Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Endividamento entre pobres não é por consumismo e sim por necessidade, diz estudo

Pesquisa revela que brasileiros se endividam por despesas essenciais. Veja causas, dados e impacto na renda das famílias.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
Endividamento entre pobres não é por consumismo e sim por necessidade, diz estudo

Uma nova pesquisa realizada pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, encomendada pelo BTG Pactual, revela um retrato importante da realidade financeira dos brasileiros: o endividamento, especialmente entre os mais pobres, não está associado ao consumo supérfluo, mas sim a necessidades básicas.

O levantamento mostra que despesas do dia a dia — como alimentação, contas fixas e saúde — são os principais fatores que levam as famílias a contrair dívidas. Os dados reforçam um cenário já acompanhado por órgãos como o Banco Central do Brasil, que aponta níveis recordes de comprometimento da renda com dívidas.

Leia mais:

Endividamento pressiona e inadimplência bate recorde

Gastos essenciais lideram as causas de endividamento

Contas do dia a dia são o principal fator

De acordo com a pesquisa, 50% dos brasileiros afirmam que os gastos cotidianos são o principal motivo do endividamento. Isso inclui despesas como:

  • Alimentação
  • Energia elétrica
  • Água
  • Transporte

Esse dado se repete em todas as faixas de renda, mostrando que o custo de vida elevado tem impacto generalizado na população.

Saúde pesa mais para quem ganha menos

Outro destaque do levantamento é o peso das despesas com saúde no orçamento das famílias de baixa renda.

Entre os brasileiros que recebem até um salário mínimo:

  • 41% apontam gastos com saúde como causa das dívidas

Na média geral, esse número cai para 32%, e diminui progressivamente conforme a renda aumenta:

  • De 1 a 2 salários mínimos: 37%
  • De 2 a 5 salários mínimos: 30%
  • Acima de 5 salários mínimos: 19%

Esse cenário evidencia a vulnerabilidade das famílias mais pobres diante de despesas inesperadas, como consultas, exames e medicamentos.

Desemprego agrava a situação financeira

Impacto maior entre os mais vulneráveis

A perda de renda também aparece como um fator relevante, principalmente entre os brasileiros de menor renda.

Segundo a pesquisa:

  • 22% dos que ganham até um salário mínimo se endividaram por desemprego próprio ou familiar
  • Na média geral, o índice é de 13%

Isso mostra que a instabilidade no mercado de trabalho continua sendo um dos principais gatilhos para o endividamento.

Diferenças no perfil das dívidas conforme a renda

Consumo financiado cresce entre renda mais alta

Embora os gastos essenciais liderem em todas as faixas, o perfil das dívidas muda conforme a renda aumenta.

Entre brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos:

  • 49% citam despesas do dia a dia
  • 35% apontam consumo financiado (compras parceladas, financiamentos)
  • 20% mencionam queda de renda

Ou seja, nas faixas mais altas, o crédito é mais utilizado para consumo planejado, enquanto nas mais baixas ele serve para cobrir necessidades básicas.

Dívidas difíceis de evitar e de quitar

Despesas recorrentes pressionam o orçamento

Segundo especialistas da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, o problema central está na natureza das despesas que levam ao endividamento.

Gastos com alimentação, saúde e moradia são:

  • Essenciais
  • Recorrentes
  • Difíceis de reduzir

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Isso cria um ciclo perigoso: a dívida surge para cobrir uma necessidade imediata e, com o tempo, cresce devido aos juros e à dificuldade de pagamento.

Exemplo prático

Imagine uma família que precisa arcar com uma despesa médica inesperada. Sem reserva financeira, recorre ao cartão de crédito. Com juros elevados, o valor cresce rapidamente, tornando-se difícil de quitar — especialmente se a renda já estiver comprometida.

Endividamento atinge níveis recordes no Brasil

Dados recentes do Banco Central do Brasil mostram que:

  • O endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda em fevereiro
  • O comprometimento da renda com dívidas atingiu 29,7%, o maior nível da série histórica iniciada em 2005

Esses números indicam que uma parcela significativa da renda mensal dos brasileiros está sendo destinada ao pagamento de dívidas, reduzindo o poder de consumo e aumentando a vulnerabilidade financeira.

Governo tenta reduzir o problema com programas de renegociação

Papel do Desenrola Brasil

Diante desse cenário, o governo federal tem apostado em programas como o Desenrola Brasil para reduzir a inadimplência.

A iniciativa busca:

  • Oferecer descontos nas dívidas
  • Reduzir juros
  • Facilitar o parcelamento

O objetivo é permitir que famílias voltem a ter acesso ao crédito e reorganizem suas finanças.

Metodologia da pesquisa

O levantamento foi realizado com 2.028 pessoas entre os dias 24 e 26 de abril de 2026, por telefone.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01075/2026, garantindo transparência e confiabilidade nos dados apresentados.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados