Uma nova pesquisa divulgada pela Quaest neste domingo (16) revelou que o endividamento atinge grande parte da população brasileira, principalmente entre as classes de menor renda. De acordo com o levantamento, 77% das pessoas de baixa renda no país se consideram endividadas, sendo que 25% afirmam ter muitas dívidas e 52% relatam possuir algumas pendências financeiras.
Pesquisa revela que 77% da população de baixa renda no Brasil se considera endividada
Uma pesquisa da Quaest revelou que 77% da população de baixa renda no Brasil se considera endividada, com 25% relatando muitas dívidas.
O estudo também apontou que a classe média enfrenta situação semelhante, com 76% de seus integrantes relatando dívidas, enquanto na classe alta esse número é de 73%. Os dados reforçam o impacto do crédito e das condições econômicas sobre os brasileiros, evidenciando o desafio do acesso a serviços financeiros e o peso dos juros no orçamento familiar.
O impacto do endividamento por classe social

Classe baixa: a mais afetada pelo endividamento
Entre os brasileiros de menor renda, apenas 23% afirmam não ter dívidas, um número que evidencia a fragilidade financeira desse grupo. Com a renda comprometida por custos básicos como alimentação, moradia e transporte, muitos recorrem a empréstimos e parcelamentos para conseguir manter um mínimo de estabilidade.
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A inflação e os altos juros tornam essa equação ainda mais difícil de resolver. O endividamento elevado também afeta a capacidade dessas famílias de investir em educação, saúde e outros fatores essenciais para a mobilidade social.
Classe média: um cenário semelhante, mas com mais acesso ao crédito
A classe média brasileira também enfrenta um cenário preocupante, com 76% dos entrevistados relatando estarem endividados. A diferença em relação à classe baixa está no acesso a crédito e serviços bancários, permitindo melhores condições de renegociação e financiamento.
O impacto da alta dos juros e da inflação, no entanto, tem feito com que muitas famílias dessa classe precisem cortar gastos e repensar suas finanças.
Classe alta: endividamento menor, mas ainda expressivo
Apesar de possuir maior poder aquisitivo, a classe alta também lida com endividamento. Segundo a pesquisa, 73% das pessoas desse grupo afirmam ter dívidas, sendo que 20% se consideram muito endividados. No entanto, a capacidade de lidar com essas pendências é maior, devido ao maior acesso a crédito e a uma margem de renda que permite ajustes no orçamento.
Bancarização no Brasil: Pix lidera entre os mais pobres
Outro dado importante revelado pela pesquisa Quaest está relacionado ao uso dos serviços financeiros no Brasil. O Pix, ferramenta de pagamentos instantâneos do Banco Central, já faz parte da rotina de 65% da população de baixa renda e de 79% da classe média. Esse dado mostra que, apesar do endividamento, os brasileiros estão cada vez mais digitalizados em suas transações financeiras.
O acesso ao crédito ainda é um desafio
Mesmo com a popularização do Pix, o uso do cartão de crédito ainda é restrito para a população de menor renda. Apenas 40% da classe baixa possuem um cartão de crédito, contra 58% da classe média. Esse cenário reflete o desafio do acesso ao crédito para aqueles que mais precisam, o que muitas vezes os empurra para empréstimos informais com juros abusivos.
Por outro lado, o cartão de débito é mais utilizado e, junto com o Pix, se tornou um dos principais meios de pagamento da população.
Contas bancárias: maioria ainda não está no sistema financeiro formal
Outro dado relevante é que 68% da classe baixa possuem uma conta bancária, enquanto esse número sobe para 84% na classe média e 91% na classe alta. Embora haja avanços na bancarização, uma parcela significativa da população de baixa renda ainda está fora do sistema financeiro formal, dependendo de meios alternativos para realizar transações financeiras.
O que causa o endividamento no Brasil?
Diversos fatores contribuem para o alto nível de endividamento da população brasileira, especialmente entre os mais pobres. Entre os principais motivos, destacam-se:
- Baixa renda e alto custo de vida: O salário muitas vezes não acompanha a inflação, forçando as famílias a recorrerem ao crédito para cobrir despesas básicas.
- Taxas de juros elevadas: O Brasil tem uma das maiores taxas de juros do mundo, tornando o crédito mais caro e dificultando a quitação das dívidas.
- Falta de educação financeira: Muitos brasileiros não recebem instrução adequada sobre como gerir suas finanças, o que leva ao uso indiscriminado do crédito.
- Desemprego e instabilidade econômica: A falta de empregos estáveis faz com que muitas pessoas fiquem sem condições de honrar compromissos financeiros, gerando um efeito bola de neve nas dívidas.
Como evitar e sair do endividamento?

Para reverter essa situação, é fundamental adotar práticas financeiras mais seguras. Algumas estratégias incluem:
1. Criar um orçamento mensal
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Registrar todas as receitas e despesas permite visualizar onde o dinheiro está sendo gasto e cortar gastos desnecessários.
2. Priorizar o pagamento de dívidas com juros altos
Focar na quitação de dívidas com juros elevados, como cartão de crédito e cheque especial, pode evitar que o endividamento se torne incontrolável.
3. Buscar renegociação e alternativas mais baratas
Entrar em contato com instituições financeiras para renegociar dívidas pode trazer melhores condições de pagamento. Além disso, considerar linhas de crédito com juros menores, como consignado, pode ser uma opção viável.
4. Criar uma reserva de emergência
Guardar uma parte da renda para emergências evita que a pessoa precise recorrer a empréstimos em momentos inesperados.
5. Investir em educação financeira
Entender melhor sobre finanças pessoais ajuda a tomar decisões mais informadas e evitar erros que levam ao endividamento.
Considerações finais
O endividamento no Brasil afeta todas as classes sociais, mas é especialmente preocupante entre a população de baixa renda. Com 77% desse grupo relatando dificuldades financeiras, o acesso a crédito e a condições mais justas de pagamento se torna uma questão essencial para a inclusão econômica.
A pesquisa Quaest também mostrou que, apesar do avanço da digitalização financeira, muitos brasileiros ainda enfrentam desafios na bancarização e no acesso ao crédito. O caminho para a solução passa por políticas públicas mais eficientes, além do incentivo à educação financeira, para que a população possa gerenciar melhor seus recursos e evitar o superendividamento.
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