Durante os encontros do Brics em 2025, empresas chinesas demonstraram forte interesse em expandir operações no Brasil. Os setores mais visados incluem delivery, inteligência artificial (IA) e mineração, sinalizando uma nova etapa nas relações comerciais sino-brasileiras. A crescente presença da China nos mercados estratégicos do Brasil não é novidade, mas ganha novos contornos com o avanço da tecnologia e da demanda por soluções digitais.
Novas empresas da China querem investir em delivery, inteligência artificial e mineração no Brasil
Empresas chinesas demonstram interesse no Brasil com foco em delivery, inteligência artificial e mineração após eventos do Brics. Saiba mais.
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Fortalecimento da cooperação internacional
O Brics — bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — se consolidou como uma plataforma de cooperação econômica e política. A edição de 2025 foi marcada não apenas por discursos diplomáticos, mas também por rodadas de negócios e prospecções concretas. Delegações empresariais chinesas estiveram presentes com propostas específicas, especialmente nas áreas de tecnologia e logística.
Ambiente favorável a investimentos
O Brasil, com sua base de consumidores robusta, estrutura logística em desenvolvimento e políticas de incentivo à inovação, tornou-se atrativo para investidores estrangeiros. O interesse chinês não é isolado: grandes grupos tecnológicos e logísticos enxergam no país um território promissor para ampliar a presença global.
Delivery: mercado competitivo e em expansão
Interesse em plataformas locais
Um dos focos das empresas chinesas foi o setor de delivery, que ganhou impulso durante a pandemia e continua crescendo. Empresas como Meituan e Didi Food estudam maneiras de entrar no mercado brasileiro, seja por meio de joint ventures com startups locais, seja com aquisições diretas de empresas menores já estabelecidas.
Brasil como trampolim latino-americano
Para grupos chineses, o Brasil não é apenas um mercado-alvo, mas uma porta de entrada para toda a América Latina. O país é visto como estratégico tanto pela sua dimensão territorial quanto pela cultura digital em expansão, com milhões de usuários ativos em aplicativos de entrega e mobilidade urbana.
Inteligência artificial como motor de inovação
IA aplicada a serviços e logística
As empresas chinesas também estão de olho no uso da inteligência artificial em serviços urbanos. O objetivo é implementar algoritmos para otimização de rotas de entrega, personalização da experiência do usuário e automação de centros de distribuição. A expertise chinesa nesse campo é reconhecida mundialmente, e os representantes buscam adaptar essas soluções à realidade brasileira.
Parcerias com universidades e centros de pesquisa
Durante os eventos do Brics, executivos chineses discutiram possíveis colaborações com universidades brasileiras e hubs de inovação. A intenção é fomentar o intercâmbio tecnológico e capacitar profissionais brasileiros para trabalhar com ferramentas de IA, contribuindo para o desenvolvimento de um ecossistema nacional.
Mineração: olho nos recursos naturais
Lítio e terras raras em destaque
Outro setor que atraiu o olhar chinês foi a mineração, especialmente em relação ao lítio e às chamadas “terras raras”, fundamentais para a fabricação de baterias e componentes eletrônicos. Com a crescente demanda por carros elétricos e dispositivos inteligentes, a China busca garantir o abastecimento dessas matérias-primas.
Negociações com estados e empresas locais
Empresas chinesas iniciaram conversas com estados brasileiros ricos em recursos minerais, como Minas Gerais e Bahia. A possibilidade de concessões e exploração compartilhada está na mesa, com promessas de geração de emprego e investimento em infraestrutura nas regiões envolvidas.
Estratégia chinesa de longo prazo

Expansão global planejada
A presença das empresas chinesas no Brasil faz parte de uma estratégia mais ampla do país asiático para internacionalizar seus principais setores produtivos. A chamada “Nova Rota da Seda Digital” prevê não apenas a exportação de produtos, mas também de modelos de negócios baseados em tecnologia e eficiência.
Lições aprendidas em outros mercados
Empresas como Alibaba, Huawei e Tencent já enfrentaram desafios ao entrar em mercados ocidentais. No Brasil, a aposta é uma abordagem mais adaptativa, respeitando a regulação local e formando parcerias com atores nacionais. Isso pode facilitar a aceitação por parte dos consumidores e órgãos reguladores.
Implicações para o mercado brasileiro
Aumento da concorrência e inovação
A entrada de grandes players chineses no delivery e na IA pode gerar um efeito dominó no Brasil. Startups nacionais precisarão se reinventar para manter a competitividade, enquanto os consumidores podem se beneficiar com mais opções e preços mais acessíveis. Além disso, o uso de IA pode levar a um salto de qualidade nos serviços prestados.
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Questões regulatórias e proteção de dados
A presença estrangeira, especialmente em áreas sensíveis como dados e logística urbana, levanta preocupações sobre regulação. Autoridades brasileiras deverão reforçar os marcos legais de proteção de dados e concorrência, garantindo que os investimentos estrangeiros tragam benefícios sem comprometer a soberania digital.
O papel do governo brasileiro
Incentivo à inovação e à competitividade
Para o governo brasileiro, o momento é de equilíbrio: atrair investimentos sem comprometer o protagonismo nacional. Programas de incentivo à inovação, como a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA), precisam ser atualizados para contemplar o novo cenário geopolítico e tecnológico.
Diplomacia econômica ativa
A diplomacia brasileira atuou fortemente nos bastidores do Brics para mediar interesses e promover o país como destino confiável para investimentos tecnológicos. A expectativa é que acordos de cooperação sejam firmados nos próximos meses, impulsionando ainda mais a presença chinesa em solo nacional.
Perspectivas para os próximos anos

Consolidação de parcerias
Especialistas estimam que, até 2027, ao menos cinco grandes empresas chinesas estarão operando com infraestrutura própria no Brasil. A tendência é de que o delivery seja o primeiro setor a registrar essa presença, seguido pela IA aplicada à logística e mineração.
Oportunidades e desafios para o Brasil
O país se encontra diante de uma encruzilhada: aproveitar a expertise e o capital estrangeiro para acelerar a transformação digital ou correr o risco de dependência excessiva de soluções importadas. A chave está em equilibrar inovação com desenvolvimento autônomo, sempre com foco no bem-estar da população e na proteção dos ativos nacionais.
Conclusão
O interesse crescente das empresas chinesas em setores estratégicos como delivery, inteligência artificial e mineração reforça o papel do Brasil como destino relevante no cenário internacional de investimentos. A atuação ativa do país nos eventos do Brics abriu portas para novas parcerias que podem acelerar a transformação digital e gerar empregos. No entanto, é essencial que o Brasil mantenha uma postura estratégica, garantindo que esses avanços contribuam para o desenvolvimento nacional sem comprometer sua soberania econômica e tecnológica.
