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Quais estados mais serão afetados pela taxação de Trump? Confira

Avatar de Bianca Borges Bianca Borges · · 7 min de leitura
Donald Trump apontando com dedo indicador enquanto fala ao microfone

Em mais um episódio de tensão diplomática e comercial, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

A medida promete reconfigurar profundamente as relações comerciais entre os dois países e atinge em cheio alguns dos principais Estados exportadores do Brasil. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul aparecem como os mais afetados diretamente pela taxação americana.

O impacto vai além das exportações: atinge também portos, empregos e importações, podendo gerar um efeito cascata em toda a economia nacional. A seguir, explicamos em detalhes quais Estados sofrem mais com as tarifas e por quê.

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A escalada tarifária entre EUA e Brasil

Imagem de Donald Trump encarando justiça algo enquanto está em um palanque. suprema corte
Imagem: Evan El-Amin / Shutterstock.com

O que motivou a tarifa de 50%?

A medida veio na esteira de uma carta enviada por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que critica ações do governo brasileiro relacionadas a investigações contra Jair Bolsonaro, seu aliado político.

Na mesma correspondência, Trump cita barreiras brasileiras ao comércio e ameaça impor novas sanções caso haja retaliação por parte do Brasil.

A resposta brasileira

O governo brasileiro, por sua vez, prometeu adotar o princípio da reciprocidade, embasado na nova Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril.

Isso significa que o Brasil pode aplicar tarifas semelhantes a produtos americanos — o que afetaria diretamente a economia de Estados que mais importam dos EUA.

Os Estados brasileiros mais afetados pela tarifa de exportação

Segundo dados da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), cinco Estados concentram mais de 70% das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

São Paulo: o epicentro da perda

  • Valor exportado (jan-jun 2025): US$ 6,4 bilhões
  • Participação nas exportações brasileiras aos EUA: 31,9%
  • Principais produtos exportados: Suco de frutas, aeronaves, equipamentos florestais

São Paulo lidera com folga a lista dos Estados que mais exportam para os EUA. O setor de sucos, especialmente o de laranja, pode ser duramente atingido, já que os consumidores americanos podem buscar fornecedores alternativos ou simplesmente substituir o produto.

Rio de Janeiro: petróleo e aço na mira

  • Valor exportado: US$ 3,2 bilhões
  • Principais produtos: Petróleo bruto, produtos semiacabados de ferro e aço, óleos combustíveis

A indústria de base do Rio de Janeiro está entre as mais vulneráveis. Os altos custos gerados pela tarifa podem inviabilizar negócios com empresas americanas e gerar impacto no mercado de trabalho.

Minas Gerais: café e ferro ameaçados

  • Valor exportado: US$ 2,5 bilhões
  • Principais produtos: Café não torrado, ferro gusa, máquinas de energia elétrica

Minas Gerais, um dos maiores produtores de café do mundo, pode enfrentar dificuldades para manter competitividade no mercado americano. A substituição do café brasileiro por outro de qualidade inferior é possível, mas pode custar caro ao consumidor final e à indústria americana.

Espírito Santo: setor de base em alerta

  • Valor exportado: US$ 1,6 bilhão
  • Principais produtos: Produtos semiacabados de ferro e aço, cal, cimento, celulose

As tarifas representam um golpe duro na indústria capixaba, especialmente nas exportações de celulose, que já vinham apresentando queda nos últimos meses.

Rio Grande do Sul: agroindústria em risco

  • Valor exportado: US$ 950,3 milhões
  • Principais produtos: Tabaco, máquinas de energia elétrica, calçados

O Rio Grande do Sul, importante polo da agroindústria e de calçados, vê-se diante de um possível colapso em cadeias produtivas inteiras, caso não consiga redirecionar suas exportações.

Impactos secundários: portos e infraestrutura

Cerca de 90% das exportações brasileiras são feitas por via marítima. Portos localizados em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo concentram grande parte das operações logísticas com os Estados Unidos.

