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Empréstimo consignado apareceu sem autorização na Caixa? Veja passo a passo para contestar

Avatar de Jéssica Cassana Jéssica Cassana · · 11 min de leitura
Emprestimo consignado

Encontrar um depósito inesperado no Caixa Tem, na poupança ou em outra conta bancária pode parecer uma boa notícia. Mas, quando o dinheiro corresponde a um empréstimo consignado que o beneficiário do INSS não contratou, a situação exige atenção imediata.

A primeira orientação é simples: não gaste o valor e não faça uma devolução por Pix, TED ou boleto enviado por alguém que entrou em contato por telefone ou WhatsApp.

Em golpes desse tipo, criminosos podem utilizar dados pessoais da vítima para iniciar uma operação de crédito e, em seguida, entrar em contato fingindo ser representantes de um banco. Eles alegam que houve um depósito por engano e indicam uma conta diferente para a suposta devolução.

Se a vítima transfere o dinheiro para essa conta, pode perder o valor recebido e ainda continuar vinculada ao contrato fraudulento.

O caminho seguro é confirmar primeiro se existe um consignado registrado no benefício, identificar a instituição responsável e utilizar somente os canais oficiais para contestar a operação.

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Dinheiro de empréstimo apareceu na conta sem autorização: o que fazer?

Empréstimo consignado
Reprodução/Seu Crédito Digital

O beneficiário não deve tentar resolver a situação às pressas.

É importante preservar o dinheiro até que a instituição financeira responsável pela operação informe formalmente como deverá ocorrer eventual devolução.

O INSS orienta os segurados a denunciar irregularidades envolvendo crédito consignado e utilizar os canais oficiais da instituição financeira e do Consumidor.gov.br. (gov.br)

O primeiro passo prático é entrar no Meu INSS.

Confira se existe empréstimo registrado no Meu INSS

O Meu INSS possui um serviço específico chamado Extrato de Empréstimo Consignado.

O documento permite verificar empréstimos que geram desconto no benefício, além de informações como valor da parcela, prazo da operação e margem consignável disponível.

Para contratos celebrados com bancos parceiros a partir de outubro de 2021, também pode ser possível obter uma cópia do contrato pelo sistema. (gov.br)

O procedimento pode ser feito pelo aplicativo ou pelo site Meu INSS.

O beneficiário deve pesquisar por “Extrato de empréstimo” e baixar o documento.

Se aparecer uma operação desconhecida, anote o nome da instituição financeira, valores, parcelas e demais dados apresentados.

Também é recomendável guardar uma cópia do extrato.

Salve provas do depósito e do contrato desconhecido

Antes de iniciar a contestação, reúna as informações disponíveis.

Guarde o extrato bancário mostrando a entrada do dinheiro, capturas de tela do Meu INSS, eventual contrato disponível e todas as mensagens ou ligações relacionadas ao caso.

Também mantenha os números de protocolo dos contatos realizados com o banco.

Esse material pode ser importante caso o problema precise ser encaminhado para a ouvidoria, Consumidor.gov.br, Procon, Banco Central ou até para a Justiça.

Se houver fortes indícios de fraude, o Banco Central recomenda que a ocorrência também seja comunicada à Polícia Civil, já que o BC não possui competência para investigar crimes. (bcb.gov.br)

Consignado agora precisa ser confirmado no Meu INSS

As regras de contratação ganharam uma camada adicional de proteção em 2026.

Após contratar um empréstimo consignado junto à instituição financeira, o beneficiário precisa confirmar a operação no Meu INSS.

Segundo o serviço oficial do governo, a pessoa tem até cinco dias para fazer essa confirmação e o dinheiro somente deve ser liberado depois dessa etapa. (gov.br)

A confirmação é realizada dentro do Meu INSS.

Por isso, se aparecer no sistema uma proposta de empréstimo que você não solicitou, não confirme a operação.

A existência dessa etapa adicional também reforça a necessidade de proteger a senha Gov.br e impedir que terceiros tenham acesso à conta.

E se o empréstimo já tiver sido liberado?

Se o valor já caiu na conta mesmo sem o beneficiário reconhecer a contratação, é necessário contestar diretamente com a instituição financeira responsável.

Não faça uma transferência para uma conta indicada por alguém que entrou em contato espontaneamente.

