Mais de 62 mil empregos diretos e indiretos estão sob risco no Brasil devido à imposição de uma tarifa de 50% sobre as exportações de ferroligas para os Estados Unidos. O alerta foi feito por Bruno Parreiras, diretor-executivo da Abrafe (Associação Brasileira dos Produtores de Ferroligas e Silício Metálico), durante entrevista ao programa Mercado Aberto, transmitido ao vivo pelo UOL.
Tarifa compromete 62 mil postos de trabalho no setor de ferroligas, segundo associação
Tarifa dos EUA sobre ferroligas ameaça mais de 62 mil empregos no Brasil e paralisa investimentos, alerta a Abrafe sobre impactos econômicos.
A medida, anunciada durante o mandato do ex-presidente norte-americano Donald Trump e que ainda pode ter desdobramentos sob a atual administração, tem provocado tensão entre os produtores brasileiros do setor, que historicamente mantêm uma relação sólida e de longa data com o mercado norte-americano.
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Exportações em xeque e risco de perda de mercado
De acordo com Parreiras, o cenário é preocupante e coloca em xeque décadas de relacionamento comercial entre Brasil e Estados Unidos. As tarifas, segundo ele, funcionam como um verdadeiro embargo, tornando inviável a manutenção das operações com os clientes americanos.
“Nenhuma empresa consegue margem para superar essa tarifa de 50%. Isso inviabiliza qualquer negociação. E o pior: se perdurarem, outros países ocuparão esse espaço no mercado”, afirma o executivo.
Impacto direto na produção e empregos
O setor de ferroligas é altamente dependente das exportações para os Estados Unidos. Caso a tarifa se mantenha por um período prolongado, as empresas brasileiras não terão alternativa senão reduzir drasticamente sua produção — o que resultará em demissões em massa. A estimativa da Abrafe aponta para mais de 62 mil postos de trabalho afetados, considerando toda a cadeia produtiva, do plantio de eucalipto para produção de carvão vegetal até a fundição de ligas metálicas.
“A cadeia é longa e começa no campo. Há investimentos que demandam anos para maturar, como o eucalipto, que leva até sete anos para ser colhido. Uma decisão como essa compromete toda a estrutura de produção”, alerta Parreiras.
Cadeia produtiva já sente os primeiros efeitos
Investimentos suspensos e replanejamento industrial
Empresas do setor já começaram a suspender planos de expansão e reavaliar investimentos futuros. A incerteza causada pela medida americana fez com que diversos projetos fossem colocados em espera, impactando não apenas a indústria metalúrgica, mas também a agricultura, o transporte e os serviços logísticos.
“Quem tinha planos de ampliação está revendo tudo. O efeito é imediato. Até o replantio de eucalipto, que sustenta a cadeia do carvão, está sendo congelado”, explica o dirigente.
Dificuldade de redirecionamento de mercado
Redirecionar a produção para outros mercados internacionais também não é uma tarefa simples. A construção de novos canais de exportação exige tempo, negociações comerciais, cumprimento de normas técnicas e adaptação dos produtos às exigências de novos clientes.
“Mesmo que seja possível substituir o mercado americano, esse processo é lento. Não se constrói confiança com novos compradores da noite para o dia, especialmente em um setor tão técnico quanto o das ferroligas”, completa Parreiras.
Histórico de relação comercial pode ser comprometido

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O Brasil mantém uma relação comercial com os Estados Unidos no setor de ferroligas há mais de dois séculos. Durante esse período, foi construído um mercado sólido, baseado na confiança mútua e na consistência da oferta brasileira. No entanto, essa estabilidade pode ser desfeita por uma política tarifária considerada, pelos representantes da indústria, como unilateral e punitiva.
Tarifa é vista como ataque ao livre comércio
Especialistas veem a tarifa como parte de uma política protecionista que visa fortalecer a indústria americana à custa dos parceiros comerciais. No caso específico das ferroligas, o Brasil se destaca por ser um fornecedor competitivo e confiável. Com a aplicação da tarifa de 50%, o país perde competitividade imediata, abrindo espaço para concorrentes da Ásia, África e Europa.
“É muito difícil reconquistar o espaço perdido. Uma vez que o cliente migra para outro fornecedor, dificilmente retorna, a menos que haja uma vantagem expressiva”, lamenta Parreiras.
Governo brasileiro busca alternativas diplomáticas
Itamaraty avalia resposta institucional
Diante da gravidade da situação, representantes do governo brasileiro, por meio do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, estão avaliando medidas diplomáticas e comerciais. O objetivo é negociar com os Estados Unidos uma revisão da tarifa, buscando preservar o acesso das ferroligas brasileiras ao mercado norte-americano.
Além disso, a indústria tem pressionado o governo federal a incluir o tema em futuras agendas bilaterais, inclusive envolvendo organismos como a OMC (Organização Mundial do Comércio), caso não haja avanços por meio do diálogo direto.
Imagem: Panksvatouny / Shutterstock.com

