Os fundos de índice, conhecidos como ETFs (Exchange Traded Funds), estão ganhando espaço no mercado brasileiro, mas ainda representam uma parcela pequena das carteiras dos investidores de alta renda. Dados recentes mostram que a participação desses produtos entre os fundos mantidos pelo segmento private avançou de 0,54% para 0,66%, enquanto o volume total da categoria cresceu 38,8% no primeiro semestre.
O movimento chama atenção porque os ETFs oferecem características valorizadas por investidores, como diversificação, liquidez e transparência. Mesmo assim, clientes com patrimônio elevado continuam recorrendo com frequência a carteiras administradas, fundos exclusivos, compra direta de ativos e estruturas voltadas ao planejamento patrimonial.
A seguir, entenda por que os ETFs ainda têm participação limitada entre investidores de alta renda, quais são suas principais características e por que esse mercado vem crescendo no Brasil.
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O que explica a baixa presença dos ETFs entre investidores ricos?

O ETF é um fundo negociado em bolsa que busca acompanhar o desempenho de um determinado índice. Em vez de comprar individualmente cada ativo que compõe esse indicador, o investidor compra cotas de um único fundo.
Na prática, isso permite obter exposição a uma cesta de ativos por meio de uma única operação. Existem ETFs ligados a ações brasileiras, renda fixa, mercados internacionais, moedas e outros segmentos.
As cotas são negociadas em bolsa de maneira semelhante às ações, o que facilita a compra e a venda durante o horário de negociação.
Para quem está começando a investir, essa característica pode simplificar a diversificação. No segmento de alta renda, porém, a montagem da carteira costuma envolver necessidades mais específicas.
Investidores com patrimônio elevado frequentemente têm acesso a assessoria especializada, carteiras administradas, fundos exclusivos e planejamento tributário e sucessório. Nesses casos, o objetivo não é apenas obter exposição a determinado mercado, mas também estruturar o patrimônio de acordo com necessidades individuais.
É justamente aí que aparece uma das explicações para a menor participação dos ETFs.
O que um ETF oferece ao investidor?
Os fundos de índice possuem algumas características que ajudam a explicar o crescimento da categoria.
A primeira é a diversificação. Um único ETF pode dar exposição a diversos ativos simultaneamente, dependendo do índice que acompanha. Isso reduz a necessidade de comprar cada papel separadamente.
Outro ponto é a transparência. O investidor consegue consultar o índice de referência e acompanhar a composição da carteira.
O custo também pode ser relevante. Como muitos ETFs seguem estratégias passivas, que procuram replicar um índice em vez de selecionar constantemente ativos para tentar superá-lo, as taxas podem ser competitivas em relação a determinados fundos de gestão ativa.
Isso não significa que todo ETF seja barato ou que sempre seja mais vantajoso. É preciso analisar a taxa, o índice acompanhado, a liquidez, a composição e a tributação de cada produto.
Por que o investidor de alta renda pode preferir uma carteira personalizada?
Para quem possui patrimônio elevado, uma das diferenças está na possibilidade de personalização.
Um ETF acompanha uma estratégia previamente definida. Já uma carteira administrada pode ser construída considerando objetivos específicos do investidor, como necessidade de liquidez, exposição a determinados ativos, planejamento tributário e questões sucessórias.
A compra direta de ações e títulos também pode aparecer como alternativa. Nesse caso, o investidor não está dentro da estrutura de um fundo, mas assume diretamente as decisões relacionadas aos ativos.
Por isso, mesmo que um ETF tenha custos competitivos, ele não necessariamente atende a todas as necessidades de um investidor com patrimônio elevado.
A estatística pode estar subestimando o uso de ETFs
Existe ainda uma limitação importante nos números.
As estatísticas utilizadas para analisar o mercado brasileiro não necessariamente capturam toda a exposição dos investidores de alta renda a ativos internacionais.
Parte desse público mantém investimentos no exterior, inclusive por meio de ETFs negociados em bolsas estrangeiras. Esses investimentos podem não aparecer da mesma forma nas estatísticas do mercado brasileiro.
A reportagem do InfoMoney também aponta essa possibilidade ao analisar a participação dos ETFs nas carteiras de investidores de alta renda.
Por isso, olhar apenas para os números registrados no mercado doméstico pode não mostrar toda a exposição desse público aos fundos de índice.
Onde os ETFs podem ganhar espaço nas carteiras de alta renda?
O crescimento dos ETFs não significa necessariamente que eles precisam substituir outros investimentos.
Uma possibilidade é utilizar esses fundos para ocupar posições específicas dentro de uma carteira diversificada.
Um investidor pode, por exemplo, utilizar um ETF para obter exposição ampla ao mercado acionário americano sem precisar comprar individualmente dezenas de empresas.
Também é possível utilizar ETFs para acessar determinados segmentos de renda fixa ou diversificar investimentos internacionalmente.
A B3 possui ETFs ligados a diferentes índices e classes de ativos, incluindo produtos que permitem exposição a mercados estrangeiros.
Essa característica faz com que o ETF possa funcionar como uma espécie de bloco dentro de uma carteira maior.
Renda fixa pode impulsionar os ETFs
Os ETFs de renda fixa também vêm ganhando espaço.