Entre no aplicativo oficial do banco, no site verdadeiro da instituição ou utilize o telefone divulgado nos canais oficiais.

Informe que não reconhece o contrato, solicite o cancelamento da operação e peça instruções formais para a devolução do dinheiro.

O procedimento deve ser orientado pela própria instituição responsável pelo crédito.

Não devolva por Pix enviado pelo suposto atendente

Essa é uma das precauções mais importantes.

Imagine que R$ 8 mil apareçam na conta e, poucas horas depois, alguém ligue alegando trabalhar para o banco.

O suposto funcionário informa que houve um erro e envia uma chave Pix para que os R$ 8 mil sejam devolvidos.

A vítima transfere o dinheiro, mas descobre depois que a chave pertence a um terceiro envolvido no golpe.

O empréstimo continua registrado e as parcelas começam a ser descontadas do benefício.

Por isso, mesmo que o interlocutor saiba seu nome, CPF, banco ou valor recebido, não utilize dados de pagamento enviados por contatos desconhecidos.

O INSS orienta beneficiários a não compartilhar senhas e informações pessoais por telefone, SMS, redes sociais ou aplicativos de mensagem. (gov.br)

Como pedir o cancelamento de empréstimo não contratado

Existe um serviço oficial denominado “Solicitar Exclusão de Empréstimo Consignado”.

Atualmente, o próprio portal do governo informa que reclamações, denúncias e pedidos de exclusão relacionados a empréstimos consignados devem ser apresentados diretamente pelo Consumidor.gov.br. (gov.br)

Para organizar o atendimento, o beneficiário pode seguir esta sequência:

  1. emitir o Extrato de Empréstimo Consignado no Meu INSS e identificar a instituição;
  2. entrar em contato com o banco pelo SAC ou outro canal oficial e contestar a contratação;
  3. guardar o protocolo e solicitar formalmente o cancelamento do contrato e orientação sobre o valor depositado;
  4. registrar o pedido de exclusão e a reclamação pelo Consumidor.gov.br;
  5. bloquear o benefício no Meu INSS para impedir novas operações enquanto o caso é apurado;
  6. acompanhar os extratos do benefício para verificar se começaram descontos não reconhecidos.

Se a instituição não resolver o problema, existem outros canais de reclamação.

Banco não resolveu? Procure a ouvidoria

O Banco Central orienta consumidores que identificarem dívida ou operação não reconhecida a procurar inicialmente a instituição financeira responsável.

O primeiro contato pode ser realizado na agência, pelo atendimento comum ou pelo Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC).

Se não houver solução, o próximo caminho é a ouvidoria do banco. (bcb.gov.br)

A ouvidoria funciona como uma instância adicional para problemas que não foram solucionados pelos canais iniciais.

Guarde novamente o protocolo.

Também é possível reclamar no Banco Central

Caso o problema continue, o consumidor pode registrar reclamação contra uma instituição supervisionada pelo Banco Central.

O BC recebe reclamações relacionadas a assuntos como empréstimos, contas bancárias, cartões e Pix.

Entretanto, existe uma diferença importante: o Banco Central não decide individualmente a disputa nem determina diretamente a devolução do dinheiro ao consumidor.

Segundo o próprio órgão, as reclamações ajudam na supervisão das instituições, e o banco reclamado é responsável por apresentar uma resposta. (bcb.gov.br)

Para a solução individual, continuam disponíveis instrumentos como Consumidor.gov.br, Procon e Poder Judiciário.

Bloqueie o benefício para novos empréstimos

Quem descobriu uma contratação desconhecida pode ainda adotar uma medida preventiva para evitar novas operações.

No Meu INSS existe o serviço “Bloquear ou Desbloquear Benefício para Empréstimo”.

A solicitação é realizada pela internet e impede que o benefício seja utilizado em novas contratações consignadas enquanto estiver bloqueado. (gov.br)

Para localizar a opção, entre no Meu INSS, acesse o campo de pesquisa e procure por “Bloquear/Desbloquear”.

Quem não pretende contratar crédito consignado pode manter o benefício bloqueado como medida de segurança.

Bloqueio não cancela empréstimo que já existe

É importante não confundir as duas ferramentas.

