A atualização Pectra, implementada recentemente na blockchain Ethereum com a promessa de melhorar a experiência do usuário, reduzir taxas e impulsionar a escalabilidade, não produziu os efeitos esperados. Essa é a conclusão de um relatório publicado pelo JPMorgan em 28 de maio de 2025.
Atualização Pectra da Ethereum decepciona: JPMorgan aponta estagnação da rede mesmo após melhorias
Relatório do JPMorgan aponta que a atualização Pectra da Ethereum não gerou aumento relevante na atividade da rede. Entenda todos os detalhes.
O banco de investimentos dos EUA apontou que tanto o número de transações quanto o de endereços ativos permaneceu praticamente inalterado após a implementação do pacote de melhorias.
Em vez de reacender a atividade on-chain, os dados indicam uma estagnação preocupante, que levanta questionamentos sobre o futuro da principal rede de contratos inteligentes em um cenário cada vez mais competitivo com as blockchains de segunda camada e alternativas como Solana e Avalanche.
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A promessa da Pectra: por que a atualização era esperada com otimismo?
A atualização Pectra é um conjunto de melhorias incorporadas à Ethereum com o objetivo de aumentar a eficiência da rede. Ela sucedeu o pacote Dencun, que já havia trazido otimizações técnicas significativas em 2024. Juntas, essas atualizações formam parte da transição contínua da Ethereum para um ecossistema mais escalável e econômico.
Entre os objetivos centrais da Pectra estavam:
- Redução das taxas de transação (gas fees)
- Aumento da velocidade e eficiência nas validações
- Suporte a futuras atualizações já em desenvolvimento
- Estabilização da experiência do usuário
Expectativa do mercado
Investidores, desenvolvedores e analistas do setor aguardavam a atualização com otimismo. A narrativa predominante era de que, com as melhorias implementadas, a Ethereum voltaria a atrair projetos, usuários e liquidez que migraram para soluções de segunda camada como Arbitrum, Optimism e Base.
JPMorgan: Pectra não causou efeito prático significativo na rede

Segundo o relatório divulgado pelo JPMorgan, os principais indicadores de movimentação on-chain mostram um cenário de estagnação:
“Tanto o número de transações diárias quanto o de endereços ativos não viram um aumento substancial após as atualizações recentes”, destacaram os analistas.
A conclusão contrasta com as expectativas anteriores ao upgrade, que previam um impulso notável no uso da rede. Mesmo com uma melhora pontual no valor total bloqueado (TVL), a atividade geral dos usuários não acompanhou esse avanço.
TVL em alta, mas não é suficiente
O Total Value Locked (TVL) na Ethereum subiu entre março de 2024 e maio de 2025, evidenciando maior confiança de projetos DeFi na rede. Contudo, o JPMorgan alerta que essa métrica isolada não traduz uma reativação robusta da rede:
“A elevação do TVL não reflete necessariamente um aumento no engajamento do usuário ou no volume de transações.”
Ou seja, o capital está presente na rede, mas inerte em contratos inteligentes, não refletindo um fluxo dinâmico de operações.
Fuga para redes de segunda camada aumenta pressão sobre a Ethereum
Competição crescente
A Ethereum enfrenta crescente concorrência de soluções L2 (layer 2), como:
- Arbitrum
- Optimism
- zkSync
- StarkNet
- Base
Essas redes oferecem transações mais rápidas e baratas, beneficiando-se da infraestrutura e segurança da Ethereum, mas drenando a atividade econômica da camada principal.
Atualizações tentaram conter o êxodo
Tanto a Dencun quanto a Pectra foram pensadas para conter esse movimento de migração. A intenção era tornar a camada 1 da Ethereum mais eficiente, atraente e menos congestionada.
No entanto, segundo o JPMorgan, os resultados não corresponderam à expectativa inicial, e a evasão de usuários e projetos para redes concorrentes continua.
Ameaça inflacionária ao ether: queda de queima e aumento da oferta preocupam analistas
Um dos mecanismos deflacionários da Ethereum, implementado na atualização EIP-1559, é a queima de parte das taxas de transação pagas pelos usuários. Com menos transações ocorrendo, menos ETH está sendo queimado.
O banco também destacou que a oferta de ether (ETH) está aumentando novamente. Isso gera preocupações sobre uma possível volta da inflação na moeda nativa da rede, o que pode limitar sua valorização futura.
“Se a oferta continuar crescendo, o preço do ether terá espaço limitado para subir”, afirmam os analistas do JPMorgan.
Alta recente do ETH foi impulsionada por apetite institucional, não pela Pectra
O relatório do JPMorgan ainda abordou a movimentação recente do preço do ether. Após a conclusão da Pectra, o ETH teve uma valorização superior a 20%, a maior alta diária desde 2022.
Contudo, o banco afirma que esse movimento não está ligado diretamente à atualização técnica, mas sim ao maior apetite por risco entre investidores institucionais. O contexto de política monetária internacional e o aumento da exposição de fundos a ativos digitais foram os principais responsáveis.
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Desafios futuros para a Ethereum: escalabilidade, concorrência e usabilidade
Apesar das atualizações, a escalabilidade da Ethereum continua sendo um ponto sensível. A rede ainda enfrenta problemas em momentos de alta demanda, o que compromete a experiência do usuário.
Além das redes de segunda camada, blockchains alternativas como Solana, Avalanche, Aptos e Sui oferecem taxas mais baixas e maior velocidade, conquistando desenvolvedores e usuários.
Embora a Ethereum mantenha sua posição como referência em contratos inteligentes, a usabilidade para o usuário médio e os custos envolvidos continuam sendo uma barreira de entrada.
Caminhos possíveis: o que pode salvar a Ethereum do declínio?
1. Avanços em sharding e proto-danksharding
A próxima etapa de desenvolvimento da Ethereum inclui tecnologias como o sharding, que promete dividir o processamento da rede em “shards” menores, reduzindo congestionamentos e custos.
2. Fortalecimento da integração com L2
A cooperação entre a camada 1 e as soluções de segunda camada pode ser essencial. Se bem estruturadas, essas parcerias podem fortalecer o ecossistema como um todo.
3. Melhor experiência de usuário
Ferramentas mais intuitivas, carteiras integradas, interfaces simples e integração com plataformas centralizadas podem ser chaves para manter o engajamento.
4. Avanço na adoção institucional
O envolvimento de empresas e fundos institucionais pode fornecer a liquidez e o capital necessários para sustentar o desenvolvimento e manter o ETH como ativo relevante.
Conclusão: Ethereum em encruzilhada estratégica

A análise do JPMorgan sobre a atualização Pectra da Ethereum evidencia um momento de encruzilhada para a principal plataforma de contratos inteligentes do mundo. Apesar de avanços técnicos visíveis, a falta de resposta concreta em termos de atividade on-chain levanta dúvidas sobre a efetividade da estratégia atual.
O crescimento da concorrência, a migração para soluções de segunda camada e a ameaça inflacionária ao ether criam um ambiente desafiador para a rede. Se quiser manter sua posição de protagonismo no ecossistema cripto, a Ethereum precisará de mais do que atualizações técnicas. Será necessário repensar a experiência do usuário, incentivar a educação financeira e promover a interoperabilidade com soluções complementares.
A era das blockchains modulares e otimizadas exige respostas rápidas. Caso contrário, a Ethereum pode continuar sendo uma rede respeitada, mas progressivamente marginalizada em termos de atividade e inovação.
