Uma nova pesquisa realizada pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, encomendada pelo BTG Pactual, revela um retrato importante da realidade financeira dos brasileiros: o endividamento, especialmente entre os mais pobres, não está associado ao consumo supérfluo, mas sim a necessidades básicas.
Endividamento entre pobres não é por consumismo e sim por necessidade, diz estudo
Pesquisa revela que brasileiros se endividam por despesas essenciais. Veja causas, dados e impacto na renda das famílias.
O levantamento mostra que despesas do dia a dia — como alimentação, contas fixas e saúde — são os principais fatores que levam as famílias a contrair dívidas. Os dados reforçam um cenário já acompanhado por órgãos como o Banco Central do Brasil, que aponta níveis recordes de comprometimento da renda com dívidas.
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Endividamento pressiona e inadimplência bate recorde
Gastos essenciais lideram as causas de endividamento
Contas do dia a dia são o principal fator
De acordo com a pesquisa, 50% dos brasileiros afirmam que os gastos cotidianos são o principal motivo do endividamento. Isso inclui despesas como:
- Alimentação
- Energia elétrica
- Água
- Transporte
Esse dado se repete em todas as faixas de renda, mostrando que o custo de vida elevado tem impacto generalizado na população.
Saúde pesa mais para quem ganha menos
Outro destaque do levantamento é o peso das despesas com saúde no orçamento das famílias de baixa renda.
Entre os brasileiros que recebem até um salário mínimo:
- 41% apontam gastos com saúde como causa das dívidas
Na média geral, esse número cai para 32%, e diminui progressivamente conforme a renda aumenta:
- De 1 a 2 salários mínimos: 37%
- De 2 a 5 salários mínimos: 30%
- Acima de 5 salários mínimos: 19%
Esse cenário evidencia a vulnerabilidade das famílias mais pobres diante de despesas inesperadas, como consultas, exames e medicamentos.
Desemprego agrava a situação financeira
Impacto maior entre os mais vulneráveis
A perda de renda também aparece como um fator relevante, principalmente entre os brasileiros de menor renda.
Segundo a pesquisa:
- 22% dos que ganham até um salário mínimo se endividaram por desemprego próprio ou familiar
- Na média geral, o índice é de 13%
Isso mostra que a instabilidade no mercado de trabalho continua sendo um dos principais gatilhos para o endividamento.
Diferenças no perfil das dívidas conforme a renda
Consumo financiado cresce entre renda mais alta
Embora os gastos essenciais liderem em todas as faixas, o perfil das dívidas muda conforme a renda aumenta.
Entre brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos:
- 49% citam despesas do dia a dia
- 35% apontam consumo financiado (compras parceladas, financiamentos)
- 20% mencionam queda de renda
Ou seja, nas faixas mais altas, o crédito é mais utilizado para consumo planejado, enquanto nas mais baixas ele serve para cobrir necessidades básicas.
Dívidas difíceis de evitar e de quitar
Despesas recorrentes pressionam o orçamento
Segundo especialistas da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, o problema central está na natureza das despesas que levam ao endividamento.
Gastos com alimentação, saúde e moradia são:
- Essenciais
- Recorrentes
- Difíceis de reduzir
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Isso cria um ciclo perigoso: a dívida surge para cobrir uma necessidade imediata e, com o tempo, cresce devido aos juros e à dificuldade de pagamento.
Exemplo prático
Imagine uma família que precisa arcar com uma despesa médica inesperada. Sem reserva financeira, recorre ao cartão de crédito. Com juros elevados, o valor cresce rapidamente, tornando-se difícil de quitar — especialmente se a renda já estiver comprometida.
Endividamento atinge níveis recordes no Brasil
Dados recentes do Banco Central do Brasil mostram que:
- O endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda em fevereiro
- O comprometimento da renda com dívidas atingiu 29,7%, o maior nível da série histórica iniciada em 2005
Esses números indicam que uma parcela significativa da renda mensal dos brasileiros está sendo destinada ao pagamento de dívidas, reduzindo o poder de consumo e aumentando a vulnerabilidade financeira.
Governo tenta reduzir o problema com programas de renegociação
Papel do Desenrola Brasil
Diante desse cenário, o governo federal tem apostado em programas como o Desenrola Brasil para reduzir a inadimplência.
A iniciativa busca:
- Oferecer descontos nas dívidas
- Reduzir juros
- Facilitar o parcelamento
O objetivo é permitir que famílias voltem a ter acesso ao crédito e reorganizem suas finanças.
Metodologia da pesquisa
O levantamento foi realizado com 2.028 pessoas entre os dias 24 e 26 de abril de 2026, por telefone.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01075/2026, garantindo transparência e confiabilidade nos dados apresentados.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
