Uma nova startup brasileira fundada por ex-executivos do Nubank quer usar inteligência artificial para transformar a forma como as pessoas organizam patrimônio, gastos e investimentos.
A Decade anunciou uma rodada seed de US$ 85 milhões, valor que coloca a empresa entre as startups mais capitalizadas ainda em estágio inicial na América Latina. A captação foi feita com investidores internacionais e brasileiros e será utilizada para desenvolver uma plataforma de gestão financeira apoiada por inteligência artificial.
A empresa foi fundada em 2025 por Vitor Olivier, ex-CTO do Nubank, e Felipe Meneses, um dos fundadores da Hyperplane, startup especializada em inteligência artificial aplicada ao setor financeiro que foi adquirida pelo Nubank em 2024.
A proposta da Decade é reunir em uma única plataforma informações sobre investimentos, patrimônio, despesas e planejamento financeiro, utilizando Open Finance, análise automatizada e acompanhamento humano.
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Decade levanta US$ 85 milhões em rodada seed

A rodada anunciada pela Decade soma US$ 85 milhões.
Entre os investidores estão Benchmark, Greenoaks, Diffusion, Atlântico e Norte Ventures.
A Benchmark é uma das gestoras de venture capital mais conhecidas do Vale do Silício e esteve entre os primeiros investidores de empresas como Uber, eBay e Instagram.
Segundo informações divulgadas pela Decade, o capital havia sido levantado anteriormente, mas o anúncio foi feito somente quando a startup decidiu sair do chamado stealth mode, período em que empresas trabalham no desenvolvimento do produto sem ampla divulgação pública.
A empresa passou os últimos meses testando sua plataforma com um grupo limitado de clientes antes de ampliar gradualmente o acesso.
Quem é Vitor Olivier
Vitor Olivier foi um dos primeiros engenheiros do Nubank e permaneceu na fintech por quase 12 anos.
Ao longo desse período, participou da criação da NuConta, liderou diferentes áreas do banco e chegou ao cargo de diretor de tecnologia.
O executivo deixou o Nubank em 2025 para iniciar um novo projeto próprio.
Segundo a própria Decade, Olivier passou por áreas ligadas à operação brasileira, tecnologia e produtos financeiros antes de fundar a startup.
A experiência no Nubank é parte importante da estratégia da nova empresa, principalmente pela tentativa de reproduzir em gestão patrimonial uma lógica semelhante à utilizada por fintechs para simplificar serviços bancários.
Felipe Meneses também vem do ecossistema do Nubank
O segundo fundador da Decade é Felipe Meneses.
Ele foi um dos criadores da Hyperplane, empresa de inteligência artificial voltada para instituições financeiras.
A startup desenvolvia modelos utilizados principalmente para análise de dados, personalização e decisões relacionadas a crédito.
A Hyperplane foi adquirida pelo Nubank em 2024 e passou a integrar a estratégia de inteligência artificial da instituição.
Agora, Meneses participa da construção da Decade ao lado de Olivier.
A empresa afirma que a combinação entre experiência financeira, engenharia e inteligência artificial será um dos pilares da plataforma.
Como funciona a Decade
A ideia central da Decade é criar uma visão consolidada do patrimônio do cliente.
Para isso, o usuário pode conectar diferentes contas financeiras utilizando Open Finance.
Também existe a possibilidade de adicionar extratos ou informações de ativos manualmente.
A plataforma organiza investimentos, previdência, imóveis, patrimônio mantido no exterior e outros ativos em uma única interface.
A partir dessas informações, sistemas de inteligência artificial analisam a composição patrimonial e tentam identificar pontos de atenção.
Segundo a empresa, a ferramenta pode detectar taxas elevadas, concentração excessiva, ineficiências tributárias e riscos incompatíveis com o perfil do cliente.
Inteligência artificial analisa investimentos e gastos
A proposta não se limita à carteira de investimentos.
A Decade também pretende analisar o fluxo financeiro do usuário.
Isso significa observar receitas, despesas, assinaturas, padrões de gastos e capacidade de poupança.
Com esses dados, a ferramenta pode apontar gastos que merecem atenção ou oportunidades para melhorar a organização financeira.
A plataforma também permite fazer simulações relacionadas ao patrimônio.
O usuário pode perguntar, por exemplo, como determinada mudança de carteira afetaria seu nível de risco ou quanto precisaria economizar mensalmente para atingir determinado objetivo.
Open Finance é uma das bases do serviço
Grande parte da estratégia depende do Open Finance.
O sistema permite que consumidores autorizem o compartilhamento de seus dados financeiros entre instituições.
Com essa autorização, a Decade consegue reunir informações que hoje ficam espalhadas entre diferentes bancos, corretoras e plataformas.
Isso facilita a criação de uma visão consolidada do patrimônio.
Um cliente pode, por exemplo, ter investimentos em três corretoras, conta em dois bancos, previdência privada e ativos no exterior.
A plataforma tenta organizar todas essas informações em um só lugar para realizar as análises.
Cliente não precisa transferir investimentos para a Decade
Um dos pontos destacados pela empresa é que o usuário não precisa retirar os investimentos das instituições onde eles já estão aplicados.
A Decade atua como uma camada de consultoria e análise.
O patrimônio pode continuar distribuído entre bancos e corretoras.
A própria empresa afirma que sua inteligência artificial organiza e analisa esses ativos sem precisar movimentar o dinheiro do cliente.
Essa característica aproxima o modelo de uma consultoria financeira independente, e não necessariamente de uma corretora tradicional.
Decade quer levar modelo de private bank a mais pessoas
A inspiração declarada da startup vem de serviços tradicionalmente oferecidos a clientes de alta renda.
Private banks e multifamily offices costumam oferecer acompanhamento completo do patrimônio.
Esses serviços podem envolver alocação de investimentos, planejamento tributário, gestão patrimonial e análise de riscos.
O problema é que esse tipo de atendimento normalmente exige patrimônios elevados.
A Decade pretende utilizar inteligência artificial para reduzir parte do custo desse modelo.
A ideia é automatizar tarefas de análise e monitoramento que normalmente exigiriam grandes equipes de consultores.
Plataforma terá acompanhamento humano
Apesar do forte uso de inteligência artificial, a empresa afirma que não pretende eliminar o componente humano.
Os clientes podem contar com um advisor para auxiliar em decisões.
Esse atendimento pode ocorrer por WhatsApp ou vídeo.
A própria Decade enfatiza que a inteligência artificial realiza análises e simulações, enquanto os profissionais humanos entram em situações que exigem julgamento, contexto e acompanhamento.
O objetivo é combinar automação com aconselhamento financeiro.
Inteligência artificial monitora carteira continuamente
Outro recurso oferecido pela plataforma é o monitoramento contínuo.
A empresa afirma que seus sistemas podem acompanhar carteira e mercado 24 horas por dia.
O objetivo é identificar situações como concentração excessiva, dinheiro parado, vencimentos próximos ou alterações importantes no patrimônio.
Esses alertas podem ser enviados ao cliente para que ele avalie se precisa tomar alguma decisão.
A plataforma também possui um chat de inteligência artificial voltado a investimentos.
O sistema pode responder dúvidas, comparar estratégias e realizar simulações usando o contexto financeiro do próprio usuário.
Quanto custa usar a Decade
O principal plano da empresa custa R$ 200 por mês no modelo anual.
Chamado de Decade Intelligence, ele inclui acesso à inteligência artificial, acompanhamento do patrimônio e atendimento de advisor.
A assinatura também oferece diagnóstico de riscos, taxas e impostos, além de monitoramento dos ativos.
A empresa afirma que não recebe comissões relacionadas aos produtos recomendados.
A ideia é reduzir potenciais conflitos de interesse comuns em modelos nos quais o profissional é remunerado pela venda de determinados investimentos.
Empresa também terá serviço para grandes fortunas
Além do produto de assinatura, a Decade oferece uma modalidade chamada Decade Wealth.
Esse serviço é direcionado a clientes com patrimônio mais complexo e funciona apenas por convite.
Nesse modelo, a atuação pode incluir execução de investimentos, planejamento tributário, estruturas internacionais e aquisição de imóveis.
A proposta se aproxima mais diretamente dos serviços oferecidos por multifamily offices e private banks.
O custo e as condições não são divulgados publicamente da mesma forma que o plano principal.
Startup ainda está expandindo acesso
A Decade não abriu imediatamente o produto para qualquer pessoa.
A empresa passou por uma fase beta com poucos clientes e utiliza uma lista de espera.
Segundo informações do próprio site, novos usuários estão sendo aceitos gradualmente.
Essa estratégia permite testar a plataforma antes de acelerar a expansão.
A empresa também afirma que pretende priorizar qualidade e satisfação antes de buscar crescimento rápido.
Decade aposta em recomendações sem comissão
Um dos principais argumentos comerciais da startup é tentar reduzir conflitos na recomendação de investimentos.
No modelo tradicional de algumas instituições, produtos financeiros podem pagar comissões ou taxas de distribuição.