Bloquear o benefício para empréstimos impede novas operações, mas não significa que um contrato fraudulento já registrado desaparecerá automaticamente.

A operação não reconhecida precisa ser contestada.

Por isso, quem identifica um empréstimo indevido deve fazer as duas coisas: contestar o contrato existente e bloquear o benefício contra novas contratações.

Começaram a descontar parcelas do benefício: e agora?

Se parcelas de um empréstimo desconhecido já aparecem no extrato de pagamento, inclua essa informação na reclamação.

Guarde os comprovantes de todos os descontos.

Ao falar com o banco, informe expressamente que não reconhece a operação e que já existem valores sendo retirados da aposentadoria, pensão ou benefício.

Também acompanhe o Extrato de Empréstimo Consignado e o Extrato de Pagamento dentro do Meu INSS.

O instituto recomenda a consulta periódica dos extratos justamente para que operações e descontos desconhecidos sejam identificados rapidamente. (gov.br)

Vale consultar também o Registrato

Caso existam sinais de uso indevido dos dados pessoais, pode ser útil conferir se apareceram outras operações financeiras desconhecidas.

O Banco Central disponibiliza pelo Registrato o Relatório de Empréstimos e Financiamentos, que reúne informações enviadas pelas instituições ao Sistema de Informações de Crédito (SCR).

Se uma dívida desconhecida estiver registrada, o BC orienta que o consumidor procure a instituição responsável e peça a correção ou exclusão. Se o problema não for solucionado, é possível procurar a ouvidoria e posteriormente registrar reclamação no Banco Central. (bcb.gov.br)

A consulta funciona como uma camada adicional de verificação, principalmente quando existe suspeita de fraude com documentos ou dados pessoais.

Caixa Tem recebeu o dinheiro, mas Caixa não aparece no contrato

Outro cuidado é diferenciar a conta que recebeu o dinheiro da instituição que concedeu o empréstimo.

O fato de o valor ter entrado no Caixa Tem ou em uma conta da Caixa não significa necessariamente que a Caixa seja responsável pelo contrato.

O crédito pode ter sido concedido por outra instituição e depositado naquela conta.

Por isso, a identificação do banco responsável deve ser feita pelo contrato e pelo Extrato de Empréstimo Consignado.

É essa instituição que deve ser acionada inicialmente para contestar a operação.

Não forneça senha do Gov.br para cancelar o empréstimo

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Nenhum atendente precisa conhecer a senha da sua conta Gov.br para cancelar uma operação.

Também não entregue código recebido por SMS, código de autenticação ou acesso remoto ao celular.

Se uma pessoa disser que precisa entrar no Meu INSS em seu nome para cancelar a fraude, encerre o contato.

O beneficiário deve acessar pessoalmente o Meu INSS ou pedir auxílio a alguém de confiança sem revelar senhas.

O que não fazer se receber empréstimo sem contratar?

A situação exige cautela justamente porque uma primeira fraude pode ser seguida por uma segunda tentativa de golpe.

Não use o dinheiro como se fosse seu.

Também não faça uma devolução improvisada para uma chave Pix, boleto ou conta enviada por WhatsApp.

Não confirme uma proposta de empréstimo desconhecida no Meu INSS e não entregue senhas ou códigos de segurança a supostos representantes do banco ou do INSS.

O procedimento seguro é preservar o valor, identificar o contrato no Meu INSS e procurar diretamente a instituição financeira responsável.

Agir rápido pode evitar novos descontos

Receber um valor de consignado sem ter solicitado não deve ser tratado como simples erro bancário.

É necessário verificar imediatamente se existe contrato associado ao benefício.

O Meu INSS permite consultar as operações consignadas e, em 2026, também passou a exigir que novos empréstimos sejam confirmados pelo beneficiário antes da liberação.

Se o contrato não for reconhecido, o pedido de exclusão deve ser encaminhado pelo Consumidor.gov.br e a instituição financeira precisa ser acionada pelos canais oficiais.

Enquanto a situação é analisada, o beneficiário pode bloquear o benefício para novas operações e acompanhar os extratos.

E a regra mais importante permanece: não devolva o dinheiro para uma conta indicada por desconhecidos. A devolução de eventual valor recebido deve seguir o procedimento formal informado pela instituição financeira responsável, depois que a contestação estiver registrada.

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