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Intel pode mudar estratégia na produção de chips; confira

Intel avalia mudança na fabricação de chips; entenda os riscos e o que pode mudar no mercado global de semicondutores.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro6 min de leitura
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A Intel, uma das maiores fabricantes de semicondutores do mundo, está diante de uma possível reviravolta estratégica que pode impactar profundamente o setor global de chips.

Desde que assumiu a presidência da companhia em março de 2025, Lip-Bu Tan, novo CEO, tem promovido cortes de custos e reavaliado a posição da empresa em seu modelo de fabricação sob contrato — a chamada fundição.

Agora, Tan estaria considerando descartar um dos pilares da estratégia de seu antecessor: o processo de fabricação de chips 18A, em que a empresa investiu bilhões de dólares.

A proposta, segundo fontes ligadas à empresa, inclui interromper a comercialização dessa tecnologia a clientes externos, concentrando os esforços no desenvolvimento de um novo processo — o 14A.

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O que está em jogo na mudança da Intel

Imagem da fhachada da sede da Intel
Imagem: Tada Images / Shutterstock.com

Crise do 18A

O processo 18A foi promovido por Pat Gelsinger, ex-CEO, como uma das mais ambiciosas apostas da Intel para recuperar a liderança no setor. No entanto, atrasos no cronograma e a dificuldade em atrair grandes clientes colocaram em xeque o retorno desse investimento.

A própria Intel já vinha sinalizando que o interesse externo pelo 18A estava abaixo do esperado. De acordo com fontes da Reuters, Tan começou a expressar abertamente dúvidas sobre o potencial da tecnologia, especialmente em comparação com alternativas mais promissoras como a N2 da rival TSMC, que avança rapidamente rumo à produção.

Impacto contábil e financeiro

Caso a Intel realmente decida abandonar o 18A como produto externo, a empresa poderá ser obrigada a realizar uma baixa contábil bilionária.

Especialistas do setor estimam perdas na casa de centenas de milhões, possivelmente ultrapassando os bilhões, o que adicionaria ainda mais pressão a um momento delicado: 2024 foi o primeiro ano em que a Intel fechou com prejuízo desde 1986, somando US$ 18,8 bilhões em perdas líquidas.

Fundição: a aposta e os desafios

A fundição — modelo em que a empresa fabrica chips sob encomenda para terceiros — tem sido uma tentativa da Intel de competir com gigantes como a TSMC e a Samsung.

No entanto, atrair clientes de peso, como Apple e Nvidia, tem se mostrado um desafio, especialmente diante da preferência dessas empresas por processos mais avançados e consolidados de concorrentes asiáticos.

Novo caminho: chip 14A e foco em grandes clientes

O que é o 14A?

O processo 14A, que ainda está em desenvolvimento, seria uma geração mais moderna que o 18A e vem sendo preparado para atender às exigências específicas de potenciais clientes estratégicos. A expectativa é que ele ofereça vantagens competitivas em performance, eficiência energética e customização.

Segundo fontes próximas às deliberações internas da Intel, Tan enxerga no 14A uma chance real de recuperar espaço no mercado e quebrar a dependência tecnológica dos concorrentes asiáticos.

A nova linha está sendo moldada para atender requisitos de empresas como Apple, que exige padrões rigorosos de desempenho e confiabilidade.

Estratégia comercial e produção futura

Embora o 18A continue sendo usado para os próprios produtos da Intel — incluindo os aguardados chips “Panther Lake”, previstos para 2025 —, a empresa estaria inclinada a limitar sua comercialização externa. Em contrapartida, os recursos de pesquisa, desenvolvimento e marketing seriam redirecionados ao 14A.

A expectativa é que essa nova tecnologia tenha produção em larga escala iniciada entre o final de 2025 e início de 2026, alinhada a potenciais contratos com novos clientes.

Intel x TSMC: uma disputa de bilhões

Supremacia da TSMC

A TSMC lidera o mercado de fundição global com ampla vantagem. A taiwanesa mantém clientes como Apple, Nvidia, AMD e Qualcomm — todos altamente dependentes da capacidade de produção e inovação de seus chips avançados.

A tecnologia N2 da TSMC, que deve entrar em produção antes do fim de 2025, representa uma ameaça direta à capacidade da Intel de competir no topo do mercado.

Se o 14A não for entregue a tempo, ou se não atender aos padrões exigidos, a janela de oportunidade para recuperar terreno pode se fechar rapidamente.

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Corrida por contratos estratégicos

A mudança na estratégia da Intel busca justamente quebrar essa hegemonia. Tan tem pressionado sua equipe a adaptar processos às exigências técnicas e comerciais de grandes players do setor.

O objetivo é garantir acordos de médio e longo prazo que ofereçam estabilidade e retorno aos investimentos em infraestrutura e inovação.

Contudo, o sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade da Intel de entregar não apenas desempenho técnico, mas também previsibilidade nos cronogramas — uma das críticas mais frequentes feitas por clientes insatisfeitos com os atrasos no 18A.

Repercussões no mercado de tecnologia

Fachada de unidade da Intel
Imagem: JHVEPhoto / shutterstock.com

Percepção dos investidores

A possível mudança na estratégia da Intel tem gerado tensão nos mercados financeiros. A incerteza sobre a continuidade do 18A, somada à ausência de um cronograma público para o 14A, tem levado analistas a reverem projeções sobre a rentabilidade da companhia nos próximos trimestres.

Por outro lado, a iniciativa de reorientar os negócios em busca de maior foco e viabilidade comercial pode ser vista como um sinal positivo de realismo e adaptação às novas dinâmicas do setor.

Efeitos na cadeia de suprimentos

Caso a Intel consiga atrair grandes clientes com o 14A, o mercado global de semicondutores pode passar por uma redistribuição significativa de encomendas. Fabricantes que hoje dependem exclusivamente da TSMC poderiam diversificar sua cadeia produtiva, reduzindo riscos e pressionando preços.

Isso também pode beneficiar o ecossistema norte-americano de chips, que tem recebido incentivos do governo dos EUA para fortalecer a produção doméstica de semicondutores.

Futuro da Intel: reinvenção ou novo revés?

A decisão final sobre o destino do 18A e a consolidação do 14A como tecnologia de ponta será debatida em uma reunião do conselho da Intel ainda neste mês. Devido à complexidade da questão e aos valores em jogo, uma resolução definitiva pode ser adiada para o outono do hemisfério norte.

O que está claro, no entanto, é que a Intel vive um ponto de inflexão. Após décadas de liderança incontestável, a empresa tenta se reinventar diante da evolução acelerada da indústria e de uma concorrência mais ágil. Lip-Bu Tan tem agora a missão de conduzir essa transição com equilíbrio entre inovação e sustentabilidade financeira.

Imagem: Divulgação / Intel

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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