mesmo após décadas de vida.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