Isso pode criar incentivos para que determinados investimentos sejam oferecidos ao cliente.
A Decade afirma adotar um modelo baseado em assinatura e consultoria.
A proposta é que a recomendação seja feita considerando o interesse do cliente, e não a comissão associada ao produto.
Esse posicionamento será uma parte importante da disputa por clientes com bancos, corretoras e assessorias de investimento.
Plataforma analisa concentração e custos da carteira
Uma das funções centrais é avaliar como o patrimônio está distribuído.
O sistema pode verificar a concentração por tipo de ativo, região geográfica e nível de risco.
Também procura identificar fundos e produtos com taxas consideradas elevadas.
Outro ponto é a eficiência tributária.
Dependendo dos investimentos escolhidos, o cliente pode pagar impostos de maneiras diferentes.
A plataforma tenta encontrar situações em que uma reorganização da carteira poderia reduzir custos ou melhorar a adequação aos objetivos de longo prazo.
Ferramenta também olha para cartões e despesas
A análise financeira não termina nos investimentos.
A empresa também pretende avaliar os produtos bancários utilizados pelo cliente.
Isso pode incluir cartões de crédito e benefícios associados.
A plataforma compara essas informações com o padrão de gastos para indicar alternativas mais adequadas.
Assinaturas recorrentes e despesas consideradas dispensáveis também podem aparecer nas análises.
A ideia é tratar investimentos e orçamento doméstico como partes de uma mesma estratégia financeira.
Mercado de inteligência artificial financeira está crescendo
A chegada da Decade ocorre em um momento de expansão acelerada da inteligência artificial no mercado financeiro.
Bancos já utilizam modelos para análise de crédito, atendimento ao cliente, prevenção a fraudes e personalização de ofertas.
O próximo passo é aplicar essas ferramentas diretamente ao planejamento financeiro.
A diferença é que esse tipo de sistema passa a analisar não apenas uma conta bancária, mas todo o patrimônio do consumidor.
Isso também aumenta a importância de questões como privacidade, segurança dos dados e qualidade das recomendações.
Usuário precisa observar riscos ao usar IA para investir

Apesar do potencial da tecnologia, decisões financeiras realizadas com apoio de inteligência artificial exigem cautela.
Nenhum sistema consegue eliminar completamente riscos de mercado.
Uma recomendação também pode depender de dados incompletos ou de premissas que não se confirmem.
A própria Decade afirma que a inteligência artificial não deve substituir integralmente a responsabilidade humana.
Por isso, a plataforma mantém consultores disponíveis para auxiliar nas decisões mais importantes.
O investidor também continua responsável por avaliar seu perfil de risco, objetivos e capacidade financeira antes de realizar qualquer movimentação.
Decade entra em mercado disputado
A startup chega a um setor que já reúne grandes bancos, corretoras, assessorias de investimento e plataformas digitais.
Empresas tradicionais possuem milhões de clientes e estruturas consolidadas.
A vantagem buscada pela Decade é oferecer uma experiência mais integrada, usando inteligência artificial para analisar todas as finanças do consumidor.
O desafio será convencer clientes a compartilhar dados financeiros e pagar uma assinatura mensal por esse serviço.
A rodada de US$ 85 milhões dá à empresa recursos significativos para investir em tecnologia, contratação e expansão.
Ex-Nubank quer repetir combinação de tecnologia e finanças
A trajetória dos fundadores ajuda a explicar a tese por trás da startup.
O Nubank cresceu combinando serviços financeiros com tecnologias que ganharam escala ao longo da última década, principalmente smartphones e computação em nuvem.
A Decade tenta seguir uma lógica semelhante.
Desta vez, a tecnologia central é a inteligência artificial.
O objetivo é utilizar modelos avançados para transformar um serviço historicamente caro e personalizado em um produto acessível a uma base maior de clientes.
Rodada coloca Decade entre principais apostas de IA financeira
A captação de US$ 85 milhões antes mesmo de uma expansão ampla do produto mostra o tamanho da aposta dos investidores.
A startup ainda precisa provar que consegue transformar tecnologia e análise financeira em um serviço que clientes estejam dispostos a utilizar no longo prazo.
Por enquanto, a empresa começa com uma estrutura incomum para uma startup tão jovem: capital elevado, fundadores experientes e investidores internacionais relevantes.
A próxima etapa será ampliar a base de usuários e demonstrar se a combinação de Open Finance, inteligência artificial e consultoria humana consegue criar um novo modelo de gestão patrimonial no Brasil.
