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Endividamento das famílias cresce 82% e acende alerta sobre orçamento doméstico

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
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O nível de endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde em 2026, mostrando que o orçamento doméstico continua sob forte pressão. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 82% das famílias afirmaram possuir algum tipo de dívida em julho.

O resultado representa o maior percentual registrado pela série histórica do levantamento e marca o sexto mês consecutivo de avanço no indicador. Na comparação com junho, quando o índice estava em 81,6%, houve alta de 0,4 ponto percentual. Em relação a julho de 2025, quando o endividamento alcançava 78,5%, o crescimento foi de 3,5 pontos percentuais.

O cenário mostra que, mesmo com sinais de melhora em alguns indicadores de emprego e renda, uma parcela significativa dos brasileiros continua utilizando crédito para equilibrar as contas do mês.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O que explica o aumento do endividamento das famílias?

O crescimento do endividamento está relacionado a uma combinação de fatores econômicos que afetam diretamente a capacidade de consumo das famílias.

Entre os principais motivos estão o uso elevado de cartão de crédito, financiamentos, empréstimos pessoais e parcelamentos de compras. Para muitos consumidores, o crédito funciona como uma alternativa para compensar a diferença entre a renda disponível e o custo das despesas básicas.

Mesmo com a inflação mais controlada em alguns períodos, itens essenciais como alimentação, moradia, transporte e serviços continuam representando uma parcela importante do orçamento familiar.

Outro ponto de atenção é que muitas famílias passaram a acumular compromissos financeiros após períodos de maior dificuldade econômica, aumentando a dependência de linhas de crédito para manter o padrão de consumo.

Inadimplência apresenta leve melhora, mas segue preocupante

Apesar do recorde de endividamento, os dados da CNC indicam uma pequena melhora no número de famílias com contas em atraso.

A taxa geral de inadimplência recuou de 29,9% em junho para 29,8% em julho. Embora a redução seja discreta, o movimento indica que parte dos consumidores conseguiu regularizar pendências ou reduzir atrasos nos pagamentos.

O tempo médio de atraso das dívidas também apresentou melhora. O período caiu para 64,6 dias, menor nível registrado desde dezembro de 2025, quando estava em 64,3 dias.

Além disso, a parcela de consumidores inadimplentes com dívidas atrasadas há mais de 90 dias caiu para 48,5%, representando o menor percentual desde agosto de 2025.

Os números mostram um cenário misto: mais famílias possuem dívidas, mas uma parcela delas conseguiu melhorar a organização dos pagamentos.

Famílias comprometem quase um terço da renda com dívidas

Outro indicador que chama atenção é o comprometimento da renda dos consumidores endividados.

Segundo a pesquisa, os brasileiros com dívidas destinam, em média, 29,5% da renda mensal para quitar compromissos financeiros.

O percentual significa que quase um terço do dinheiro recebido por essas famílias já possui destino definido antes mesmo das despesas do mês, como alimentação, aluguel, contas domésticas e transporte.

A situação se torna ainda mais delicada entre consumidores que possuem mais de 50% da renda comprometida com pagamentos de dívidas.

Esse grupo chegou a 19% das famílias em julho, o maior patamar registrado desde março de 2026.

O alto comprometimento reduz a capacidade de consumo e aumenta o risco de novos atrasos caso aconteça algum imprevisto financeiro, como perda de emprego, redução de renda ou aumento de despesas.

Programas de renegociação ajudam a reduzir atrasos

A pesquisa também foi divulgada após o período inicial de funcionamento do programa Desenrola 2.0, iniciativa voltada à renegociação de dívidas.

Programas de renegociação têm como objetivo facilitar o acesso dos consumidores a condições melhores de pagamento, permitindo descontos, parcelamentos e reorganização financeira.

Especialistas avaliam que ações desse tipo podem contribuir para diminuir a inadimplência, mas destacam que a redução sustentável do endividamento depende também de aumento da renda, educação financeira e controle do crédito.

A simples renegociação de uma dívida resolve o problema imediato, mas não elimina a necessidade de planejamento para evitar novos compromissos acima da capacidade de pagamento.

Endividamento cresce mais entre famílias de menor renda

A análise por faixa de renda mostra diferenças importantes no comportamento financeiro dos brasileiros.

Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 84,9% em julho.

O resultado representa uma alta em relação a junho, quando o índice era de 84,7%, e também supera o registrado no mesmo período de 2025, quando estava em 81,2%.

Esse grupo é considerado mais vulnerável porque possui menor margem para absorver aumentos de preços ou despesas inesperadas.

Quando uma família de menor renda assume uma nova dívida, uma parcela maior do orçamento costuma ser comprometida, tornando mais difícil equilibrar as contas.

Famílias de maior renda também ampliam uso do crédito

Entre consumidores com renda superior a dez salários mínimos, o volume de endividamento também apresentou crescimento ao longo do ano.

No entanto, esse grupo registrou melhora no indicador de inadimplência. A parcela de famílias com contas em atraso caiu de 15,4% em junho para 15,1% em julho.

A diferença ocorre porque consumidores de maior renda geralmente possuem mais capacidade de absorver financiamentos e administrar compromissos financeiros.

Mesmo assim, o aumento das dívidas indica que o crédito continua sendo utilizado como ferramenta importante para consumo e planejamento financeiro.

Quais são os principais tipos de dívida dos brasileiros?

O cartão de crédito continua entre as principais formas de endividamento das famílias brasileiras.

Isso acontece porque o cartão oferece facilidade de pagamento parcelado e acesso rápido ao crédito, mas também pode gerar dificuldades quando o consumidor não consegue pagar o valor total da fatura.

Outros compromissos comuns incluem:

  • financiamentos de veículos;
  • empréstimos pessoais;
  • crédito consignado;
  • compras parceladas;
  • financiamentos imobiliários.

Cada modalidade possui características diferentes, mas todas exigem atenção para que as parcelas não ultrapassem a capacidade financeira da família.

Como evitar o aumento das dívidas?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Especialistas em educação financeira recomendam algumas medidas para reduzir riscos de endividamento excessivo.

O primeiro passo é conhecer exatamente quanto entra e quanto sai todos os meses. Ter controle das despesas permite identificar gastos que podem ser reduzidos.

Também é importante evitar utilizar crédito como complemento permanente da renda. O parcelamento pode ser útil em compras planejadas, mas se torna um problema quando passa a financiar despesas básicas recorrentes.

Outra estratégia é priorizar o pagamento de dívidas com juros mais elevados, como cartão de crédito rotativo e algumas modalidades de empréstimos.

A criação de uma reserva financeira, mesmo com pequenos valores mensais, também ajuda a enfrentar situações inesperadas sem recorrer imediatamente ao crédito.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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