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Redação do Enem 2026 pode abordar estes 7 temas, segundo professores

Enem 2026: veja temas atuais para treinar a redação, repertórios importantes e como se preparar sem tentar adivinhar a proposta.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··12 min de leitura
Redação do Enem 2026 pode abordar estes 7 temas, segundo professores

A preparação para a redação do Enem 2026 entra em uma fase decisiva. Com a primeira aplicação marcada para 8 de novembro e a segunda para 15 de novembro, os estudantes têm pouco mais de dois meses para consolidar repertório, aprimorar a argumentação e ganhar segurança na produção do texto.

Nesse período, mais importante do que tentar descobrir qual será o assunto escolhido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é ampliar a capacidade de discutir problemas sociais, culturais, ambientais, científicos e políticos a partir de diferentes perspectivas.

A redação do Enem exige um texto dissertativo-argumentativo escrito em modalidade formal da língua portuguesa. A proposta pode abordar questões de ordem social, científica, cultural ou política, o que explica a importância de acompanhar acontecimentos recentes e compreender problemas estruturais do Brasil.

Por isso, listas de possíveis temas devem ser encaradas como ferramentas de treinamento, e não como previsões. O estudante que decorar argumentos para um único assunto corre o risco de ficar sem repertório caso a proposta siga uma direção diferente.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Quais temas podem ser estudados para a redação do Enem 2026?

Não existe uma lista oficial de possíveis temas para a redação do Enem 2026. A escolha da proposta é feita pelo Inep, e qualquer relação divulgada antes da prova deve ser tratada como uma seleção de assuntos relevantes para estudo.

Ainda assim, alguns debates que estão presentes na sociedade brasileira podem render bons exercícios de redação.

Entre eles estão a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, os efeitos da inteligência artificial, as mudanças climáticas, a inclusão de pessoas neurodivergentes, a desinformação científica, o acesso ao esporte, a poluição por microplásticos e os desafios relacionados à saúde pública.

O objetivo de estudar esses assuntos não deve ser decorar uma redação pronta. O ideal é compreender o problema, identificar seus diferentes agentes, conhecer dados e leis relacionados ao tema e conseguir elaborar uma proposta de intervenção coerente.

Proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital

A relação entre crianças, adolescentes e internet é um dos assuntos que merece atenção durante a preparação para o Enem 2026.

O crescimento do uso de redes sociais, plataformas de vídeo, aplicativos e jogos digitais trouxe benefícios para comunicação e aprendizagem, mas também ampliou discussões sobre privacidade, publicidade direcionada, exposição a conteúdos inadequados, cyberbullying e mecanismos de retenção de usuários.

O assunto ganhou ainda mais relevância com a regulamentação brasileira voltada à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Para uma redação, o estudante pode explorar a responsabilidade compartilhada entre famílias, escolas, poder público e empresas de tecnologia. Também é possível discutir educação digital, proteção de dados, mecanismos de verificação de idade e fiscalização de plataformas.

Um bom exercício seria desenvolver uma tese a partir da seguinte questão: quais obstáculos dificultam a proteção de crianças e adolescentes diante dos riscos existentes no ambiente digital brasileiro?

A resposta não deve ficar limitada à tecnologia. O estudante pode relacionar o problema à falta de educação digital, à dificuldade de fiscalização, à vulnerabilidade de determinados grupos e à responsabilidade das empresas que administram as plataformas.

Inteligência artificial e os impactos na sociedade

A inteligência artificial deixou de ser um assunto restrito ao setor de tecnologia e passou a fazer parte do cotidiano de estudantes, trabalhadores, empresas e órgãos públicos.

Ferramentas capazes de produzir textos, imagens, áudios e vídeos podem facilitar atividades profissionais e educacionais. Ao mesmo tempo, levantam questões sobre autoria, privacidade, substituição de determinadas tarefas, vieses algorítmicos e disseminação de conteúdos falsos.

Esse conjunto de questões torna a inteligência artificial um assunto interessante para treinamento de redação.

O estudante pode, por exemplo, discutir os desafios para garantir o uso responsável da inteligência artificial na educação brasileira. Outra possibilidade é analisar os efeitos da automação sobre o mercado de trabalho.

Também é importante conhecer conceitos básicos. Termos como inteligência artificial generativa, algoritmo, deepfake, automação, viés algorítmico e proteção de dados podem ajudar a construir argumentos mais precisos.

Entretanto, usar palavras tecnológicas sem explicar sua relação com o problema não garante uma boa redação. O repertório precisa cumprir uma função argumentativa.

Mudanças climáticas e preparação das cidades

Os eventos climáticos extremos também continuam sendo um campo amplo para exercícios.

Enchentes, secas, ondas de calor, deslizamentos, queimadas e outros fenômenos podem ser analisados não apenas pela perspectiva ambiental, mas também pelos impactos sociais e econômicos.

Um dos caminhos possíveis é discutir por que determinados grupos são mais vulneráveis aos efeitos dos eventos extremos.