Nesse tipo de produto, o fundo busca acompanhar um índice composto por títulos de renda fixa. Em vez de adquirir individualmente diversos títulos, o investidor compra cotas do ETF e passa a ter exposição à carteira definida pelo índice.
A expansão da oferta de produtos é outro fator que pode favorecer esse mercado.
A B3 vem ampliando as opções disponíveis aos investidores, incluindo ETFs com diferentes combinações de ativos.
Em 2025, por exemplo, a bolsa anunciou o lançamento de um ETF híbrido composto por 80% de renda fixa e 20% de renda variável internacional.
Esse tipo de produto mostra como a indústria vem criando alternativas para estratégias mais diversificadas.
ETFs substituem fundos ativos?
Não necessariamente.
ETF e fundo de gestão ativa possuem propostas diferentes.
No ETF, o objetivo normalmente é acompanhar um índice. O gestor não possui a mesma liberdade de seleção encontrada em uma estratégia tradicional de gestão ativa.
Em um fundo ativo, o gestor pode escolher os ativos da carteira de acordo com a estratégia estabelecida no regulamento e buscar resultados diferentes do índice de referência.
Essa diferença pode ser relevante em determinados mercados.
Por outro lado, quando o objetivo é obter exposição ampla a uma classe de ativos, a estratégia passiva pode simplificar a construção da carteira.
Por isso, os dois modelos podem coexistir dentro de uma mesma carteira.
O que pode limitar o crescimento dos ETFs entre os mais ricos?
Apesar das vantagens, existem situações em que o ETF pode não atender completamente às necessidades de um investidor de patrimônio elevado.
Uma delas é a personalização fiscal e sucessória. Uma carteira individual pode ser estruturada de acordo com circunstâncias específicas que não são reproduzidas por um fundo de índice.
Outro ponto é a disponibilidade de determinadas estratégias.
Nem todos os segmentos do mercado possuem ETFs amplos e líquidos. Em áreas mais específicas, a gestão ativa pode oferecer alternativas que ainda não possuem equivalente em um fundo de índice.
Também existe o custo de mudança.
Investidores que construíram suas carteiras ao longo de muitos anos podem possuir estruturas consolidadas. Alterá-las pode envolver impostos, custos de transação, liquidez e outras consequências.
Por isso, a existência de um ETF com taxa competitiva não significa que seja necessário substituir investimentos que já fazem parte da carteira.
Como avaliar um ETF antes de investir?
A escolha não deve ser feita apenas pela taxa de administração ou pela rentabilidade recente.
O primeiro passo é entender qual índice o fundo acompanha. É esse índice que determina, em grande parte, quais ativos estarão dentro da carteira.
Também é necessário observar a composição do ETF, a liquidez das cotas, os custos envolvidos e a tributação aplicável.
Outro cuidado é diferenciar o desempenho passado da expectativa de retorno. Um ETF acompanha determinado índice, mas continua sujeito aos riscos dos ativos que fazem parte dessa referência.
A B3 recomenda analisar o índice, a composição do fundo e a adequação do produto aos objetivos e ao perfil de risco do investidor.
O que muda para quem já investe em ETFs?
Para quem já possui ETFs, o crescimento da categoria não significa que seja necessário alterar a carteira.
O mais importante é entender qual função cada produto desempenha.
Um ETF pode estar sendo utilizado para diversificação internacional, exposição a ações brasileiras, renda fixa ou outra estratégia específica.
A avaliação deve considerar se essa exposição continua adequada aos objetivos financeiros e ao nível de risco assumido.
No caso de investidores de alta renda, também pode ser necessário considerar os efeitos tributários e sucessórios antes de realizar mudanças relevantes.
O que esperar dos ETFs no Brasil?

Os números recentes mostram que os ETFs estão crescendo, mesmo partindo de uma base pequena entre investidores de patrimônio elevado.
No primeiro semestre, a categoria registrou crescimento de 38,8% no volume total, segundo dados citados pelo InfoMoney com base em informações da Anbima. No segmento private, o crescimento foi de 31%.
O movimento ocorre ao mesmo tempo em que aumenta a oferta de produtos e cresce a utilização de estratégias de investimento mais segmentadas.
Isso não significa que os ETFs estejam destinados a substituir fundos ativos, carteiras administradas ou estruturas patrimoniais.
A tendência observada é de convivência entre diferentes instrumentos, cada um utilizado para uma finalidade.
Para o investidor, a questão passa a ser entender qual produto cumpre melhor a função desejada dentro da carteira.
Conclusão
Os ETFs ainda representam uma parcela pequena das carteiras de alta renda no Brasil, mas o uso desses fundos está crescendo.
A baixa participação observada nas estatísticas não conta necessariamente toda a história, já que investimentos internacionais podem ficar fora de parte dos levantamentos. Além disso, clientes private costumam ter acesso a estruturas personalizadas que atendem necessidades fiscais, sucessórias e patrimoniais específicas.
Ao mesmo tempo, a expansão da oferta de ETFs, especialmente em renda fixa e investimentos internacionais, amplia as possibilidades para diferentes perfis de investidores.
Para quem avalia esse tipo de produto, a análise deve considerar o índice acompanhado, a composição do fundo, os custos, a liquidez, a tributação e a função que o ETF terá dentro da carteira.
