Com a aproximação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e dos principais vestibulares, muitos estudantes intensificam as revisões e aumentam o tempo dedicado aos livros. A preocupação em aprender o máximo possível antes das provas pode levar à redução das horas de sono, ao abandono de atividades físicas e a mudanças na alimentação.
Embora pareça uma forma de aproveitar melhor o tempo, essa estratégia pode prejudicar o desempenho. A capacidade de interpretar textos, resolver problemas, recuperar informações da memória e manter a concentração durante horas depende também das condições físicas e emocionais do candidato.
Por isso, a preparação para o Enem não deve ser medida apenas pela quantidade de horas estudadas. Organizar a rotina, respeitar os períodos de descanso e cuidar da saúde são medidas importantes para chegar ao exame em melhores condições.
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Dormir bem ajuda na memória e na concentração

O sono desempenha um papel essencial na aprendizagem. Durante o descanso, o cérebro participa de processos relacionados à consolidação das memórias e à organização das informações adquiridas ao longo do dia.
Para adolescentes entre 13 e 18 anos, a recomendação geral da Academia Americana de Medicina do Sono é dormir de oito a dez horas por noite. Para adultos, a orientação costuma ser de pelo menos sete horas, embora a necessidade individual possa variar.
Quando o estudante dorme pouco repetidamente, pode apresentar mais sonolência, irritabilidade e dificuldade para manter a atenção. Isso também pode comprometer a eficiência das revisões e aumentar a percepção de que o conteúdo estudado não está sendo assimilado.
Estudar de madrugada compensa?
Estender os estudos até duas ou três horas da manhã pode parecer vantajoso, principalmente quando há muitas matérias pendentes. Entretanto, permanecer acordado por mais tempo não significa necessariamente aprender mais.
Um estudante que passa a noite resolvendo exercícios pode chegar ao dia seguinte cansado e cometer erros que evitaria em melhores condições. Além disso, a privação de sono pode dificultar a recuperação de informações já aprendidas.
Uma alternativa é estabelecer horários para começar e terminar os estudos, distribuindo as matérias ao longo da semana. Revisões curtas e regulares, resolução de questões e análise dos erros podem ser mais úteis do que longas sessões realizadas com sono.
Café e energéticos exigem cuidado
A cafeína pode aumentar temporariamente o estado de alerta, mas não substitui o sono nem elimina os efeitos da privação de descanso. O consumo excessivo pode provocar ansiedade, palpitações, tremores, desconforto gastrointestinal e dificuldade para dormir.
Esse problema pode se transformar em um ciclo: o estudante dorme pouco, consome mais café para enfrentar o dia e depois encontra dificuldades para adormecer novamente.
Adolescentes precisam de atenção especial ao consumo de bebidas energéticas. A composição e a concentração de cafeína variam entre os produtos, e o uso para prolongar os estudos não é uma estratégia recomendável.
Também não é seguro utilizar medicamentos estimulantes sem prescrição ou orientação médica para melhorar a concentração. Esses medicamentos têm indicações específicas e podem apresentar riscos quando usados inadequadamente.
Alimentação e atividade física também fazem parte da preparação
Uma rotina de estudos intensa não deve significar passar horas sem comer ou substituir refeições por café e lanches improvisados. Manter uma alimentação variada, horários relativamente regulares e hidratação adequada ajuda a sustentar a disposição ao longo do dia.
Não existe alimento, vitamina ou suplemento capaz de garantir melhora imediata da memória ou compensar noites mal dormidas. Antes de recorrer a produtos vendidos com promessas de aumentar o rendimento intelectual, é importante avaliar se há uma necessidade real e buscar orientação profissional quando necessário.
A atividade física também merece espaço na rotina. Caminhadas, passeios de bicicleta, esportes e outras práticas habituais podem ajudar a interromper períodos prolongados sentado e aliviar a tensão acumulada.
Não é preciso iniciar um treinamento intenso perto da prova. O objetivo é preservar o movimento e o bem-estar, sem transformar o exercício em mais uma fonte de cobrança.
Como controlar a ansiedade antes do Enem
É natural sentir nervosismo diante de uma avaliação importante. O problema surge quando a preocupação começa a comprometer o sono, a alimentação, a concentração ou as atividades cotidianas.
Insônia persistente, crises frequentes de ansiedade, palpitações recorrentes, mudanças importantes no apetite e dificuldade para realizar tarefas habituais são sinais que merecem atenção. Nessas situações, procurar um profissional de saúde pode ajudar a identificar o que está acontecendo e definir os cuidados adequados.
A família também tem um papel importante. Comparações com colegas, cobranças constantes e frases que associam o resultado de uma prova ao sucesso de toda a vida podem aumentar a pressão sobre o candidato.
Uma postura mais útil é oferecer apoio, ajudar na organização da rotina e reconhecer o esforço realizado. O Enem pode abrir portas para o ensino superior, mas não é a única oportunidade de construir uma trajetória profissional.
Como organizar os últimos dias de estudo
Na reta final, o estudante pode priorizar conteúdos recorrentes, revisar os próprios erros e resolver questões de provas anteriores. Também vale reservar períodos de descanso e evitar tentar aprender grandes volumes de assuntos novos na véspera.
Uma organização simples pode incluir:
- Definir horários de estudo e de encerramento das atividades.
- Alternar matérias para evitar longos períodos na mesma tarefa.
- Fazer pausas regulares entre os blocos de estudo.
- Manter horários de sono próximos aos habituais.
- Separar com antecedência os documentos e itens necessários para o exame.
O planejamento deve ser realista. Uma lista impossível de cumprir tende a aumentar a sensação de atraso, enquanto metas menores permitem acompanhar o progresso e ajustar a estratégia.
O que fazer na véspera e no dia da prova

Na véspera, uma revisão breve pode ajudar a recuperar informações importantes, desde que não se transforme em uma maratona. Depois de determinado horário, é preferível encerrar os estudos, organizar o que será levado e realizar atividades tranquilas.
Também não é necessário criar a obrigação de dormir perfeitamente. Ficar olhando o relógio e se preocupar continuamente com a quantidade de horas restantes pode aumentar a ansiedade. O melhor caminho é manter uma rotina adequada nos dias anteriores e tentar respeitar o horário habitual de descanso.
No dia do exame, vale fazer uma refeição compatível com os hábitos do estudante, beber água e sair com antecedência para evitar imprevistos. Conferir previamente as orientações oficiais do Inep sobre horários, documentos e itens permitidos também reduz preocupações desnecessárias.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