Moradores de áreas de risco, famílias de baixa renda e populações que vivem em regiões com infraestrutura precária podem enfrentar dificuldades maiores para se proteger, deixar suas casas ou reconstruir a vida depois de um desastre.

Nesse contexto, uma redação poderia abordar os desafios para adaptar as cidades brasileiras às mudanças climáticas.

O estudante teria espaço para discutir planejamento urbano, sistemas de alerta, drenagem, ocupação irregular do solo, preservação ambiental e políticas de prevenção.

O ponto central é evitar uma abordagem genérica. Em vez de simplesmente afirmar que “o meio ambiente precisa ser preservado”, é mais produtivo identificar causas, consequências e responsabilidades.

Esporte como ferramenta de inclusão social

O esporte também pode ser estudado como um fenômeno social.

Embora o assunto seja frequentemente associado a competições de alto rendimento, a prática esportiva envolve questões como saúde, educação, convivência comunitária, inclusão social e desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Uma possível abordagem seria analisar as dificuldades de acesso ao esporte para estudantes de baixa renda.

Nesse caso, o candidato poderia discutir a falta de espaços públicos adequados, a desigualdade de oportunidades e a importância de políticas públicas para ampliar a participação esportiva.

Outro caminho seria abordar o esporte como mecanismo de inclusão de pessoas com deficiência.

A discussão pode envolver acessibilidade, formação de profissionais, infraestrutura e combate ao preconceito.

O importante é perceber que um tema aparentemente ligado ao entretenimento pode apresentar uma dimensão social bastante ampla.

Inclusão de pessoas neurodivergentes

Outro assunto que merece atenção durante os estudos é a inclusão de pessoas neurodivergentes.

Termos como transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e dislexia aparecem cada vez mais nos debates sobre educação, trabalho e inclusão.

Uma redação sobre o assunto poderia discutir as barreiras enfrentadas por pessoas neurodivergentes no ambiente escolar.

O candidato poderia analisar a necessidade de formação de profissionais, adaptações pedagógicas, acessibilidade e combate ao preconceito.

Também é possível ampliar o debate para o mercado de trabalho, considerando os obstáculos enfrentados por pessoas neurodivergentes na contratação, permanência e progressão profissional.

Nesse caso, o estudante precisa tomar cuidado para não reduzir a discussão ao diagnóstico. O foco deve estar no problema social apresentado pela proposta.

Microplásticos e os desafios da poluição

A poluição provocada por plásticos pode ser estudada a partir de um recorte mais específico: a presença de microplásticos no meio ambiente.

O material plástico pode sofrer fragmentação e chegar a diferentes ecossistemas, levantando questões sobre biodiversidade, cadeia alimentar, consumo e descarte de resíduos.

Esse assunto permite conectar meio ambiente, indústria, comportamento do consumidor e políticas públicas.

Uma proposta hipotética poderia abordar os desafios para reduzir a contaminação ambiental provocada pelos microplásticos no Brasil.

Para desenvolver a argumentação, o estudante poderia discutir a necessidade de melhorar a gestão de resíduos, incentivar alternativas sustentáveis e ampliar ações de educação ambiental.

Também seria possível relacionar o problema à lógica do consumo e ao descarte inadequado de materiais.

Ciência, saúde pública e combate à desinformação

A circulação de informações falsas também oferece diversos caminhos para uma redação.

A desinformação pode afetar escolhas individuais e dificultar a implementação de políticas públicas, principalmente quando envolve saúde, vacinação, tratamentos médicos e prevenção de doenças.

O estudante pode estudar como a baixa alfabetização científica e a dificuldade de distinguir fontes confiáveis de conteúdos enganosos contribuem para o problema.

Outro caminho é discutir a responsabilidade de escolas, universidades, veículos de comunicação, plataformas digitais e órgãos públicos.

Uma tese bem construída pode mostrar que combater a desinformação não depende apenas da retirada de conteúdos falsos, mas também da capacidade da população de avaliar criticamente aquilo que recebe.

Quais foram os últimos temas da redação do Enem?

Conhecer os temas anteriores ajuda a identificar características recorrentes da prova, embora não permita prever o assunto de 2026.

A retrospectiva mostra que o exame costuma abordar problemas sociais relevantes e exigir que o participante reflita sobre desafios existentes no país.

Entre os temas recentes estão:

  • 2025: perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira;
  • 2024: desafios para a valorização da herança africana no Brasil;
  • 2023: desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil;
  • 2022: desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil;
  • 2021: invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil;
  • 2020: o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira;
  • 2019: democratização do acesso ao cinema no Brasil;
  • 2018: manipulação do comportamento do usuário: o controle de dados na internet;
  • 2017: desafios para a formação educacional de surdos no Brasil;
  • 2016: caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil.

A própria cartilha oficial do Inep para a redação reúne orientações e exemplos das edições anteriores, sendo uma das principais fontes que o estudante deve consultar durante a preparação.

