Nos últimos meses, aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) têm enfrentado dificuldades para acessar o crédito consignado, especialmente através de correspondentes bancários.
Empréstimo consignado do INSS: bancos restringem oferta de crédito
Em razão do teto de juros imposto pelo INSS, bancos como Itaú, Banco Pan, Mercantil e BMG restringem oferta de empréstimo consignado via correspondentes bancários. Entenda os impactos dessa medida e o que ela significa para aposentados e pensionistas
Grandes instituições financeiras, como Itaú Unibanco, Banco Pan, Banco Mercantil e Banco BMG, decidiram restringir a oferta deste tipo de crédito a novos clientes. A principal razão para essa medida está relacionada ao teto de juros estabelecido para o empréstimo consignado do INSS, que impacta diretamente na viabilidade do produto.
Leia mais: Empréstimo Consignado INSS vai mudar: governo prepara alterações importantes
O Que é o Empréstimo Consignado do INSS?
O crédito consignado é um tipo de empréstimo no qual as parcelas são descontadas diretamente da aposentadoria ou pensão do beneficiário. Esse modelo de crédito foi criado para oferecer condições mais acessíveis aos aposentados e pensionistas, já que as parcelas são automaticamente descontadas, o que reduz o risco de inadimplência para os bancos.
De acordo com a legislação brasileira, é possível comprometer até 45% da renda mensal com o empréstimo consignado. Esse percentual é dividido da seguinte forma:
- 35% para empréstimos pessoais;
- 5% para o cartão de crédito consignado;
- 5% para o cartão de benefício.
Além disso, os empréstimos podem ser parcelados em até 84 meses, oferecendo prazos longos para os pagamentos. No entanto, o aumento dos custos financeiros e as recentes mudanças nas taxas de juros podem comprometer essa modalidade de crédito.

A Restrição na Oferta do Empréstimo Consignado
Nos últimos meses, grandes bancos como Itaú Unibanco, Banco Pan, Banco Mercantil e Banco BMG anunciaram que estavam suspendendo a oferta de crédito consignado do INSS por meio de correspondentes bancários. A principal razão apontada para essa decisão é o impacto do teto de juros estabelecido para o empréstimo consignado.
O Teto de Juros no Crédito Consignado
Atualmente, o teto de juros para o crédito consignado do INSS está fixado em 1,66% ao mês para o empréstimo pessoal e 2,46% ao mês para o cartão de crédito e o cartão de benefício. Esse limite é uma medida do governo para proteger os aposentados e pensionistas de práticas abusivas de cobrança, considerando o histórico de endividamento da classe.
No entanto, os bancos alegam que, com os custos de captação de recursos no mercado financeiro ultrapassando 14% ao ano, o teto de juros atual torna a operação do crédito consignado inviável, principalmente quando se trata de operações realizadas por correspondentes bancários.
A Reação dos Bancos
O Itaú Unibanco, em nota oficial, afirmou que a suspensão temporária da oferta de crédito consignado para novos clientes via correspondentes bancários se deve ao teto de juros combinado com o aumento nos custos de captação.
No entanto, o banco deixou claro que o produto segue disponível para clientes que recebem seus benefícios no Itaú, sendo possível contratar diretamente nas agências ou pelo aplicativo do banco.
O Banco Pan, Banco Mercantil e Banco BMG adotaram posturas semelhantes, alegando que a elevação dos custos de captação tornaram a operação por meio de correspondentes bancários economicamente inviável.
Impacto nos Aposentados e Pensionistas
A suspensão do crédito consignado por correspondentes bancários representa um impacto direto para aposentados e pensionistas que dependem dessa linha de crédito para suprir suas necessidades financeiras.
Tradicionalmente, esses clientes costumam recorrer aos correspondentes bancários por sua conveniência e acessibilidade, já que esses profissionais estão mais próximos das comunidades e facilitam a contratação do produto.
Sem Conta em Bancos
Com a medida adotada pelos bancos, muitos beneficiários do INSS que não têm conta nos bancos mencionados ou que preferem não se deslocar até as agências podem encontrar dificuldades para acessar o crédito.
Embora o crédito ainda esteja disponível para aqueles que já são clientes dos bancos, a restrição pode resultar em uma limitação de opções para quem precisa de recursos de forma urgente.
O Debate Jurídico Sobre o Teto de Juros
A decisão dos bancos de restringir o crédito consignado do INSS também gerou um debate jurídico envolvendo a Associação Brasileira de Bancos (ABBC). A entidade entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contestando a competência do INSS e do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) para fixar os tetos de juros.
Segundo a ABBC, a atribuição para estabelecer esses limites seria exclusiva do Conselho Monetário Nacional (CMN), conforme a Lei nº 4.595/64, que regulamenta o Sistema Financeiro Nacional.
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Selic Como Referência
A associação defende ainda que o uso da taxa Selic como referência para o teto de juros é inadequado, pois essa taxa não reflete os custos de captação de longo prazo, necessários para o financiamento do crédito consignado.
Além disso, a ABBC critica o fato de que os tetos de juros foram reduzidos rapidamente quando a Selic caiu, mas não foram ajustados de maneira igual quando a taxa básica de juros do país aumentou. A associação argumenta que esse descompasso prejudica a operação das instituições financeiras e limita a oferta de crédito.
O Papel do Ministério da Previdência Social
O Ministério da Previdência Social (MPS) também está envolvido no debate sobre o crédito consignado.
O órgão, responsável pela gestão das políticas voltadas aos aposentados e pensionistas, tem afirmado que as medidas adotadas visam proteger os consumidores contra práticas abusivas e garantir a sustentabilidade financeira dos beneficiários do INSS, que têm enfrentado elevados níveis de endividamento.
Até o fechamento deste artigo, o MPS não havia se manifestado sobre as recentes ações judiciais ou sobre a suspensão do crédito consignado por correspondentes bancários. Contudo, o ministério já declarou em outras ocasiões que a regulamentação visa proteger os aposentados e pensionistas contra condições de crédito predatórias.

A Visão do Mercado
A situação atual reflete um cenário de tensão no mercado de crédito no Brasil. O crédito consignado sempre foi visto como uma das opções mais seguras e acessíveis para aposentados e pensionistas, devido à garantia do desconto direto na aposentadoria ou pensão.
No entanto, as mudanças nas condições econômicas e as regras de juros têm colocado essa modalidade de crédito em risco.
É possível que, em breve, novas medidas sejam adotadas pelos bancos ou pelo governo para resolver essa questão. A pressão dos bancos sobre o STF e a contestação sobre o teto de juros podem levar a ajustes nas regras, mas, por enquanto, a oferta de crédito está restrita e as opções para os beneficiários estão diminuindo.
Imagem: rafapress / shutterstock.com
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