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Ex-funcionário do Banco do Brasil teria desviado R$ 18 milhões, diz polícia

Ex-gerente do BB é alvo de operação por suspeita de desviar R$ 18 milhões em empréstimos fraudulentos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (23), uma operação que colocou no centro das investigações o nome de Alan Maurício Casuo, ex-gerente do Banco do Brasil (BB), suspeito de desviar cerca de R$ 18 milhões da instituição financeira entre 2023 e 2024. A ação, conduzida pela 3ª Delegacia de Combate à Lavagem de Dinheiro, também incluiu a esposa dele, Jennifer Coelho da Cunha, e um sócio do casal.

Segundo as autoridades, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além da determinação judicial de sequestro de bens e bloqueio de valores, como forma de garantir o ressarcimento dos prejuízos.

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Imagem: Freepik e Canva

Como funcionava o esquema investigado

Auditoria interna identificou irregularidades

O caso começou a ser investigado após uma auditoria interna do próprio Banco do Brasil identificar operações suspeitas de crédito. O levantamento apontou que Alan teria aprovado 70 empréstimos fraudulentos em nome de empresas de fachada, que não possuíam atividade econômica real.

Essas liberações aconteceram durante o período em que ele exercia o cargo de gerente responsável pela aprovação e concessão de créditos, função que ocupava havia mais de 11 anos na instituição.

Falhas e irregularidades nos procedimentos

De acordo com a investigação, o ex-gerente teria utilizado documentos inconsistentes e dados cadastrais irregulares, sem observar as exigências de segurança e compliance da instituição. O objetivo era permitir que valores vultosos fossem repassados às empresas ligadas ao grupo investigado.

Perfil do investigado: do banco ao pôquer

Um aspecto curioso revelado pela polícia é que, além de sua atuação no Banco do Brasil, Alan também era conhecido como jogador profissional de pôquer. Esse detalhe chamou a atenção dos investigadores, já que os ganhos com torneios e apostas podem ter sido utilizados para justificar movimentações financeiras atípicas.

Bens apreendidos na operação

Durante o cumprimento dos mandados, a polícia encontrou diversos itens de alto valor, entre eles:

  • Relógios de luxo;
  • Cartões de crédito em nome de terceiros;
  • Documentos relacionados às empresas de fachada utilizadas no esquema.

Esses bens foram recolhidos como parte das medidas de confisco patrimonial, visando recuperar parte dos recursos desviados.

Participação da esposa e de um sócio

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

As investigações também indicam que a esposa do ex-gerente, Jennifer Coelho da Cunha, teve participação direta no esquema. Segundo a polícia, o casal movimentou quase R$ 1,5 milhão em transferências oriundas do banco. Parte do montante teria sido destinada a contas vinculadas a um sócio, que também é investigado.

A presença de familiares e parceiros no esquema sugere uma organização estruturada, com divisão de papéis para dificultar a detecção das fraudes.

Defesa do ex-gerente

Em depoimento, Alan afirmou que os empréstimos foram realizados para empresas indicadas por um “consultor financeiro”, e que teria agido sob pressão para cumprir metas de concessão de crédito. A defesa sustenta que ele não tinha conhecimento pleno das irregularidades e que não enriqueceu pessoalmente com as operações.

Contudo, os investigadores acreditam que há fortes indícios de dolo, ou seja, intenção de fraudar, dado o volume de recursos movimentados e a repetição das práticas ao longo do tempo.

Estratégia da Polícia Civil

Foco em lavagem de dinheiro

A operação foi conduzida pela 3ª Delegacia de Combate à Lavagem de Dinheiro, especializada em identificar movimentações ilícitas e ocultação de bens. A escolha desse núcleo reforça a hipótese de que parte do dinheiro desviado teria sido camuflada por meio de transferências bancárias, aplicações financeiras e aquisição de bens de alto valor.

Medidas judiciais

Além das buscas e apreensões, a Justiça determinou:

  • Sequestro de imóveis e veículos ligados aos investigados;
  • Bloqueio de contas bancárias;
  • Monitoramento de movimentações financeiras recentes, para rastrear o destino dos R$ 18 milhões desviados.

Impacto para o Banco do Brasil

Prejuízo e reforço nos controles internos

O Banco do Brasil afirmou que colaborou ativamente com as investigações e que o caso foi identificado a partir de sua própria auditoria. A instituição reforçou que adotou medidas adicionais de segurança e compliance para evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer.

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Especialistas em sistema bancário apontam que fraudes internas como essa representam um duro golpe para a credibilidade do setor financeiro, mas ressaltam que a rápida identificação demonstra eficiência nos mecanismos de auditoria.

Crimes em apuração

Os envolvidos podem responder por diversos crimes, entre eles:

  • Gestão fraudulenta de instituição financeira;
  • Associação criminosa;
  • Falsidade ideológica;
  • Lavagem de dinheiro.

As penas, somadas, podem ultrapassar 20 anos de prisão, além de indenizações civis e a obrigação de ressarcimento integral ao banco.

Casos semelhantes no setor bancário

Fraudes internas em outras instituições

Embora grave, o caso de Alan Maurício Casuo não é isolado. Nos últimos anos, outras investigações revelaram fraudes cometidas por funcionários de bancos, envolvendo concessão irregular de créditos, desvio de fundos de clientes e até manipulação de sistemas.

A recorrência desses episódios acende um alerta para a necessidade de fiscalização contínua, uso de inteligência artificial e cruzamento automatizado de dados, a fim de reduzir a margem para irregularidades.

Desdobramentos esperados

Imagem: Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil

Próximas fases da investigação

A Polícia Civil deve:

  • Analisar documentos apreendidos para identificar outras empresas beneficiadas;
  • Rastrear fluxos financeiros internacionais, já que parte do dinheiro pode ter sido enviado ao exterior;
  • Ouvir novos depoimentos, incluindo o “consultor financeiro” citado na defesa do ex-gerente.

O inquérito deve ser encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre a oferta de denúncia formal contra os envolvidos.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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