Nos últimos dez anos, o cenário econômico mundial foi marcado por uma transformação notável na distribuição de riqueza. De acordo com o Relatório Billionaire Ambitions do UBS Wealth Management, a fortuna dos bilionários no planeta saltou 121%, atingindo impressionantes US$ 14 trilhões em 2024.
Em 10 anos, fortuna dos bilionários no mundo salta 121%
O relatório do UBS Wealth Management revela que a fortuna dos bilionários no mundo cresceu 121% nos últimos 10 anos, destacando o setor tecnológico como principal impulsionador dessa riqueza
Essa ascensão reflete não apenas a expansão das fortunas individuais, mas também a consolidação de uma elite financeira global cada vez mais robusta e influente. Além disso, o número de bilionários também cresceu consideravelmente, com um aumento de 50% no número de pessoas com uma fortuna superior a US$ 1 bilhão.
De 2015 a 2024, o número de bilionários aumentou de 1.757 para 2.682. No entanto, o crescimento não foi homogêneo, com setores distintos apresentando desempenhos muito diferentes, tanto em termos de expansão de riqueza quanto no número de novos bilionários.
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A Expansão Imparável da Riqueza
Entre 2015 e 2024, a riqueza dos bilionários globalmente saltou de US$ 6,3 trilhões para US$ 14,0 trilhões. Esse crescimento surpreendente superou em muito o desempenho de ativos mais tradicionais, como as ações globais representadas pelo índice MSCI AC World, que obteve um ganho de 73% no mesmo período.
O estudo mostra, portanto, que os super-ricos estão superando de maneira destacada o crescimento da economia global.
Essa disparidade é, em grande parte, atribuída aos investimentos estratégicos e ao sucesso de diversos setores, com destaque especial para o setor tecnológico. Porém, a história não é uniforme, já que o crescimento de outras áreas como o setor imobiliário apresenta um quadro menos otimista.

Os Setores Impulsionadores da Riqueza: Tecnologia em Ascensão
A Tecnologia como o Grande Motor da Riqueza
Um dos fatores mais notáveis desse crescimento fenomenal foi o setor tecnológico, que se destacou de maneira expressiva. De acordo com o relatório, o valor da fortuna dos bilionários no setor triplicou, passando de US$ 788,9 bilhões em 2015 para US$ 2,4 trilhões em 2024.
Essa ascensão pode ser atribuída ao impacto transformador de empresas de tecnologia, principalmente as relacionadas a software, inteligência artificial, biotecnologia e automação.
O avanço tecnológico foi além da criação de novos produtos e serviços. Houve uma revolução no modelo de negócios de gigantes como Apple, Microsoft, Amazon, Tesla e Alphabet, que não apenas ampliaram seu valor de mercado, mas também desempenharam um papel crucial na redefinição de como as empresas se relacionam com os consumidores e se posicionam no mercado global.
O Setor Industrial: Crescimento com Base em Investimentos Estratégicos
Outro setor que experimentou um crescimento significativo foi o setor industrial. Entre 2015 e 2024, a fortuna dos bilionários dessa área subiu de US$ 480,4 bilhões para US$ 1,3 trilhão, impulsionado por uma série de investimentos estratégicos.
Países ao redor do mundo, principalmente as grandes potências industriais, passaram a focar em tecnologias emergentes, especialmente na chamada economia verde e na mobilidade elétrica.
Além disso, as intervenções políticas e as estratégias industriais de governos também foram fundamentais para o sucesso de empresas nos segmentos aeroespacial, de defesa e de veículos elétricos. Esse crescimento tem sido alimentado pela necessidade de inovações sustentáveis e pela demanda crescente por novas tecnologias em diversos campos.
Setores com Desempenho Abaixo das Expectativas: O Imobiliário
A Desaceleração do Mercado Imobiliário
Enquanto os setores tecnológico e industrial prosperaram, o setor imobiliário não teve o mesmo desempenho. Segundo o relatório do UBS, os bilionários desse segmento enfrentaram uma desaceleração de suas fortunas desde 2017.
Embora o mercado imobiliário tenha apresentado um desempenho consistente até aquele momento, fatores como correções no mercado imobiliário da China, os efeitos da pandemia de COVID-19 no mercado comercial e o aumento das taxas de juros nas principais economias globais afetaram negativamente o crescimento desse setor.
Aumento do Custo de Vida
O mercado imobiliário, especialmente no setor comercial e residencial de luxo, foi diretamente impactado pela volatilidade econômica global. As altas taxas de juros, por exemplo, desaceleraram o financiamento de novos projetos e o aumento do custo da dívida.
Por isso, os bilionários do setor imobiliário não conseguiram acompanhar o ritmo de crescimento observado em outros setores, como o tecnológico e o industrial.
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A China: Uma Potência Econômica em Contradição
O Crescimento Explosivo da Riqueza na China
O mercado chinês teve um desempenho impressionante entre 2015 e 2020, com a fortuna dos bilionários mais do que dobrando, subindo de US$ 887,3 bilhões para US$ 2,1 trilhões. Esse aumento de 137,6% foi impulsionado pela rápida expansão de grandes conglomerados empresariais e pela crescente digitalização da economia chinesa.
Porém, a partir de 2020, o crescimento na China começou a desacelerar, e a riqueza dos bilionários no país caiu 16%, caindo para US$ 1,8 trilhão.
Esse declínio foi impulsionado por uma série de fatores, incluindo uma desaceleração econômica geral, o impacto das políticas de COVID-19 e a redução do mercado imobiliário, que afetou diretamente muitas das maiores fortunas do país, especialmente no setor de construção.

A Realidade do Crescimento Desigual
O Aumento da Desigualdade de Riqueza Global
Enquanto a fortuna dos bilionários no mundo inteiro segue uma trajetória ascendente, a disparidade de riqueza entre as classes sociais tem se aprofundado. O crescimento exponencial dos super-ricos pode ser visto como uma consequência da globalização, das inovações tecnológicas e dos fluxos de capital.
No entanto, ele também reflete a crescente desigualdade de riqueza entre os mais ricos e as camadas mais baixas da sociedade.
Esse crescimento dos bilionários não apenas amplia a distância entre os que têm muito e os que têm pouco, mas também levanta questões sobre a sustentabilidade desse modelo de distribuição de riqueza, especialmente em um mundo marcado por desafios econômicos e ambientais sem precedentes.
Imagem: Ground Picture / shutterstock.com