O que os temas anteriores ensinam sobre o Enem?

Uma análise dos temas mostra que o exame frequentemente apresenta um problema social e exige do participante uma reflexão que vá além da descrição do assunto.

Isso significa que não basta saber que determinado problema existe.

Se o tema tratar, por exemplo, de desinformação, o estudante precisa explicar quais fatores contribuem para sua disseminação, quais consequências ela produz e que medidas poderiam ser adotadas para enfrentá-la.

Essa característica torna o repertório importante, mas também evidencia que repertório sozinho não resolve a redação.

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Uma referência histórica, filosófica, literária ou sociológica precisa estar relacionada ao argumento apresentado.

Como estudar possíveis temas de redação sem tentar adivinhar a prova?

O melhor método é transformar cada assunto em uma espécie de banco de argumentos.

Para cada tema estudado, o candidato pode responder a cinco perguntas: qual é o problema, por que ele acontece, quem é afetado, quais são suas consequências e o que poderia ser feito para enfrentá-lo.

Esse processo ajuda a desenvolver autonomia.

Em vez de decorar uma introdução sobre inteligência artificial, por exemplo, o aluno aprende a discutir diferentes problemas relacionados à tecnologia.

Assim, caso a proposta trate de desinformação, educação, mercado de trabalho ou proteção de dados, ele terá condições de adaptar o conhecimento adquirido.

Como montar um repertório para a redação do Enem 2026?

Uma boa preparação combina atualidades com conhecimentos adquiridos durante a formação escolar.

O estudante pode acompanhar jornais, revistas, portais institucionais e publicações de órgãos públicos. Também é interessante consultar documentos oficiais quando o assunto envolver legislação, políticas públicas ou indicadores.

A qualidade da fonte é importante porque reduz o risco de levar informações equivocadas para a redação.

Além disso, o candidato deve evitar transformar o repertório em uma coleção de frases famosas.

Citar um filósofo, escritor ou sociólogo sem explicar sua relação com o argumento pode produzir um repertório meramente decorativo.

Uma referência é mais útil quando funciona como sustentação para a tese.

Como treinar a redação até novembro?

Com a prova marcada para novembro, o treinamento deve ser constante.

Uma estratégia eficiente é alternar redações completas com exercícios específicos.

Em uma semana, o estudante pode produzir um texto integral. Na seguinte, pode trabalhar apenas introduções, teses e repertórios. Depois, pode dedicar uma sessão às propostas de intervenção.

Esse método evita que todo o estudo fique concentrado apenas na produção de textos completos.

Também é importante revisar as redações anteriores.

O aluno deve identificar se apresentou claramente o problema, desenvolveu argumentos, utilizou repertório de maneira pertinente e construiu uma proposta de intervenção relacionada à discussão.

O que não pode faltar na preparação para a redação?

A primeira preocupação deve ser dominar o modelo dissertativo-argumentativo.

O candidato precisa saber apresentar uma tese e desenvolvê-la ao longo dos parágrafos, mantendo relação direta com o tema.

Outro ponto fundamental é o domínio da norma-padrão da língua portuguesa. Erros de concordância, regência, pontuação, grafia e construção sintática podem comprometer o desempenho.

A organização também faz diferença.

Uma redação bem estruturada deve apresentar progressão de ideias. Cada parágrafo precisa cumprir uma função e contribuir para a defesa da tese.

A proposta de intervenção também merece atenção especial. Ela deve estar relacionada ao problema discutido e apresentar elementos suficientemente claros para demonstrar como a medida poderia ser colocada em prática.

Quando será o Enem 2026?

O Enem 2026 será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro. O cronograma oficial do Inep informa que as inscrições ocorreram entre 25 de maio e 12 de junho, enquanto o pagamento da taxa teve prazo até 22 de junho.

Uma mudança importante da edição de 2026 envolve estudantes concluintes da rede pública. Eles passaram a ter inscrição automática com base nas informações fornecidas pelas redes de ensino, mas precisam confirmar a participação e escolher o município de aplicação e a língua estrangeira.

Portanto, para quem já está inscrito, a prioridade agora deve ser a preparação acadêmica e o acompanhamento das informações oficiais divulgadas pelo Inep.

Enem 2026 poderá dar certificado do ensino médio?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Sim. A partir das regras estabelecidas para o Enem, participantes que atendam aos requisitos podem utilizar o desempenho no exame para obter a certificação de conclusão do ensino médio.

Para isso, é necessário ter pelo menos 18 anos completos na data da primeira prova, indicar durante a inscrição o interesse na certificação e atingir os critérios mínimos de desempenho estabelecidos.

A regulamentação prevê mínimo de 450 pontos em cada área do conhecimento e pelo menos 500 pontos na redação.

Essa possibilidade não deve ser confundida com o Encceja, que continua sendo uma avaliação específica voltada à certificação de jovens e adultos que não concluíram os estudos na idade adequada.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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