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Tarifa compromete 62 mil postos de trabalho no setor de ferroligas, segundo associação

Tarifa dos EUA sobre ferroligas ameaça mais de 62 mil empregos no Brasil e paralisa investimentos, alerta a Abrafe sobre impactos econômicos.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
Tarifa compromete 62 mil postos de trabalho no setor de ferroligas, segundo associação

Mais de 62 mil empregos diretos e indiretos estão sob risco no Brasil devido à imposição de uma tarifa de 50% sobre as exportações de ferroligas para os Estados Unidos. O alerta foi feito por Bruno Parreiras, diretor-executivo da Abrafe (Associação Brasileira dos Produtores de Ferroligas e Silício Metálico), durante entrevista ao programa Mercado Aberto, transmitido ao vivo pelo UOL.

A medida, anunciada durante o mandato do ex-presidente norte-americano Donald Trump e que ainda pode ter desdobramentos sob a atual administração, tem provocado tensão entre os produtores brasileiros do setor, que historicamente mantêm uma relação sólida e de longa data com o mercado norte-americano.

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Setor em estado de alerta

Imagem: Ferroligas Brasil/Reprodução

Exportações em xeque e risco de perda de mercado

De acordo com Parreiras, o cenário é preocupante e coloca em xeque décadas de relacionamento comercial entre Brasil e Estados Unidos. As tarifas, segundo ele, funcionam como um verdadeiro embargo, tornando inviável a manutenção das operações com os clientes americanos.

“Nenhuma empresa consegue margem para superar essa tarifa de 50%. Isso inviabiliza qualquer negociação. E o pior: se perdurarem, outros países ocuparão esse espaço no mercado”, afirma o executivo.

Impacto direto na produção e empregos

O setor de ferroligas é altamente dependente das exportações para os Estados Unidos. Caso a tarifa se mantenha por um período prolongado, as empresas brasileiras não terão alternativa senão reduzir drasticamente sua produção — o que resultará em demissões em massa. A estimativa da Abrafe aponta para mais de 62 mil postos de trabalho afetados, considerando toda a cadeia produtiva, do plantio de eucalipto para produção de carvão vegetal até a fundição de ligas metálicas.

“A cadeia é longa e começa no campo. Há investimentos que demandam anos para maturar, como o eucalipto, que leva até sete anos para ser colhido. Uma decisão como essa compromete toda a estrutura de produção”, alerta Parreiras.

Cadeia produtiva já sente os primeiros efeitos

Investimentos suspensos e replanejamento industrial

Empresas do setor já começaram a suspender planos de expansão e reavaliar investimentos futuros. A incerteza causada pela medida americana fez com que diversos projetos fossem colocados em espera, impactando não apenas a indústria metalúrgica, mas também a agricultura, o transporte e os serviços logísticos.

“Quem tinha planos de ampliação está revendo tudo. O efeito é imediato. Até o replantio de eucalipto, que sustenta a cadeia do carvão, está sendo congelado”, explica o dirigente.

Dificuldade de redirecionamento de mercado

Redirecionar a produção para outros mercados internacionais também não é uma tarefa simples. A construção de novos canais de exportação exige tempo, negociações comerciais, cumprimento de normas técnicas e adaptação dos produtos às exigências de novos clientes.

“Mesmo que seja possível substituir o mercado americano, esse processo é lento. Não se constrói confiança com novos compradores da noite para o dia, especialmente em um setor tão técnico quanto o das ferroligas”, completa Parreiras.

Histórico de relação comercial pode ser comprometido

NOVAS TARIFAS TRUMP
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

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O Brasil mantém uma relação comercial com os Estados Unidos no setor de ferroligas há mais de dois séculos. Durante esse período, foi construído um mercado sólido, baseado na confiança mútua e na consistência da oferta brasileira. No entanto, essa estabilidade pode ser desfeita por uma política tarifária considerada, pelos representantes da indústria, como unilateral e punitiva.

Tarifa é vista como ataque ao livre comércio

Especialistas veem a tarifa como parte de uma política protecionista que visa fortalecer a indústria americana à custa dos parceiros comerciais. No caso específico das ferroligas, o Brasil se destaca por ser um fornecedor competitivo e confiável. Com a aplicação da tarifa de 50%, o país perde competitividade imediata, abrindo espaço para concorrentes da Ásia, África e Europa.

“É muito difícil reconquistar o espaço perdido. Uma vez que o cliente migra para outro fornecedor, dificilmente retorna, a menos que haja uma vantagem expressiva”, lamenta Parreiras.

Governo brasileiro busca alternativas diplomáticas

Itamaraty avalia resposta institucional

Diante da gravidade da situação, representantes do governo brasileiro, por meio do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, estão avaliando medidas diplomáticas e comerciais. O objetivo é negociar com os Estados Unidos uma revisão da tarifa, buscando preservar o acesso das ferroligas brasileiras ao mercado norte-americano.

Além disso, a indústria tem pressionado o governo federal a incluir o tema em futuras agendas bilaterais, inclusive envolvendo organismos como a OMC (Organização Mundial do Comércio), caso não haja avanços por meio do diálogo direto.

Imagem: Panksvatouny / Shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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