Principais portos envolvidos

  • Porto de Santos (SP): Um terço das exportações brasileiras aos EUA passou por aqui em 2025.
  • Porto de Itaguaí (RJ) e Porto de Vitória (ES): Outros hubs relevantes que podem ver queda no fluxo de cargas.

A diminuição nas exportações pode afetar diretamente a arrecadação de tarifas portuárias e gerar demissões no setor logístico.

E quanto às importações? Estados que podem perder com retaliações

Se o Brasil seguir com a retaliação tarifária, produtos americanos também ficarão mais caros. Isso impacta diretamente os Estados que mais importam dos EUA.

Os cinco maiores importadores dos EUA

  1. São Paulo
    • Importações: US$ 6,7 bilhões
    • Principais produtos: Medicamentos, inseticidas, máquinas
  2. Rio de Janeiro
    • Importações: US$ 4,6 bilhões
    • Produtos: Máquinas não elétricas, petróleo, carvão
  3. Bahia
    • Importações: US$ 1,2 bilhão
    • Produtos: Petróleo, elementos químicos
  4. Minas Gerais
    • Importações: US$ 1,1 bilhão
    • Produtos: Carvão, polímeros, máquinas
  5. Espírito Santo
    • Importações: US$ 1,1 bilhão
    • Produtos: Aeronaves, veículos, carvão

Efeitos da desvalorização do real

Mesmo sem retaliação direta, o simples anúncio da tarifa já provocou desvalorização do real, encarecendo automaticamente os produtos importados. Isso prejudica consumidores e empresas que dependem de insumos americanos.

Empregos e economia local: risco real

A Amcham Brasil estima que a relação comercial com os EUA seja responsável por 3,2 milhões de empregos no Brasil.

Estados mais ligados à exportação — como São Paulo, Rio e Minas — poderão sofrer com demissões em massa, caso empresas reduzam a produção ou fechem contratos com clientes americanos.

Salários acima da média

Trabalhadores de empresas exportadoras para os EUA recebem, em média, R$ 4.624 — valor superior ao de outros mercados, como a União Europeia. Ou seja, além da perda de empregos, o Brasil pode perder renda qualificada.

Superávit americano e as contradições de Trump

Apesar das acusações de “déficit comercial insustentável” feitas por Trump, os números contam outra história. No primeiro semestre de 2025:

  • Exportações brasileiras aos EUA: US$ 20 bilhões (+4,4% em relação a 2024)
  • Importações brasileiras dos EUA: US$ 21,7 bilhões (+11,5%)
  • Superávit americano: US$ 1,7 bilhão (cinco vezes maior que em 2024)

Ou seja, os EUA lucram mais com o Brasil do que o contrário, tornando a justificativa de Trump inconsistente.

Quais setores podem resistir?

Apesar do cenário desafiador, setores como carnes, aeronaves e café ainda têm potencial para se manter, graças à alta dependência americana desses produtos e à qualidade reconhecida da produção brasileira.

Caminhos possíveis para o Brasil

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Imagem: Reprodução

Diplomacia

A Amcham defende uma solução negociada no curto prazo. O governo brasileiro também demonstrou interesse em diálogo, mas afirma que não recuará diante de ameaças.

Diversificação de mercados

Buscar novos mercados para produtos brasileiros pode ser uma saída viável. A Ásia, Oriente Médio e América Latina são possíveis destinos alternativos.

Estímulo à produção interna

Com importações mais caras, pode haver impulso para a produção local de itens como medicamentos, insumos industriais e tecnologia — hoje dominados pelos EUA.

Conclusão

O tarifaço de Donald Trump atinge diretamente o coração da economia exportadora brasileira, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Ao mesmo tempo, pode afetar a competitividade de empresas, elevar o desemprego e comprometer a balança comercial. A resposta brasileira — seja via retaliação ou diplomacia — precisará ser estratégica e rápida para evitar prejuízos duradouros.

Enquanto isso, Estados altamente dependentes do comércio com os EUA terão que se adaptar, redirecionar sua produção e buscar novas parcerias comerciais. O cenário é delicado, mas também pode representar uma oportunidade de transformação da política comercial brasileira.

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