A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (23), uma operação que colocou no centro das investigações o nome de Alan Maurício Casuo, ex-gerente do Banco do Brasil (BB), suspeito de desviar cerca de R$ 18 milhões da instituição financeira entre 2023 e 2024. A ação, conduzida pela 3ª Delegacia de Combate à Lavagem de Dinheiro, também incluiu a esposa dele, Jennifer Coelho da Cunha, e um sócio do casal.
Ex-funcionário do Banco do Brasil teria desviado R$ 18 milhões, diz polícia
Ex-gerente do BB é alvo de operação por suspeita de desviar R$ 18 milhões em empréstimos fraudulentos.
Segundo as autoridades, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, além da determinação judicial de sequestro de bens e bloqueio de valores, como forma de garantir o ressarcimento dos prejuízos.
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Como funcionava o esquema investigado
Auditoria interna identificou irregularidades
O caso começou a ser investigado após uma auditoria interna do próprio Banco do Brasil identificar operações suspeitas de crédito. O levantamento apontou que Alan teria aprovado 70 empréstimos fraudulentos em nome de empresas de fachada, que não possuíam atividade econômica real.
Essas liberações aconteceram durante o período em que ele exercia o cargo de gerente responsável pela aprovação e concessão de créditos, função que ocupava havia mais de 11 anos na instituição.
Falhas e irregularidades nos procedimentos
De acordo com a investigação, o ex-gerente teria utilizado documentos inconsistentes e dados cadastrais irregulares, sem observar as exigências de segurança e compliance da instituição. O objetivo era permitir que valores vultosos fossem repassados às empresas ligadas ao grupo investigado.
Perfil do investigado: do banco ao pôquer
Um aspecto curioso revelado pela polícia é que, além de sua atuação no Banco do Brasil, Alan também era conhecido como jogador profissional de pôquer. Esse detalhe chamou a atenção dos investigadores, já que os ganhos com torneios e apostas podem ter sido utilizados para justificar movimentações financeiras atípicas.
Bens apreendidos na operação
Durante o cumprimento dos mandados, a polícia encontrou diversos itens de alto valor, entre eles:
- Relógios de luxo;
- Cartões de crédito em nome de terceiros;
- Documentos relacionados às empresas de fachada utilizadas no esquema.
Esses bens foram recolhidos como parte das medidas de confisco patrimonial, visando recuperar parte dos recursos desviados.
Participação da esposa e de um sócio

As investigações também indicam que a esposa do ex-gerente, Jennifer Coelho da Cunha, teve participação direta no esquema. Segundo a polícia, o casal movimentou quase R$ 1,5 milhão em transferências oriundas do banco. Parte do montante teria sido destinada a contas vinculadas a um sócio, que também é investigado.
A presença de familiares e parceiros no esquema sugere uma organização estruturada, com divisão de papéis para dificultar a detecção das fraudes.
Defesa do ex-gerente
Em depoimento, Alan afirmou que os empréstimos foram realizados para empresas indicadas por um “consultor financeiro”, e que teria agido sob pressão para cumprir metas de concessão de crédito. A defesa sustenta que ele não tinha conhecimento pleno das irregularidades e que não enriqueceu pessoalmente com as operações.
Contudo, os investigadores acreditam que há fortes indícios de dolo, ou seja, intenção de fraudar, dado o volume de recursos movimentados e a repetição das práticas ao longo do tempo.
Estratégia da Polícia Civil
Foco em lavagem de dinheiro
A operação foi conduzida pela 3ª Delegacia de Combate à Lavagem de Dinheiro, especializada em identificar movimentações ilícitas e ocultação de bens. A escolha desse núcleo reforça a hipótese de que parte do dinheiro desviado teria sido camuflada por meio de transferências bancárias, aplicações financeiras e aquisição de bens de alto valor.
Medidas judiciais
Além das buscas e apreensões, a Justiça determinou:
- Sequestro de imóveis e veículos ligados aos investigados;
- Bloqueio de contas bancárias;
- Monitoramento de movimentações financeiras recentes, para rastrear o destino dos R$ 18 milhões desviados.
Impacto para o Banco do Brasil
Prejuízo e reforço nos controles internos
O Banco do Brasil afirmou que colaborou ativamente com as investigações e que o caso foi identificado a partir de sua própria auditoria. A instituição reforçou que adotou medidas adicionais de segurança e compliance para evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer.
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Especialistas em sistema bancário apontam que fraudes internas como essa representam um duro golpe para a credibilidade do setor financeiro, mas ressaltam que a rápida identificação demonstra eficiência nos mecanismos de auditoria.
Crimes em apuração
Os envolvidos podem responder por diversos crimes, entre eles:
- Gestão fraudulenta de instituição financeira;
- Associação criminosa;
- Falsidade ideológica;
- Lavagem de dinheiro.
As penas, somadas, podem ultrapassar 20 anos de prisão, além de indenizações civis e a obrigação de ressarcimento integral ao banco.
Casos semelhantes no setor bancário
Fraudes internas em outras instituições
Embora grave, o caso de Alan Maurício Casuo não é isolado. Nos últimos anos, outras investigações revelaram fraudes cometidas por funcionários de bancos, envolvendo concessão irregular de créditos, desvio de fundos de clientes e até manipulação de sistemas.
A recorrência desses episódios acende um alerta para a necessidade de fiscalização contínua, uso de inteligência artificial e cruzamento automatizado de dados, a fim de reduzir a margem para irregularidades.
Desdobramentos esperados

Próximas fases da investigação
A Polícia Civil deve:
- Analisar documentos apreendidos para identificar outras empresas beneficiadas;
- Rastrear fluxos financeiros internacionais, já que parte do dinheiro pode ter sido enviado ao exterior;
- Ouvir novos depoimentos, incluindo o “consultor financeiro” citado na defesa do ex-gerente.
O inquérito deve ser encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre a oferta de denúncia formal contra os envolvidos.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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